sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CONTINUA APARECENDO, PRATICAMENTE A TODO MOMENTO, NA PUBLICIDADE DO BLOG, PROPAGANDA DE UM SITE DE UM APOIADOR DA CANDIDATURA A PRESIDÊNCIA DO SERRA

Esta aparecendo, praticamente a todo o momento, na publicidade do blog, propaganda de um site de um apoiador da pré-candidatura José Serra a Presidência da República, não parei para verificar se este site esta dentro da legalidade. Por hora não vou me importar com isso porque acho uma perda de tempo essa propaganda no meu blog. Vou aceitar tranqüila e democraticamente, mas gostaria de lembrar que há dias estou banido do blog do Ricardo Noblat das Organizações Globo e que eu me lembre só discordei do que ele escreve lá e não ofendi ninguém. Com a palavra o saudoso Ricardo Noblat do Correio Brasilense.
Nesses momentos me lembro das sábias palavras de um amigo que ao comentar que estava engolindo sapo, emendou: "Ja engoli uma lagoa".

Bom fim de semana e aguardem o último capitulo do Conto "ATROZ REDENTOR LAZARUS MORELL" do livro A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA de Jorge Luis Borges.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ANALISE DOS NÚMEROS DA PESQUISA IBOPE / CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA

Desde o primeiro momento em que ouvi a notícia ontem à noite sobre essa pesquisa do IBOPE para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a CNA, com alguns resultados, fiquei pensando comigo mesmo em silêncio: "Só pode ter manipulação na amostragem para ser possivel chegar a um resultado como esse, até quando a opinião pública, ou melhor, ainda parte significativa dela, será enganada?"
Durante o dia de hoje arrumei o tempo que não tenho porque sou um trabalhador a procura de um lugar melhor ao sol e fui a procura, primeiro do relatório completo dessa pesquisa IBOPE/CNA, depois dos números do IBGE referentes ao Censo Agropecuário de 2006 no item sobre a Agricultura Familiar, de acordo com a Lei 11.326, que estabelece os princípios e instrumentos destinados à formulação das políticas públicas direcionadas à Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais.
De acordo com estatisticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca, o IBGE, no qual eu ja tive a honra de trabalhar em censos, a quantidade de estabelecimentos da Agricultura Familiar em 2006 por Região do Brasil é a seguinte:
De acordo com o Relatório JOB 1221 do IBOPE da Pesquisa de Opinião Pública Sobre Assentamentos Rurais realizada para a CNA, as cotas de entrevistas por Regiões do Brasil foram as seguinte:

Como se pode observar a manipulação dos números é descarada, logo de cara se vê que a pesquisa não entrevistou nenhum assentado na Região Sul do Brasil, que históricamente tem um dos melhores padrões de vida no Brasil. Por outro lado foram feitas 25% das entrevistas na Região Norte, enquanto que pelos números do IBGE esta região tem peso de 9,5% no total de assentados do Brasil. Também foram entrevistados 35% de assentados nordestinos, enquanto que a Região tem peso, de acordo com números de IBGE de 50,1% de assentados e para encerrar, foram entrevistados 22,5% de assentados pelo IBOPE na Região Centro Oeste, enquanto que ela tem peso de 5% de assentados em relação a todo Brasil. A única Região onde os números ficaram próximos foi a Sudoeste com 16% de assentados pelos números do IBGE e 17,5% de entrevistas do IBOPE.
De acordo com números do IBGE de 2006, as estatísticas da agricultura familiar por estado são as seguintes:
O IBOPE realizou entrevistas nos seguintes estados com os seguintes números, de acordo com seu próprio relatório:


Fiz questão de detalhar os números por estado para completar o trabalho, se você meu caro internalta quizer ter acesso as tabelas do IBGE é só acessa ao seguinte endereço:
Os números estão sem os cálculos por porcentagem, que foram trabalhados mim mesmo, mas são os mesmos, basta abrir as tabelas e conferir.
Não existe na página do IBGE nenhum número posterior aos dados do Censo Agropecuário de 2006, depois, os números de assentamentos feitos até 2008 não ultrapassam as diferenças registradas nesta analise.
Voces também poderão acessar ao relatório do IBOPE na no seguinte endereço do CNA:
LEIAM E TIREM SUAS CONCLUSÕES PARA O BEM DO BRASIL.
Flávio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com

“NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG: “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES II

Na primeira parte de “NOVELA LITERÁRIA” DO BLOG vocês foram convidados a ler o livro “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” de JORGE LUIS BORGES, com o primeiro conto 'ATROZ REDENTOR LAZARUS MORELL", agora acabo de blogar a seguda parte deste conto:

O ATROZ REDENTOR LAZARUS MORELL - Segunda Parte

O HOMEM
Os daguerreótipos de Morell, que costumam publicar as revistas americanas, não são autênticos. Essa carência de genuínas efígies de homem tão memorável e famoso não deve ser casual. E verossímil supor que Morell se tenha negado à placa polida; essencialmente para não deixar inúteis rastros e, de passagem, para alimentar seu mistério... Sabemos contudo que não foi favorecido quando jovem e os olhos demasiado próximos e os lábios finos não predispunham a seu favor. Os anos, porém, conferiram-lhe essa peculiar majestade que têm os canalhas encanecidos, os facínoras venturosos e impunes. Era um antigo cavalheiro do Sul, apesar da infância miserável e da vida afrontosa. Não desconhecia as Escrituras e pregava com singular convicção. "Eu vi Lazarus Morell no púlpito " – anota o dono de uma casa de jogo em Baton Rouge, Louisiana – "e escutei suas palavras edificantes e vi lágrimas acudirem a seus olhos. Sabia que era adúltero, ladrão de negros e assassino perante o Senhor, mas também meus olhos choraram."
Outro bom testemunho dessas efusões sagradas é o que subministra o próprio Morell. "Abri ao acaso a Bíblia, dei com um conveniente versículo de São Paulo e preguei uma hora e vinte minutos. Tampouco desperdiçaram esse tempo Crenshaw e os companheiros, porque levaram com eles todos os cavalos do auditório. Nós os vendemos no Estado de Arkansas, a não ser um baio muito brioso que reservei para meu uso particular. Agradava também a Crenshaw, mas eu fiz ver a ele que não lhe servia."


O MÉTODO
Os cavalos roubados em um Estado e vendidos em outro foram apenas uma digressão na carreira delinqüente de Morell, porém prefiguraram o método que agora lhe assegura seu lugar privilegiado em uma História Universal da Infâmia. Esse método é único, não só pelas circunstâncias sui generis que o determinaram, como também pela abjeção que requer, pelo fatal manejo da esperança e pelo desenvolvimento gradual, semelhante à atroz evolução de um pesadelo. A1 Capone e Bugs Moran operam com ilustres capitais e com metralhadoras servis numa grande cidade, porém seu negócio é vulgar. Disputam-se um monopólio, e isso é tudo... Quanto a número de homens, Morell chegou a comandar uns mil, todos juramentados. Duzentos integravam o Alto Conselho, e este promulgava as ordens que os restantes oitocentos cumpriam. O risco recaía nos subalternos. Em caso de rebelião, eram entregues à Justiça ou arrojados à correnteza do rio de águas pesadas, com uma pedra presa nos pés. Eram, com freqüência, mulatos. Sua facinorosa missão era a seguinte:
Percorriam – com algum momentâneo luxo de anéis, para inspirar respeito – as vastas plantações do Sul. Escolhiam um negro infeliz e propunham-lhe a liberdade. Diziam-lhe que fugisse de seu senhor, para ser vendido por eles uma segunda vez, em alguma propriedade distante. Dar-lhe-iam então uma percentagem do preço de sua venda e lhe facultariam a próxima evasão. Iriam conduzi-lo, afinal, a um Estado abolicionista. Dinheiro e liberdade, dólares de prata bem sonantes e liberdade, que maior tentação podiam oferecer-lhes? O escravo atrevia-se a sua primeira fuga.
O caminho natural era o rio. Uma canoa, o porão de um vapor, uma barcaça, uma balsa grande como o céu, tendo na extremidade uma cabana ou tendas de lona muito altas; o lugar não importava, importava apenas saber-se em movimento e seguro sobre o infatigável rio... Vendiam-no em outra plantação. Fugia outra vez para os canaviais ou barrancos. Então, os terríveis benfeitores (dos quais já começava a desconfiar) aduziam gastos obscuros e declaravam que tinham de vendê-lo uma última vez. Ao regressar dariam a ele a percentagem das duas vendas e a liberdade. O homem deixava-se vender, trabalhava algum tempo e desafiava na última fuga o risco dos cães de caça e dos açoites. Regressava com sangue, com suor, com desespero e com sono.


A LIBERDADE FINAL
Falta considerar o aspecto jurídico desses fatos. O negro não era posto à venda pelos sicários de Morell antes que o dono primitivo houvesse denunciado sua fuga e oferecido uma recompensa a quem o encontrasse. Quem quer que fosse podia então retê-lo, de modo que sua venda posterior era abuso de confiança, não roubo. Recorrer à justiça civil era gasto inútil, porque os danos não eram pagos nunca.
Tudo isso era muito tranqüilizador, mas não para sempre. O negro podia falar; o negro, de puro agradecimento ou infelicidade, era capaz de falar. Umas rodadas de uísque de centeio no prostíbulo de El Cairo, Illinois, onde o filho de uma cadela nascido escravo iria malgastar o dinheiro que eles não lhe tinham de dar, e transpirava o segredo. Nesses anos um Partido Abolicionista agitava o Norte, uma turba de loucos perigosos que negavam a propriedade e pregavam a liberdade dos negros, incitando-os a fugir. Morell não ia deixar-se confundir por tais anarquistas. Não era um yankee, era um homem branco do Sul, filho e neto de brancos, e esperava retirar-se dos negócios e ser um cavalheiro, com léguas de algodoal e as curvadas filas de escravos. Com sua experiência, não estava para riscos inúteis.
O trânsfuga esperava a liberdade. Então os mulatos nebulosos de Lazarus Morell transmitiam entre si uma ordem que podia não passar de uma senha e o livravam da vista, do ouvido, do tato, do dia, da infâmia, do tempo, dos benfeitores, da misericórdia, do ar, dos cachorros, do universo, da esperança, do suor e dele mesmo. Um balaço, uma punhalada baixa ou um golpe, e as tartarugas e pargos do Mississipi recebiam a última informação.

Na sequencia a conclusão do conto com os capítulos finais deste conto: A CATÁSTROFE e A INTERRUPÇÃO.
Quem não leu a primeira parte do conto acesse:

A PARTIR DE HOJE, ALEM DAS ANALISES, TEM “NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG E A PRIMEIRA É “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES. CURTAM.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

BLOG DO NOBLAT E TAMBEM DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO ESTÁ EM CAMPANHA ABERTA POR SERRA.

A campanha por Serra esta com tudo no blog do Noblat; primeiro ele tenta (aliás o tempo todo) intrigar Ciro Gomes com o PT, depois publica comentários de José Serra como, por exemplo, "O Brasil precisa de governantes que sejam íntegros, que sirvam ao povo, em vez de se servirem do povo.”

Se isso não for jogo pró Serra do Noblat e da Globo, o que é então?

APESAR DAS TENTIVAS DA OPOSIÇÃO, GOVERNO MANTEM O CONTROLE DA SITUAÇÃO NOS BASTIDORES DA DISPUTA QUE ANTECEDE A CORRIDA PRESIDENCIAL DE 2010.

Apesar do fim de semana aparentemente tranqüilo com nenhuma pesquisa com números de impacto, a disputa nos bastidores continua e a grande cobiçada do momento é a classe média, principalmente a nova classe média que se consolidou durante o Governo Lula.
Milhões de novos brasileiros que acessaram a um melhor padrão de vida cujas consciências precisam ser ganhas pela oposição ou mantida pelo governo.

A oposição corre contra o tempo, usa todos os mecanismos a sua disposição, principalmente aquele setor da imprensa classificado de PIG (Partido da Imprensa Golpista), que não perde a oportunidade de fustigar o governo todo momento, tudo é motivo de crise. O objetivo é convencer os eleitores, a partir da classe média é claro, de que o bom momento que o Brasil vive atualmente foi plantado pela oposição quando FHC foi presidente de 1994 a 2002 e que o Governo Lula apenas esta se aproveitando dessa situação com ajuda da conjuntura internacional favorável, que volta a ser muito boa para o Brasil com o final da crise.
Toda estratégia oposicionista estava articulada para que o principal candidato à presidência da oposição, no caso o Governador de São Paulo José Serra conseguisse chegar no início da campanha eleitoral oficial na metade do ano que vem com uma intenção de votos estimulada em torno de 35% a 45% para poder ir ao segundo turno com força e disputar de igual para igual com o candidato, ou melhor, candidata, governista, em condições de ter chances de vitória.
No entanto, já a partir da segunda quinzena de setembro de 2009 os números das pesquisas não pareceram tão favoráveis a Serra.
Para contrabalançar este fato, forças políticas oposicionistas somadas aos setores empresariais e também a imprensa historicamente comprometidos com o projeto político, que governou o Brasil até 2002 decidiram partir para uma estratégia alternativa de dividir os votos do campo governista; primeiro através da candidatura da Senadora Marina Silva, depois através da tentativa de fortalecer, pelo menos momentaneamente, a candidatura Ciro Gomes.
Todos esses movimentos, pelo menos até o presente momento não surtiram o efeito esperado pelos oposicionistas. Contudo, não se enganem, o grande termômetro da disposição oposicionista é o Governador José Serra, se ele entrar na disputa é porque tem a leitura de que ainda terá um pouco de chance, nesse caso se agarrará a esta até o fim. Talvez seja exatamente nesse momento é que a democracia brasileira tenha que passar pelo seu maior teste, mais arriscado inclusive que o impechement de Collor.

Depois da escolha da cidade do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, a situação do Governo Lula que já era, de certa forma confortável, se tornou mais tranqüila ainda, principalmente depois que Ciro Gomes transferiu seu título para o Estado de São Paulo e que a candidatura da Senadora Marina Silva ainda não conseguiu o apoio popular que a oposição desejava.
O fato de Ciro Gomes ter demonstrado que pode topar ser candidato ao Governo de São Paulo e o apoio à candidatura Dilma Roussef do PDT e do PC do B, alem da tendência do PMDB nacional de fechar com a candidatura governista indica que o campo governista esta unido e que o Presidente Lula tem o controle da sucessão presidencial, pelo menos até o momento.

Conclusão, apesar de números que ainda indicam Serra na liderança no plano nacional, mesmo levando em conta que já existem noticias de que Serra teria caído no Estado do Rio de Janeiro de 30% para 22% de intenções de votos espontâneos, noticia que o blog vai verificar com mais detalhes, as condições básicas e objetivas para se chegar a uma vitória quem esta conseguindo criar até o presente momento é o bloco governista liderado pelo Presidente Lula.
É sempre bom lembrar que todo governo sempre tem a oportunidade de criar todas as condições para eleger a sucessor, para isso basta ser eficiente e atender as necessidades da população para ter maioria no apoio da opinião pública. Até o presente momento o governo Lula tem seguido esta regra de maneira impecável. Se continuar acertando e não cometer erros primários como, por exemplo, retardar a restituição do imposto de renda, será difícil para a oposição chegar ao Planalto.
O que se espera é que os oposicionistas mais açodados, dentre os quais está incluso o Governador José Serra e também alguns membros do DEM, saibam aceitar o resultado final, caso os partidos governistas estejam prestes a eleger sucessor de Lula, sem apelar para ações que estejam à margem da democracia plena. Esse alerta vale também para o PIG, principalmente as Organizações Globo.

Obs: Esta aparecendo, praticamente a todo o momento, na publicidade do blog, propaganda de um site de um apoiador da pré-candidatura José Serra a Presidência da República, não parei para verificar se este site esta dentro da legalidade. Por hora não vou me importar com isso porque acho uma perda de tempo essa propaganda no meu blog. Vou aceitar tranqüila e democraticamente, mas gostaria de lembrar que há dias estou banido do blog do Ricardo Noblat das Organizações Globo e que eu me lembre só discordei do que ele escreve lá e não ofendi ninguém. Com a palavra o saudoso Ricardo Noblat do Correio Brasilense.

Flávio Luiz Sartori –
flavioluiz.sartori@gmail.com


E continuem acompanhando no texto:

A PARTIR DE HOJE, ALEM DAS ANALISES, TEM “NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG E A PRIMEIRA É “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES. CURTAM.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A PARTIR DE HOJE, ALEM DAS ANALISES, TEM “NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG E A PRIMEIRA É “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES. CURTAM.

Em Janeiro de 1997 depois de uma temporada em Maresias, São Sebastião, um pouco antes de entrar no ônibus que me levaria para Piracicaba, onde eu morava meu amigo Pedrão me perguntou em uma conversa sobre literatura se eu tinha lido algum texto de Jorge Luis Borges, Pedrão me falou que Borges era um mestre da narrativa curta, que seus contos eram maravilhosos e no final da conversa me emprestou o livro A História Universal da Infâmia, durante a viagem de ônibus li os contos, um atrás do outro. Naquele momento conheci o fantástico mundo de Jorge Luis Borges, conheci a narrativa perfeita combinada com a capacidade perfeita de relatar a trajetória de personagens que estão presentes e reais nosso dia a dia e que também são como que se fossem almas penadas habitando universos eternos como que se a morte fosse apenas uma passagem para uma realidade parecida com a que vivemos em um cÍrculo de vida sem fim.

Jorge Luis Borges Acevedo nasceu em Buenos Aires em 24 de Agosto de 1899, foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino mundialmente conhecido por seus contos e histórias curtas. Dizem que ele nasceu, depois de morrer, porque ele viu, que seu sonho era próspero. E nunca mais voltou.


Com nove anos de idade escreve seu primeiro conto, "La visera fatal", inspirado em um episódio de Dom Quixote, foi um ávido leitor de enciclopédias. Dentre seus contos mais conhecidos e comentados podemos citar A Biblioteca de Babel, O Jardim de Veredas que se Bifurcam, "Pierre Menard, autor do Quixote" (para muitos a pedra angular de sua literatura) e Funes, o Memorioso, todos do livro Ficções (1944) - além de "O Zahir", "A escrita do Deus" e O Aleph (que dá seu nome ao livro de que consta, publicado em 1949). A partir dos anos 50, afetado pela progressiva cegueira, Borges passou a se dedicar a poesia.
Jorge Luis Borges faleceu em 14 de Junho de 1986 em Genebra na Suíça.

A partir de hoje o blog “Essência além da aparência” vai lançar uma idéia para os blogueiros de plantão, será algo tipo uma novela em que os capítulos serão parte de contos curtos onde a pessoa que acessar o blog irá poder ler o conto em duas ou três partes quando acessar o blog em textos intercalados com as analises, com isso pretendo tornar o blog um ambiente onde a crítica será presença constante mas não única, afinal não tenho nada pessoal contra o Ali Kamel da Globo, o Montenegro do IBOPE ou o Boris Casoy da Band, apenas sou critico da opinião deles e me coloco em um campo oposto e isso não é pessoal é profissional.

A edição de textos em partes como se fosse uma novela é parte da interação do blog com as pessoas a partir de uma concepção humana porque, na minha opinião, apesar da Globo, da Band e do PIG, a vida continua e existem muitos Jorge Luis Borges para serem curtidos.
Com vocês a seqüência de contos do memorável livro “A história universal da infâmia”. Vamos dar uma viajada no fantástico mundo de Borges a partir do primeiro conto em três capítulos; O ATROZ REDENTOR LAZARUS MORELL, na seqüência todos os contos do livro serão blogados, os mais longos em capítulos e os mais curtos em uma única parte.
Boa leitura e mandem suas críticas.

Flávio Luiz Sartori –
flavioluiz.sartori@gmail.com



O ATROZ REDENTOR LAZARUS MORELL - Primeira Parte


A CAUSA REMOTA

Em 1517, o padre Bartolomé de las Casas compadeceu-se dos índios que se extenuavam nos laboriosos infernos das minas de ouro antilhanas, e propôs ao imperador Carlos V a importação de negros, que se extenuassem nos laboriosos infernos das minas de ouro antilhanas. A essa curiosa variação de um filantropo devemos infinitos fatos: os blues de Handy, o sucesso alcançado em Paris pelo pintor-doutor uruguaio D. Pedro Figari, a boa prosa agreste do também oriental D. Vicente Rossi, a dimensão mitológica de Abraham Lincoln, os quinhentos mil mortos da Guerra da Secessão, os três mil e trezentos milhões gastos em pensões militares, a estátua do imaginário Falucho, a admissão do verbo linchar na décima terceira edição do Dicionário da Academia Espanhola, o impetuoso filme Aleluya, a fornida carga de baionetas levada por Soler à frente de seus Pardos y Morenos em Cerrito, a graça da senhorita de Tal, o negro que assassinou Martín Fierro, a deplorável rumba El Manisero, o napoleonismo embargado e encarcerado de Toussaint Louverture, a cruz e a serpente no Haiti, o sangue das cabras degoladas pelo machado dos papaloi, a habanera mãe do tango, o candombe.
Além disso: a culpável e magnífica existência do atroz redentor Lazarus Morell.



O LUGAR

O Pai das Águas, o Mississipi, o rio mais extenso do mundo, foi o digno teatro desse incomparável canalha. (Álvarez de Pineda o descobriu e seu primeiro explorador foi o capitão Hernando de Soto, antigo conquistador do Peru, que distraiu os meses de prisão do Inca Atahualpa ensinando-lhe o jogo de xadrez. Morreu, e lhe deram como sepultura as suas águas.)
O Mississipi é rio de peito largo; é um infinito e obscuro irmão do Paraná, do Uruguai, do Amazonas e do Orinoco. É um rio de águas mulatas; mais de quatrocentos milhões de toneladas de lama insultam anualmente o golfo do México, descarregadas por ele. Tanto lixo venerável e antigo construiu um delta, onde os gigantescos ciprestes dos pântanos crescem sobre os despojos de um continente em perpétua dissolução, e onde labirintos de barro, de peixes mortos, de juncos, dilatam as fronteiras e a paz de seu fétido império. Mais acima, na altura do Arkansas e do Ohio, também se alongam as terras baixas. Habita-as uma estirpe amarelenta de homens esquálidos, propensos à febre, que olham com avidez as pedras e o ferro, porque entre eles não há outra coisa senão areia e madeira e água turva.



OS HOMENS

Em princípios do século XIX (a data que nos interessa), as vastas plantações de algodão que havia nas margens eram trabalhadas por negros, de sol a sol. Dormiam em cabanas de madeira, sobre o chão de terra. Fora da relação mãe-filho, os parentescos eram convencionais e obscuros. Nomes tinham, mas podiam prescindir dos sobrenomes. Não sabiam ler. Sua enternecida voz de falsete cantava num inglês de vogais lentas. Trabalhavam em filas, curvados sob o rebenque do capataz. Fugiam, e homens de barba saltavam sobre cavalos de raça, e fortes cães de caça os rastreavam.
A um sedimento de esperanças bestiais e medos africanos haviam agregado as palavras da Escritura: sua fé por conseguinte era a de Cristo. Cantavam concentrados e em grupos: Go down Moses. O Mississipi servia-lhes de magnífica imagem do sórdido Jordão.
Os proprietários dessa terra trabalhadora e dessas levas de negros eram ociosos e ávidos senhores de melena. Habitavam imensos casarões voltados para o rio – sempre com um pórtico pseudogrego de pinho branca Um bom escravo custava-lhes mil dólares e não durava muito. Alguns cometiam a ingratidão de adoecer e morrer. Devia-se tirar dessas incertas criaturas o maior rendimento. Por isso conservavam-nos nos campos desde o primeiro sol até o último; por isso exigiam das terras colheita anual de algodão, ou fumo, ou açúcar. A terra, fatigada e manuseada por essa cultura impaciente, ficava em poucos anos exausta: o deserto confuso e enlodaçado enfiava-se pelas plantações. Nas chácaras abandonadas, nos subúrbios, nos canaviais estreitos e nos abjetos lodaçais, viviam os poor whites, a canalha branca. Eram pescadores, vagos caçadores, ladrões de cavalo. Costumavam mendigar pedaços de comida roubada aos negros e mantinham em sua prostração um orgulho: o do sangue sem tisne, sem mescla. Lazarus Morell foi um deles.

Continua amanhã, 13/10/2009 com: O HOMEM, O MÉTODO e a LIBERDADE FINAL.

Critiquem, façam sujestões.

Ainda hoje tem analises.

Flávio Luiz Sartori