terça-feira, 21 de julho de 2009

Criação de Gore Vidal - Uma visão apaixonante da história da humanidade antes de Cristo

Criação foi o livro mais apaixonante que ja li, podem acreditar. Ler esse livro é mergulhar em costumes de uma época que, no mínimo é um sonho para nós hoje. E, quem pode dizer que Criação também não é uma pesquisa?

Flávio


O século V.ªC. foi talvez um dos mais férteis e fascinantes da história da humanidade. Nele viveram Dário , o grande, e Xerxes, reis da Pérsia- Buda, Confúcio, Heródoto, Anaxágoras, Sócrates e Péricles. Nele se concebe idéias espirituais, filosóficas e políticas que colaboraram para construir o mundo moderno. Ainda hoje, discuti-se e copia-se o pensamento desse desses homens que conseguiram sobreviver a dois milênios, sendo que a filosofia de vida desses pensadores continua até os nossos dias moldando nossas ações e pensamentos. Foram seus contemporâneos que realizaram as primeiras explorações até chegar a alma humana. Estudaram a forma de religião que garantiu ao Rei Dario, o grande, conquistar novas terras e aumentar o império. É esse século que se acha reconstituído em seus mínimos detalhes, nesse, estupendo, romance de fundo filosófico que tão bem descreve o autor Gore Vidal. Rei da Pérsia, Dário, o grande, é seguidor da religião Zoroatrista, uma forma de religião e filosofia que adora o Sol e busca a verdade, Profeta do Deus Único, Aura Masda-em grego, O Sábio Senhor, e nele deposita toda sua fé. O Profeta Zoroastro tem um neto, Ciro Espítama, filho de pai Persa e mãe grega-jônica. Ciro Espítama aos 8 anos acompanha o avô Profeta Zoroastro quando o mesmo é assassinado pelos inimigos, no templo onde fazia suas orações. Esse fato marca, sobremaneira a vida de Ciro, tornando-o, junto com sua mãe, protegidos de Dário. Ciro foi educado segundo a disciplina militar da corte persa. Ainda jovem recebe o cargo de embaixador, viajando em missão oficial para além das fronteiras de um reino que se estende do Mediterrâneo até a Índia. Para os povos do século V a.C., a Índia era uma província persa ás margens do rio Indo, enquanto Ch’in não passava de uma serie de principados belicosos no território que hoje compreende a China. Na época o Afeganistão era chamado Báctria e o Irã Pérsia. É importante localizar esses países que com o decorrer do tempo foram mudando de reis e conseqüentemente de donos, pois vão sendo integrados ou desintegrados após guerras ou invasões, que na época, assim como hoje, são constantes.( conforme descrição do mapa antiqüíssimo)Ao embarcar para Catai (antigo nome da China atual), Ciro não procura apenas riqueza, nem sondar como poderá contribuir para que Dário, o grande, encontre caminhos para negociar ou aumentar territórios, Ciro busca repostas para as perguntas que norteiam sua vida: como se criou o universo? Por que o mal surgiu ao mesmo tempo em que o bem? Movido pela sede de conhecimento, ele se desloca para s regiões onde Buda se retirou, como para o lugar em que Confúcio costuma pescar, e para Atenas, onde encontra Sócrates.Ciro Espítama convive na corte, pois é tido como hóspede, junto com sua mãe Lais, ele se considera um homem de sorte, apesar da sua pouca idade, freqüenta a escola juntamente com os filhos e protegidos dos Reis. Cavalgar, retesar o arco era tudo que ensinavam aos meninos na época. Cavalgar, retesar o arco, dizer a verdade. Neste provérbio esta contida a educação persa no século V, a .C., e com certeza a educação grega segue a mesma linha.Interessante notar que já nessa época dizia que o ensino tradicional estava com os dias contados, pois agora seguia os sofistas, nova forma de ver pensar e ver o mundo.Gore Vidal, relata com maestria, a vida de Ciro Espítama a partir das experiências fundamentais para a evolução do homem, do ser humano, o qual vive e depende de uma sociedade para ser aprovado, ele busca um único sentido para a vida, desvenda as contradições, na grandeza e na miséria da história que até hoje se vive, principalmente no acidentado percurso que a justiça e a liberdade têm sido obrigadas a enfrentar em busca de sua plenitude. Justiça e liberdade, sempre foram a grande procura do ser humano em qualquer época.

Do Site: Shvoong

Sobre filmes, músicas e livros...

Nesse blog tem um espaço para o bloguero (é isso mesmo?) colocar filmes, músicas e livros favoritos. Em filmes foi fácil, escolhi Kagemusha - a Sombra do Samurai do diretor Akira Kurosawa, O Baile de Ettore Scola e Star Trek a Série dos anos 60 criada por Gene Roddenberry. Nas músicas ainda esta sendo difícil mas escolhi João Gilberto com Samba de Uma Nota Só e A Soapbox Opera de Supertramp, vou ter que pensar mais, tem tanta coisa boa. Sobre livros escolhi Criação de Gore Vidal e Cabeça de Turco de Günter Wallraff. Sobre os motivos de ter escolhido estes livros, são tão importantes que vou blogar (é isso mesmo dois?) dois comentários sobre estas importantes obras.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

BRASIL E EUA – DUAS REALIDADES RETRATADAS EM PESQUISAS REALIZADAS NOS ANOS NOVENTA DO SÉULO PASSADO

Nos anos 90 do século passado duas pesquisas de opinião refletiram muito bem o momento histórico nos EUA e no Brasil revelando duas realidades diferentes.
Nos EUA uma pesquisa que se tornou o livro O dia em que a América falou a verdade (The day América told the truth) escrito por James Patterson e Peter Kim em 1992 e no Brasil, cinco anos depois em 1997, o Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Instituto de Estudos da Religião realizou a pesquisa Como o brasileiro vê a si próprio.

Nos EUA os assuntos abordados pela pesquisa foram: sexo, drogas, casamento, adultério e patriotismo dentre outros. Em 1992 os EUA se preparavam para eleger Billl Clynton presidente pela primeira vez. Depois de 12 anos de mandatos consecutivos de presidentes republicanos, no caso dois mandatos de Ronald Reagan e um de George Busch pai e uma situação econômica que se não era das melhores estava muito distante da atual crise 2007/2008. Os EUA caminhavam para um período de prosperidade no mandato de Clinton que só terminaria no início do século XXI.

No Brasil a situação era de persistência da histórica desigualdade social, o Plano Real de 1994 que tinha levado FHC ao poder tinha derrubado a inflação, porém seus resultados não tinham sido positivos para a maioria dos brasileiros que continuavam impedidos de ter acesso a ascensão social, melhores condições de vida e, o desemprego era uma realidade preocupante.

Nos EUA de 1992 a preocupação da sociedade com temas relacionados ao cotidiano de uma sociedade capitalista com razoável padrão de vida. Na pesquisa O dia em que a América falou a verdade, os americanos foram perguntados sobre o que fariam por dez milhões de dólares; 25% abandonariam a família e a igreja, 23% aceitariam praticar a prostituição por uma semana, 10% se recusariam a testemunhar contra um assassino mesmo tendo presenciado o crime e 7% aceitariam matar um estranho. Em outra pergunta os americanos escolheram como atividades ilícitas; a prostituição, o comando do crime organizado e a pior de todas – o tráfico de drogas. Também escolheram como atividades mais honestas e integras; bombeiros, médicos, fazendeiros e professores.

No Brasil a conclusão da pesquisa Como o brasileiro vê a si próprio foi de que a maioria da população se considerava em situação de sofrimento, a preocupação era com a falta de novas oportunidades e já se verificava um certo clima de descontentamento que atingiria o ponto mais alto em 2000, com a eleição de Luis Inácio Lula da Silva para presidência. Na pesquisa 74,1% dos entrevistados responderem que os brasileiros eram sofredores, 42,3% consideravam os brasileiros revoltados, 28,5% violentos 61,4% conformados. Mas existia também esperança e otimismo, 69,4% consideravam os brasileiros trabalhadores, 63,3% alegres, 48% batalhadores, 46,1% solidários e 36,2% honestos.

Transportando os temas levantados em ambas pesquisas dos anos 90 do século passado para a realidade de 2008 e inicio de 2009 com as mudanças nas economias dos EUA e principalmente do Brasil, em meio à crise econômica, talvez fosse muito interessante registrar as realidades de leituras comportamentais abordadas em ambas pesquisas, tanto ns EUA quanto no Brasil novamente, com a realização de um novo de trabalho de campo, agora com a aplicação das duas pesquisas simultaneamente tanto no Brasil quanto EUA. Seria interessante saber como os brasileiros falariam a verdade e como os americanos se vêem a si próprios “nos dias de hoje”.