sábado, 30 de julho de 2011

UM TEXTO OBRIGATÓRIO PARA TODOS NÓS: DIRETO DO JORNAL DO BRASIL ON LINE MAURO SANTAYANA ESCREVE SOBRE COMO NASCEU A MANIPULAÇÃO DE MASSAS E COMO ELA CONTINUA TÃO ATUAL NOS DIAS DE HOJE


Mauro Santayana

ASSIM NASCEU A MANIPULAÇÃO DE MASSAS 


Muitos cometemos o engano de  atribuir a Goebbels a idéia da  manipulação das massas pela propaganda política. Antes que o ministro de Hitler cunhasse expressões fortes, como Deutschland, erwacht!, Edward Bernays começava a construir a sua excitante teoria sobre o tema.


Bernays, nascido em Viena, trazia a forte influência de Freud: era seu duplo sobrinho. Sua mãe foi irmã do pai da psicanálise, e seu pai, irmão da mulher do grande cientista. Na realidade, Bernays teve poucas relações pessoais com o tio. Com um ano de idade transferiu-se de Viena para Nova Iorque, acompanhando seus pais judeus. Depois de ter feito um curso de agronomia, dedicou-se muito cedo a uma profissão que inventou, a de Relações Públicas, expressão que considerava mais apropriada do que “propaganda”.  Combinando os estudos do tio sobre a mente e os estudos de Gustave Le Bon e outros, sobre a psicologia das massas, Bernays desenvolveu  sua teoria sobre a necessidade de manipular as massas, na sociedade industrial que florescia nos Estados Unidos e no mundo.  O texto que se segue é ilustrativo de sua conclusão:


“ A consciente e inteligente manipulação dos hábitos e das opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Os que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível,  o verdadeiro poder dirigente de nosso país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos formados, nossas idéias sugeridas amplamente por homens dos quais nunca ouvimos falar. Este é o resultado lógico de como a nossa “sociedade democrática” é organizada. Vasto número de seres humanos deve cooperar, desta maneira acomodada, se eles têm que conviver em sociedade. Em quase todos os atos de nossa vida diária, seja na esfera política ou nos negócios, em nossa conduta social ou em nosso pensamento ético,  somos dominados por um relativamente pequeno número de pessoas. Elas entendem os processos mentais e os modelos das massas. E são essas pessoas que puxam os cordões com os quais controlam a mente pública”.


Bernays entendeu que essa manipulação só é possível mediante os meios de comunicação. Ao abrir a  primeira agência de comunicação em Nova Iorque, em 1913 – aos 22 anos – ele tratou de convencer os homens de negócios que o controle do mercado e o prestígio das empresas estavam “nas notícias”, e não nos anúncios. Foi assim que inventou o famoso press release. Coube-lhe também criar “eventos”, que se tornariam notícias. Patrocinou uma parada em Nova Iorque na qual, pela primeira vez, mulheres eram vistas fumando. Contratou dezenas de jovens bonitas, que desfilaram com suas longas piteiras – e abriu o mercado do cigarro para o consumo feminino. Dele também foi a idéia de que, no cinema, o cigarro tivesse, como teve, presença permanente – e criou a “merchandising”. É provável que ele mesmo nunca tenha fumado – morreu aos 103 anos, em 1995.


A prevalência dos interesses comerciais nos jornais e, em seguida, nos meios eletrônicos, tornou-se comum, depois de Bernays, que se dedicou também à propaganda política. Foi consultor de Woodrow Wilson, na Primeira Guerra Mundial, e de Roosevelt, durante o “New Deal”. É difícil que Goebbels não tivesse conhecido seus trabalhos.


A técnica de manipulação das massas é simples, sobretudo quando se conhecem os mecanismos da mente, os famosos instintos de manada, aos quais também ele e outros teóricos se referem. O “instinto de manada” foi manipulado magistralmente pelos nazistas e, também ali, a serviço do capitalismo. Krupp e  Schacht tiveram tanta importância quanto Hitler. Mas, se sem Hitler poderia ter havido o nazismo, o sistema seria impensável sem Goebbels. E Goebbels, ao que tudo indica, valeu-se de Bernays, Le Bon e outros da mesma época e de idéias similares.


A propósito do “instinto de manada” vale a pena lembrar a definição do fascismo por Ortega y Gasset: um rebanho de ovelhas acovardadas, juntas umas às outras pêlo com pêlo, vigiadas por cães e submissas ao cajado do pastor. Essa manipulação das massas é o mais forte instrumento de dominação dos povos pelas oligarquias financeiras. Ela anestesia as pessoas – mediante a alienação – ao invadir a mente de cada uma delas, com os produtos tóxicos do entretenimento dirigido e  das comunicações deformadas. É o que  ocorre, com a demonização dos imigrantes “extracomunitários” nos países europeus, mas, sobretudo, dos procedentes dos países islâmicos. Acossados  pela crise econômica, nada melhor do que encontrar um “bode expiatório”- como foram os judeus para Hitler, depois da derrota na Primeira Guerra -  e, desesperadamente, organizar nova cruzada para a definitiva conquista da energia que se encontra sob as areias do Oriente Médio. Se essa conquista se fizer, há outras no horizonte, como a dos metais dos Andes e dos imensos recursos amazônicos. Não nos esqueçamos da “missão divina” de que se atribuía Bush para a invasão do Iraque – aprovada com entusiasmo pelo Congresso.


É preciso envenenar a mente dos homens, como envenenada foi a inteligência do assassino de Oslo – e desmoralizar, tanto quanto possível, as instituições do Estado Democrático – sempre a serviço dos donos do dinheiro. Quem conhece os jornais e as emissoras de televisão de Murdoch sabem que não há melhor exemplo de prática das idéias de Bernays e Goebbels do que a sua imensa empresa.


São esses mesmos instrumentos manipuladores que construíram o Partido Republicano americano e hoje incitam seus membros a impedir a taxação dos ricos para resolver o problema do endividamento do país, trazido pelas guerras, e a exigir os cortes nos gastos sociais, como os da saúde e da educação. Essa mesma manipulação produziu Quisling, o traidor norueguês a serviço de Hitler durante a guerra, e agora partejou o matador de Oslo.




Conclusão: muitas verdades se escondem cobre o pano da mentira.

Flávio

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O DESEQUILIBRIO DO ASSASSINO NORUEGUES E A PRÁTICA DO ASSÉDIO MORAL. TUDO ESTÁ INSERIDO NO INCONFORMISMO COM A REALIDADE ADVERSA NÃO ACEITA QUE SEMPRE SE TRANSFORMA EM ATITUDES IRRACIONAIS.

Começo a imaginar que por de traz da fúria do norueguês Andrew Behring Breivik, que matou dezenas de pessoas por uma questão aparentemente política existe um inconformismo muito mais enraizado, que chega a se sobrepor a questão política e ideológica.

Porque ele cita tanto o Brasil no manifesto que lançou horas antes de cometer a atrocidade que cometeu?

Devemos ficar atentos a estes fatos. O Brasil atualmente é muito importante como modelo de economia que esta dando certo na busca da diminuição da desigualdade social em um grau que contrapõem a história dos EUA ou da Europa. Aqui temos sim o preconceito e o racismo presente no nosso dia a dia, felizmente em nossa história política, não temos partidos com apoio popular que chegaram ao poder pregando a intolerância como já aconteceu  na Alemanha nos anos trinta do século passado com o nazismo. Também não temos aqui organizações racistas com histórico de atrocidades, como é o caso da Ku Klux Klan nos EUA.

O Brasil é uma democracia multirracial em todos os sentidos, que esta a caminho de se tornar uma potencia da economia mundial, certamente será um exemplo para outras regiões do mundo e até mesmo para a Europa e os EUA. Isso deve causar um certo desespero em pessoas como este assassino norueguês, que inconformado com o fato das forças políticas de direita não estarem no poder em seu país, atualmente governado por trabalhistas, partiu para uma atitude radical para se sentir notado.

Porém, isso não foi tudo na minha opinião, foi apenas a ponta de um iceberg. Na realidade o que precisa ser analisado mesmo é a demonstração de inconformismo com a situação colocada diante deste assassino.

O fato é que existe uma minoria que não se conforma com uma situação adversa. Para estas pessoas o único universo que interessa é o delas, quando as coisas não são como elas imaginam que deveria ser, partem para ações de demonstração de força e poder e não respeitam as particularidades colocadas, o autoritarismo é levado ao extremo do egoísmo.

Assim, na prática do dia a dia podemos ter um modelo de Andrew Behring Breivik, o assassino norueguês, sem perceber. Por exemplo, praticando algum tipo de assédio moral contra as pessoas próximas, principalmente quando existe algum tipo de poder nas mãos em locais que podem ser os de trabalho. Um chefe que tenta humilhar seus subordinados certamente é uma pessoa com estas características.

Um dia eu assistia um documentário na tv fechada sobre sociopatas e teve uma parte do programa que eu nunca vou esquecer:

Em uma empresa os principais executivos estavam chegando na idade de aposentar, tinha também um jovem promissor que poderia chegar ao comando da empresa, mas tinha um fato muito estranho, ele era pretensamente apoiado por uma metade dos funcionários da empresa e odiado pela outra metade. Os executivos da empresa, então tomaram a seguinte atitude, contrataram um profissional em análise de perfis humanos para se infiltrar entre os funcionários da empresa como que se fosse um funcionário recém contratado com a missão de analisar o que estava acontecendo na relação jovem promissor com o grupo de funcionários da empresa. Depois de conviver com os funcionários por um tempo o analista de perfis chegou a conclusão que a parte dos funcionários que apoiavam o jovem promissor, na realidade eram coagidos por chantagens. Então se ele já era odiado por uma metade e o apoio que ele pretensamente tinha na outra metade era na base da coação, isso significou que ele tinha se utilizado de métodos não éticos para galgar cargos melhores na empresa, ou seja, ele era aquilo que chamamos de “mau caráter” e não servia para comandar a empresa.

No final do documentário fiquei mais estarrecido ainda quando fiquei sabendo que aproximadamente 30% da população do Planeta Terra tem propensão a se tornar sóciopatas.

Conclusão é lógico que não podemos sair por ai imaginando que ninguém presta no mundo, temos que ficar atento a educação das crianças e dos adolescentes incutindo neles os princípios da importância de uma sociedade democrática sem o fantasma do preconceito e da obsessão pelo poder a qualquer custo. 

Flávio Luiz Sartori - flavioluizluiz.sartori@gmail.com