sexta-feira, 21 de agosto de 2009

PESQUISAS SOBRE RESTRIÇÃO AOS FRETADOS E AVALIAÇAO DO MANDATO DO PREFEITO GILBERTO KASSAB NA CIDADE DE SÃO PAULO

As diferenças entre as cotas de entrevistados por escolaridade usadas pelo Data Folha e as cotas reais do Tribunal Superior Eleitoral


Conforme o prometido através do texto postado anteriormente estou iniciando a serie de analises sobre as pesquisas divulgadas no site do Data Folha desde o ultimo fim de semana, 15 e 16 de Agosto. No caso como são assuntos que se interligam, resolvi fazer a analise das duas pesquisas que tem um tema em comum na cidade de São Paulo: Avaliação dos efeitos das novas regras sobre os fretados na cidade de São Paulo e Avaliação da gestão do Prefeito Gilberto Kassab em São Paulo.

Analisando os números da avaliação do Prefeito se verifica que o Data Folha organizou paralelamente a eles uma outra tabela interessante associando as respostas dos entrevistados sobre a avaliação do Prefeito do Ótimo e Bom, com 48%, Regular com 34% ao Ruim e Péssimo com 17%, com o tipo de transporte que eles utilizam e os números foram os seguintes; só para os 16,2%, que representam 177 entrevistados (no relatório divulgado pelo Jornal Folha de São Paulo são 9% mas na soma dos números das tabelas divulgadas pelo Data Folha são 16,2%) dos 1.092 entrevistados que responderam ser usuários do transporte fretado, com lotação, vans e micro-ônibus: 45% acham a administração do Prefeito Gilberto Kassab Ótima ou Boa, 36% Regular e 18% Ruim e Péssimo, números não muito diferentes e dentro da margem de erro da pesquisa para mais e para menos que foi de 3 pontos segundo relatório sobre metodologia dessa pesquisa divulgado pelo Data Folha. Isso demonstra que, apesar das manifestações e protestos dos usuários desse tipo de transporte, a situação, de acordo com o Data Folha, mudou para uma parcela muito pequena dos eleitores da cidade de São Paulo, provocando uma queda de apenas 3 pontos na avaliação do Ótimo e Bom do prefeito.

Também foi analisada a cota de amostragem da pesquisas por escolaridade e de acordo com os números divulgados nas tabelas do Data Folha as cotas de entrevistas da pesquisa foram: 352 entrevistados (32,4%) que cursaram só ate o Ensino Fundamental, independente de terem concluído ou não ou de ser analisado nas formas antigas, como por exemplo até a oitava série, 522 entrevistados(47,9%) que cursaram até o Ensino Médio (antigos segundo grau e colegial), independente de terem concluído ou não, e finalmente 215 entrevistas (19,7%) com eleitores que chegaram até o ensino superior, também independente de ter concluído ou não.
Sem levar em conta a polêmica que existe entre os que defendem entrevistas por cotas e os que defendem entrevistas por sorteios aleatórios (em breve debateremos sobre isso) na área de pesquisas de opinião, a idéia é demonstrar se as cotas utilizadas pelo Data Folha estão ou não de acordo com a estratificação dos eleitores por escolaridade, no caso da cidade de São Paulo.


Vamos então aos números do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a escolaridade dos eleitores da cidade de São Paulo: 44,8% com nível de conhecimento até o Ensino Fundamental de hoje, independentemente de terem só a primeira série e só saberem ler e escrever, ou de terem concluído até a oitava série, 40,4% chegaram até o ensino médio independente de terem concluído ou não e, 12,4% conseguiram entrar no ensino superior independente de terem terminado ou não. Isso são números reais do site do TSE.

Conclusão, existe sim um número de entrevistas feitos pelo Data Folha com cotas de entrevistados dos ensinos médios e superior acima das cotas dos números reais do TSE como pudemos constatar acima, dessa forma, se existem candidatos e temas que tem aceitação nos setores da sociedade que tem acesso aos ensinos médios e superior, tanto os candidatos quanto os temas serão favorecidos pelas cotas de entrevistas usadas pelo Data Folha. Observem bem que só no ensino fundamental, de 32,4% nas cotas do Data Folha para 44,8% nos números reais do TSE temos uma diferença de 12,4% pontos para menos, que corresponde a um universo de 1.020.120 eleitores do total de 8.226.773 eleitores inscritos que a cidade de São Paulo tinha até Julho de 2009 e que a amostragem de 1092 entrevistas da pesquisa do Data Folha pretendeu usar como representativa do eleitorado da cidade de São Paulo.
Voltando a diferença de 12,4 pontos percentuais, para onde foram? Foram 7,3 pontos percentuais para os 12,4% (a semelhança com a diferença citada é só coincidência) que chegaram ao ensino superior pelos números do TSE e foram transformados em 19,7% da cota dos entrevistados com ensino superior pelo Data Folha, assim mesmo sobram 5,1 pontos percentuais que subtraindo eles dos 47,9% entrevistados que chegaram até o Ensino Médio entrevistados pelo data Folha, produzem como resultado 42,8%, mas como os números to TSE demonstram que existe 40,4% de eleitores que chegaram até o Ensino Médio, logo ainda sobram 2,4 pontos percentuais que na realidade representam 2,47% de eleitores que se declaram analfabetos na cidade de São Paulo pelos números do TSE e que obviamente não entraram nas cotas do Data Folha.
Com a palavra o Data Folha porque aqui os números foram analisadas na frieza da matemática sem paixões.


Flávio Luiz Sartori

2 comentários:

  1. Gostei muito do blog. Estou seguindo. Abraços. Marcelo Costa.

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  2. Só pra constar Datafolha se escreve junto.

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