domingo, 9 de agosto de 2015

SE O RECUO DOS GRUPOS MIDIÁTICOS E SETORES DA ELITE, TENDO A GLOBO DOS IRMÃOS MARINHO Á FRENTE, NÃO FOR UMA TRAIÇÃO, O QUE RESTARÁ SERÁ DESMONTAR TODO UM CLIMA DE ÓDIO QUE FOI PLANTADO NA SOCIEDADE BRASILEIRA DE FORMA IRRESPONSÁVEL.


O único caminha para que a jovem democracia brasileira se consolide
cada vez mais será o da democratização da mídia.


A partir das manifestações de 2013, a direita brasileira com tendências ao fascismo, que estava escondida sob o manto de um falso pluralismo cultural e multirracial, começou a dar o ar da graça expondo de maneira transparente o preconceito que estava represado sob a justificativa do politicamente correto.

Desde que me entendo por gente, com conhecimento acumulado para um mínimo de assimilação das informações, observo que existe a permanente sensação de que a ausência de preconceitos cultivada no Brasil nas aparências é falsa, principalmente pelas pessoas pertencentes às classes sociais mais abastadas, a classe média alta e as elites. O preconceito de classe sempre esteve incutido em significativa parcela das pessoas, principalmente as que tem algum tipo de poder econômico.

A ascensão social das pessoas que viviam próximas e também na própria miséria a partir de 2003, com a chegada de Lula a Presidência da República, na medida em que foi ficando mais evidente, também foi sendo acompanhada pelas elites brasileiras com cada vez mais resistência, em um processo que foi acontecendo em cadeia a partir dos Estados do Sul e Sudoeste do Brasil, principalmente de São Paulo, tanto no interior como nas Regiões Metropolitanas, como é o caso de Campinas.

Historicamente os principais alvos dessa direita ideológica, que parecia adormecida desde o inicio do governo petista e aliados, sempre foram e continuam sendo os brasileiros mais pobres das periferias dos grandes centros urbanos e os nordestinos, principalmente os afros e índios descendentes, não deixando de incluir nesse cenário os grupos GLS, que a partir do Governo Lula cada vez mais tiveram seus direitos respeitados.

Um fato que passou desapercebido, mas que foi muito emblemático nesse período veio de um artista de renome da música popular brasileira nascido e criado no Nordeste, com origem em uma família abastada e tradicional do Nordeste, quando ele reclamou de não existir mais primeira classe em uma viagem do Nordeste para São Paulo porque foi obrigado a viajar de avião na companhia de “empregadas domésticas” que iam visitar seus parentes.

Isso tudo trouxe à tona o preconceito de classe social traduzido em um inconformismo em relação à ascensão social de milhões de brasileiros, que passaram a ter acesso a bens de consumo que antes não tinham, mas o pior para as elites não foi só isso, foi ver estes mesmos brasileiros terem acesso ao ensino superior em numero cada vez maior. Isto significou um processo de expansão da cidadania plena nunca antes visto no Brasil.

Na medida em que a mídia, pertencente a esta mesma elite aliada politicamente ao PSDB e outros partidos de direita, foi aumentando seu ataque aos governos Lula e depois Dilma, foram sendo cooptando cada vez mais seguidores desta direita na classe média alta, nas elites e até mesmo nas periferias das cidades.

O recrudescimento da crise econômica a partir do segundo semestre da 2015 atingiu o Governo Dilma do primeiro para o inicio do segundo mandato da Presidenta e serviu de motivo para a radicalização das ações de protesto contra o Governo sob o controle dos grupos de direita, principalmente os de tendência fascista. Esse processo se tornou mais agudo porque o Congresso Nacional após a eleição parlamentar de 2014 teve sua composição deslocada ainda mais para o controle de grupos fisiológicos notadamente de direita contrários aos partidos de esquerda.

A crise econômica que mesmo não sendo tão aguda como a que aconteceu no Governo Tucano de FHC, devido a pressão da mídia, tendo a Globo dos Irmãos Marinho à frente, se transformou em uma crise política criada artificialmente com o objetivo de forçar a barra para a cassação do mandato recém conquistado eleitoralmente pela Presidenta Dilma Roussef por uma Câmara dos Deputados comanda por um de seus membros menos confiável e acusado de corrupção, o Deputado Federal Eduardo Cunha, que foi introduzido na política por ninguém menos que Paulo César Faria.

Se realmente se confirmar o recuo dos setores da mídia do objetivo de desestabilizar e cassar o Governo Dilma em golpe tipo paraguaio e também não for uma traição destes grupos tendo a Globo à frente, o que restará será uma multidão de órfãos do golpismo inconformados por terem sido abandonados no meio do caminho. Nesse caso, pergunta que restará será o que fazer com eles?

O monstro fascista, que parecia dormir e que se revelou e se apossou de uma parcela da opinião pública polarizada pelo ódio e o preconceito, não abandonará seus objetivos tão facilmente e rapidamente.

Mesmo mantida a legalidade viveremos sob tensão por um bom tempo ainda.


Flávio Luiz Sartori

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