sábado, 22 de fevereiro de 2014

CAMPINAS: GOVERNO JONAS DONIZETTE QUER ENTERRAR O CARNAVAL, FESTA DO SAMBA SERÁ NAS CERCANIAS DE UM CEMITÉRIO.


Adoniran Barbosa mostrou para o Brasil que São Paulo não era
o "Túmulo do Samba". Aqui em Campinas o Carnaval de 2014
será nas cercanias de um cemitério.


Samba no cemitério? Só se for com humor.


Direto do site Brasil Crítico http://brasilcritico.com.br/

Publicado no Jornal Correio Popular de 22 de Fevereiro de 2014. Página 02.

O NOVO TÚMULO DO SAMBA

Por José Vieira

De todas as medidas atabalhoadas que um governo poderia adotar, infelizmente, coube ao comando da cidade de Campinas/SP se superar pelo ineditismo: realizar desfiles de carnaval na avenida que fica defronte o Cemitério Parque Nossa Senhora da Conceição, também chamado de “Cemitério dos Amarais”, ocasionando a transferência de possíveis velórios a serem realizados no local para o Cemitério da Saudade, já saturado.

É impressionante a falta de planejamento quanto a esse tipo de festejo profano, da mesma forma que causa espécie o desrespeito a um local sagrado, pois assim são considerados os cemitérios desde a primeira Constituição do Brasil, que data de 1824.

Que os mortos não se incomodarão, isso parece evidente. Mas e a áura de respeito e de santidade do local onde os despojos do ser humano são depositados quando sua alma imortal deixa este mundo? É justo que as pessoas sejam submetidas a mais um incômodo em um momento de tristeza, como é a hora da morte, tendo que se deslocar para outro local, distante, a fim de velar seu ente querido? E aqueles que adquiriram jazigos no “cemitério-sambódromo”, serão indenizados caso necessitem usar o espaço e, por falta de planejamento do governo municipal, não possam fazê-lo?

Não se sabe, ainda, a opinião dos sambistas integrantes das escolas que desfilarão, mas a população do entorno já se manifesta com vigor pelo respeito ao local sagrado.

Se a Prefeitura quer realizar eventos, que se mobilize e providencie a construção de um centro de convenções, nos moldes do Anhembi, em São Paulo, de modo que tenhamos também uma passarela do samba com mais segurança e conforto para os munícipes e visitantes. Além de estabelecer um local digno para os desfiles, durante todo o resto do ano seria possível estabelecer uma saudável concorrência com a capital paulista, trazendo para Campinas eventos como a Couro Modas e a Feira do Automóvel, dentre outros.

Conforme anunciado na imprensa, o governo pretende gastar dois milhões de reais para realizar as obras que viabilizarão o uso do novo espaço. Se quem concebeu tal ideia tivesse pensado um pouco mais sobre o assunto, tendo em vista a experiência do ano passado, que já não foi boa, talvez alguma coisa melhor tivesse sido feita.

O improviso em pequena escala às vezes produz bons resultados, mas sempre fugazes. No caso de uma cidade com mais de um milhão de habitantes e com a riqueza que tem, improvisar, num caso como esse, beira o ridículo.

A cidade é grande, possui diversos locais que podem ser utilizados, inclusive com acesso facilitado ao povo, com mais transporte público, e também com mais benefícios para as escolas de samba, que agora terão que deslocar seus carros alegóricos por longa distância, a preços majorados.
Sabemos que muitas pessoas não gostam de carnaval e, se pudessem, o inviabilizariam; mas daí ao ponto do poder público de Campinas  gerir essa festa popular como tem feito, é o mesmo que enterrar as expectativas dos integrantes das escolas de samba da cidade de ter condições de planejar com mais tempo e atenção suas exibições.

Diante disso, até que alguém recobre o juízo e mude o local dos desfiles, em rasgada ironia, pode-se dizer que a cidade conquistará mais um título, a exemplo do apelido maldoso que o Estado de São Paulo já teve anos atrás: o de ser, literalmente, o novo túmulo do samba.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A JORNALISTA E COLUNISTA HILDEGARD ANGEL ALERTA, "NESTE MOMENTO EM QUE UM GOLPE RONDA UM PAÍS VIZINHO, É MEU DEVER DIZER AOS JOVENS O QUE É UM GOLPE DE ESTADO".


A tragédia de um regime ditatorial não ninguém.


Filha da estilista Zuzu Angel e irmã do ex-militante político Stuart Angel Jones,2 Hildegard trabalhou como atriz no teatro, no cinema e na televisão nas décadas de 60 e 70. Dedicou-se ao colunismo social no jornal O Globo, posteriormente, de 2003 a 2010 no Jornal do Brasil, e atualmente tem seu blog no Portal R7.2.

Fundou em 1993 o Instituto Zuzu Angel, entidade sem fins lucrativos dedicada à promoção e à capacitação da moda no Rio de Janeiro, tendo como objetivo principal lembrar a luta de seu irmão, Stuart Angel Jones, e de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, a primeira a propor moda com brasilidade e que teve uma morte considerada suspeita, num acidente de automóvel no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, em abril de 1976.


Direto site http://www.hildegardangel.com.br/

Neste momento extremamente grave em que vemos um golpe militar caminhar célere rumo a um país vizinho, com o noticiário chegando a nós de modo distorcido, utilizando-se de imagens fictícias, exibindo fotos de procissões religiosas em Caracas como se fosse do povo venezuelano revoltoso nas ruas; mostrando vídeos antigos como se atuais fossem; e quando, pelo próprio visual próspero e “coxinha” dos manifestantes, podemos bem avaliar os interesses de sua sofreguidão, que os impedem de respeitar os valores democráticos e esperar nova eleição para mudar o governo que os desagrada, vejo como meu dever abrir a boca e falar.

Dizer a vocês, jovens de 20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.

Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.

Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.

Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem razões…

Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção, caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi o vazio de minha própria cegueira.

Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.

Outro dia, jantei com um casal de leais companheiros dele. Bronzeados, risonhos, felizes. Quando falei do sofrimento que passávamos em casa, na expectativa de saber se Tuti estaria morto ou vivo, se havia corpo ou não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos felizes… Dormíamos de mãos dadas e com o revólver ao lado, e éramos completamente felizes”. E se olharam, um ao outro, completamente felizes.
Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!

A ditadura militar aboletou-se no Brasil, assentada sobre um colchão de mentiras ardilosamente costuradas para iludir a boa fé de uma classe média desinformada, aterrorizada por perversa lavagem cerebral da mídia, que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de fato, hoje se sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana.

Deu-se o golpe! Os jovens universitários liberais e de esquerda não precisavam de motivação mais convincente para reagir. Como armas, tinham sua ideologia, os argumentos, os livros. Foram afugentados do mundo acadêmico, proibidos de estudar, de frequentar as escolas, o saber entrou para o índex nacional engendrado pela prepotência.
As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou partindo de quem, muitas para nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia. Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.

E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a mesma impotência.
Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre “as malas do Golbery” ou “as comissões das turbinas”, “as compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.

E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter, precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições. Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.

Minha família se dilacerou. Meu irmão torturado, morto, corpo não sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de acidente, só desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José Gregory, com a instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no governo Fernando Henrique Cardoso.

Meu pai, quatro infartos e a decepção de saber que ele, estrangeiro, que dedicou vida, esforço e economias a manter um orfanato em Minas, criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o Brasil roubar-lhe o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome homenagens aos seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão, assassinado por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.

Minha irmã, enviada repentinamente para estudar nos Estados Unidos, quando minha mãe teve a informação de que sua sala de aula, no curso de Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos militares, e foi, e os alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no exterior.

Barata tonta, fiquei por aí, vagando feito mariposa, em volta da fosforescência da luz magnífica de minha profissão de colunista social, que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas também uma insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me julgar por ter sobrevivido.

Outra morte dolorida foi a da atriz, minha verdadeira e apaixonada vocação, que, logo após o assassinato de minha mãe, precisei abdicar de ser, apesar de me ter preparado desde a infância para tal e já ter então alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que prosseguir significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.

Hoje, vivo catando os retalhos daquele passado, como acumuladora, sem espaço para tantos papéis, vestidos, rabiscos, memórias, tentando me entender, encontrar, reencontrar e viver apesar de tudo, e promover nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita: lembrar os meus mártires e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país, quer na moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que eu consiga multiplicar.

E ainda há quem me pergunte em quê a Ditadura Militar modificou minha vida!


Hildegard Angel






terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PROFESSOR IGOR FUSER ENFRENTA O ESQUEMA CONSERVADOR DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO NO PROGRAMA “ENTRE ASPAS” DA GLOBO NEWS E MOSTRA O OUTRO LADO DO QUE ESTA ACONTECENDO NA VENEZUELA, OU SEJA, UMA TENTATIVA DE GOLPE COM APOIO DESCARADO DE DIPLOMATAS DOS EUA.


O Professor Igor Fuser não se deixou levar pela
vaidade de ter um momento de glória ao
participar de um programa na Globo News,
preferiu mostrar que tem lado, dignidade
e compromisso com a verdade.

Tudo parecia correr muito bem para Mônica Waldvogel na apresentação do “Entre Aspas” desta noite, 18/02, na Globo News. O tema como não podia deixar de ser era a situação na Venezuela e as manifestações que acontecem naquele pais desde a semana passada.

Logo no início do programa, na apresentação, Mônica Waldvogel já mostrou qual era o roteiro a ser seguido de acordo com a linha conservadora de direita estabelecida por seus patrões da Globo. Veio com tudo anunciando a Venezuela com uma inflação acima de 50%, governo autoritário reprimindo manifestações de rua  em um processo que terminou com uma prisão de um líder oposicionista mártir que teria sido injusta na opinião de Mônica.

Mônica Waldvogel que inclusive já passou por um dos momentos mais constrangedores da história da Gobo News quando tentou defender as ações da PM paulista, da Prefeitura de São José dos Campos e do Governo Alckimin no caso do massacre de Pinheirinho ocorrido em 2012, ao passar por cima de entrevistados tentando impor o ponto de vista da Globo, pensou que hoje tudo aconteceria da mesma forma, mas não foi bem assim.

Logo, a palavra passou para os debatedores, Professor José Augusto Guilhon Albuquerque do Centro de Estudos Avançados da Unicamp e Professor Igor Fuser, Doutor em Ciência Políica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Nesse momento começou a surpresa para Mônica Waldvogel porque Igor Fuser não estava lá para fazer número, estava para expor seus justos e de direito democrático, pontos de vista sobre o que ele logo de cara deixou claro que era sim uma tentativa de golpe na Venezuela liderado por um setor da oposição refratário ao dialogo e ao respeito às regras democráticas vigentes na Venezuela. Não adiantou nada o Professor Guilhon tentar rebater com seu posicionamento conservador nitidamente favorável aos golpistas venezuelanos, professor Igor continuou mostrando de maneira bem clara e  objetiva que a Venezuela é um estado democrático, que tem governantes de oposição eleitos, dentre eles os dois principais líderes da oposição, Leopoldo Lopez ex-prefeito de Chacao e Henrique Capriles, Governador do Estado de Miranda.

E não ficou só nisso. Diante de uma estupefata Mônica Waldvogel o Professor Igor simplesmente desmistificou a ideia de que a Venezuela é um pais em crise social aguda ao mostrar que a maioria da população venezuelana depois da chegada de Chavez ao poder tem tido eleições comprovadamente isentas por órgãos internacionais respeitados, além de ter sua  situação de miserabilidade histórica reduzida em mais de 50%.

Guilhon e Mônica Waldvogel não tiveram como argumentar para repetir o script de sempre da Globo News, aliás Waldvogel, próximo ao final do programa estava visivelmente nervosa e sem saber o que fazer, deveria estar pensando que depois desse programa poderá correr um sério risco de ser substituída por ordem de seu chefe maior, Ali Kamel, principalmente  porque em sua última fala o intrépido Professor Igor Fuser não deixou por menos ao questionar que em quase quinze anos desde de que Hugo Chavez chegou ao poder 1.999 e depois com Maduro na presidência, nunca tinha assistido nenhuma reportagem na Globo sobre coisas positivas que aconteceram na Venezuela, frisando que mesmo que a Venezuela não seja o melhor dos países, não noticiar nada de positivo que tenha acontecido, só coisas negativas, era uma situação impossível de se imaginar que realmente tenha acontecido.

Ao final do "Entre Aspas" certamente de uma coisa podemos ter certeza, esta noite não será muito boa para Mônica Waldvogel. Os fantasmas de Ali Kamel e dos irmãos Marinho não deixarão ela dormir tranquila.


Flávio Luiz Sartori

EM UM EXCELENTE ARTIGO NO BLOG ESCREVINHADOR, RODRIGO VIANA MOSTRA DE MANEIRA BEM CLARA E OBJETIVA COMO A VENEZUELA ESTA SENDO USADA PELOS INTERESSES IMPERIALISTAS DOS EUA PARA CRIAR UM CLIMA DE GOLPISMO NA AMÉRICA LATINA COM O OBJETIVO DE INFLUENCIAR AS ELEIÇÕES DESTE ANO NO BRASIL.



Carmona e os gorilas em 2002: Uma tentativa de golpe
frustrada pelo apoio popular a Chaves que foi
planejada com apoio de empresas de 
comunicação que eram contra o 
Governo Chaves.

São tristes, preocupantes, mas não chegam a surpreender as cenas de violência e confronto aberto na Venezuela. Nos últimos 6 anos, estive lá cinco vezes – sempre na função de jornalista. Há um clima permanente de conflagração.

As TVs privadas, com amplo apoio das classes médias e altas, tentaram dar um golpe em 2002 contra Hugo Chavez (sobre isso, há um documentário excelente – “A Revolução Não Será Televisionada”). Chavez resistiu ao golpe com apoio dos pobres de Caracas – que desceram os morros para apoiá-lo – e de setores legalistas do Exército. Desde então, o chavismo se organizou mais, criou uma rede de TVs públicas para se contrapor ao “terror midiático” (como dizem os chavistas), e se organizou  no PSUV (ainda que o Partido Comunista, também chavista, tenha preferido manter sua autonomia organizacional).


É preciso lembrar que TVs e revistas brasileiras (Globo e Veja) comemoraram o golpe contra Chavez em 2002 – e se deram mal porque ele voltou ao poder 2 dias depois.

Nas ruas de Caracas, ano a ano, só senti o clima piorar. Confronto permanente. Acompanhei na região de Altamira, em Caracas, o ódio da classe média pelos chavistas. Com a câmera ligada, eles não se atrevem a tanto, mas em conversas informais surgiam sempre termos racistas para se referir a Chavez – que tinha feições indígenas, mestiças, num país desde sempre dominado por uma elite (branca) que controlava o petróleo.

O chavismo tinha e tem muitos problemas: dependia excessivamente da figura do “líder”, a gestão do Estado é defeituosa, há problemas concretos (coleta de lixo, segurança etc). Mas mesmo assim o chavismo significou tirar o petróleo das maõs da elite que quebrou o país nos anos 80. Além disso, enfrenta o boicote econômico permanente de uma burguesia que havia se apropriado da PDVSA (a gigante do Petróleo venezuelana).

O chavismo sobreviveu à morte de Chavez. O chavismo, está claro, não é uma “loucura populista” ou uma “invenção castrista” – como querem fazer crer certos comentaristas na imprensa brasileira. O chavismo é o resultado de contradições e lutas concretas do povo venezuelano – lutas que agora seguem sob o comando de Nicolas Maduro, que evidentemente não tem o mesmo carisma do líder original.

Vejo muita gente dizer que o “populismo” chavista quebrou a Venezuela. Esquecem-se que a economia venezuelana cambaleava muito antes de Chavez. Esquecem-se também que o tenente-coronel Hugo Chavez Frias não inventou a multidão nas ruas. A multidão é que inventou Chavez. A multidão precedeu Chavez. Em 89, o governo neoliberal de Andres Perez ameaçou subir as tarifas públicas – seguindo receituário do FMI. O povo foi pra rua, sem nenhuma liderança, no Caracazo (uma rebelião impressionante que tomou as ruas da capital).

O chavismo foi a resposta popular à barbárie liberal, foi uma tentativa de dar forma a essa insatisfação diante do receituário que vinha do Norte. Os responsáveis pela barbárie liberal tentam agora retomar o poder – com apoio dos velhos sócios do Norte. E nada disso surpreende…  

O que assusta é o nível dos comentários sobre a Venezuela nos portais de notícia brasileiros.

Há pouco, eu lia uma postagem do “Opera Mundi” (sítio de esquerda, mas hospedado no UOL). Quem tiver estômago pode conferir as pérolas dos leitores… Resumo abaixo algumas delas:

- “A VENEZUELA SERÁ PALCO DA PRIMEIRA GUERRA CIVIL PLANEJADA PARA A TOMADA DO PODER COMUNISTA NA AMÉRICA LATINA.”

- “O chavismo conseguiu levar a Venezuela à falência. Um país sem papel higiênico e muita lambança comunista para limpar.”

- “Aquele pais virou um verdadeiro lixo, podia ser uma potencia de tanto petroleo que tem, mas o socialismo acabou com tudo. O que sobrou foi uma latrina gigante.”

- “Vai morar na Venezuela então , por mim os venezuelanos tem que matar o maduro.”

- “É fácil quando a eleição é manipulada. Maduro ganhou pq roubou a eleição como foi comprovado.”

Envenenados pela “Veja”, “Globo” e seus colunistas amestrados, esses leitores são incapazes de pensar por conta própria. Repetem chavões anticomunistas, e seriam capazes de implorar pela invasão da Venezuela pelos EUA.

Desconhecem a história da Venezuela pré-Chavez… Não sabem o que é a luta pela integração da América Latina – diariamente combatida pelos Estados Unidos.

Se Maduro sofrer um golpe, se os marines desembarcarem em Caracas, muitos brasileiros vão aplaudir e comemorar. Não são ricos, não são da “elite”. São pobres. Miseráveis, na verdade. Indigentes em formação. Vítimas da maior máquina de desinformação montada no Brasil: o consórcio midiático (Globo/Veja/Folha e sócios minoritários) que Dilma pretende enfrentar na base do “controle remoto”.

A América Latina pode virar, nos próximos anos, mais um laboratório das técnicas de ocupação imperialista adotadas no século XXI. Terror midiático, ataques generalizados à “política”, acompanhados de ações concretas de boicote e medo – sempre que isso for necessário.

Não é à toa que movimentos “anarquistas” e “contra o poder” tenham se espalhado justamente pelos países que de alguma forma se opõem aos interesses dos Estados Unidos.

O imperialismo não explica, claro, todos os problemas de Venezuela, Brasil, Argentina. Temos nossas mazelas, nossa história de desigualdade e iniquidade. Mas o imperialismo explica sim as seguidas tentativas de bloquear o desenvolvimento independente de nossos países.

A morte de Vargas no Brasil em 1954, a derrubada de Jacobo Arbenz na Guatemala no mesmo ano, e depois a sequência de golpes no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile (anos 60 e 70) são exemplos desse bloqueio permanente. Não é “teoria conspiratória”. É a História, comprovada pelos documentos que mostram envolvimento direto da CIA e da Casa Branca nos golpes.

A Venezuela não precisou de golpes. Porque tinha uma elite absolutamente domesticada. Com Chavez, essa história mudou. A vitória de Chavez foi o começo da “virada” na América do Sul.

Os Estados Unidos e seus sócios locais empreendem agora um violento contra-ataque. Na Venezuela, trava-se nas ruas um combate tão importante quanto o que se vai travar nas urnas brasileiras em outubro. Duas batalhas da mesma guerra. E pelo que vemos e lemos por aí, o terror midiático fez seu trabalho de forma eficiente: há milhares de latino-americanos dispostos a trabalhar a favor da “reocupação”, da “recolonização” de nossos países.

Por isso, essa é uma guerra que se trava nas ruas, nas urnas e também nos meio de Comunicação. Uma guerra pelo poder nunca deixa de ser também uma guerra pelos símbolos, uma guerra pela narrativa e pela informação.

A PESQUISA CNT/MDA DIVULGADA HOJE, 18/02, TEM AMOSTRAGEM MUITO PEQUENA. COM DUAS MIL ENTREVISTAS A POSSIBILIDADE DE ERROS É MUITO GRANDE. O TSE PRECISA DE CONSULTORIA TÉCNICA PARA ESTABELECER CRÍTÉRIOS DE CONFIABILIDADE PARA AS PESQUISAS ELEITORAIS.


A pesquisa CNT/MDA de hoje, 18/02, com apenas duas mil entrevistas para 
todo o Brasil esta mais para enquete do que para uma pesquisa.

As pessoas que gostam de política, os estrategistas das campanhas eleitorais e dos meios de comunicação sérios precisam estar atentos a realidade dos fatos e não ficar se deixando levar por informações não confiáveis. Maior exemplo de como não se pode deixar de levar em conta a essência além da aparência esta na pesquisa CNT/MDA divulgada hoje.

Existem dois tipos de pesquisas, as feitas para atender o interesse de quem contrata o serviço de pesquisa e as pesquisas realizadas com o objetivo de buscar a verdade dos fatos com objetivos estratégicos sérios.

A Pesquisa CNT/MDA simplesmente pretende agradar gregos e trioanos, na medida em que mostra a Presidenta Dilma Roussef liderando a corrida presidencial com 43,7% de intenções de votos tendo até crescido mesmo que seja pouco e com números referentes à sua popularidade diminuídos dentro da margem de erro da pesquisa.

Porque isso teria acontecido?

Porque a amostragem da pesquisa de duas mil entrevistas é pequena, digo muito pequena. As entrevistas foram realizadas em 137 municípios. O Brasil tem hoje 5.570 municípios.

Os municípios com população total de até 50 mil habitantes representam um pouco mais de 22% da população brasileira. Com a amostragem de 2000 entrevistas usada pelo MDA, pela lógica os 22% representam um total de 440 pessoas entrevistadas.

Levando em consideração que hoje, de acordo com estimativas do IBGE, o Brasil tem uma população de 202.152.129 habitantes, logo 22% desse total seriam 44.473.468 de brasileiros. Obviamente que 440 entrevistas, em hipótese alguma refletem esta parcela de 22% da população brasileira. Nesse caso as distorções de resultados não são somente de dois ou três por cento que é margem de erros que as empresas estabelecem para estas pesquisas, são maiores e podem chegar a 5 pontos.

Conclusão lógica e realista, é obvio e evidente que esta pesquisa CNT/MDA não pode ser parâmetro para uma análise realista. Ela serve apenas para alimentar a necessidade de que fatos sejam criados para alimentar a mídia com viés para desacreditar o Governo Dilma.

Quem quiser ter acesso a realidade para uma leitura séria deve buscar pesquisas mais sérias e consistentes.


Flávio Luiz Sartori


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

ATENÇÃO TUCANOS E CIA, GILMAR MENDES, IRMÃOS MARINHO. O ATOR JOSÉ DE ABREU AVISA QUE DOOU MIL REAIS PARA PAGAR A MULTA DO MENSALÃO DE SEU AMIGO JOSÉ DIRCEU. ENTENDERAM? É ASSIM QUE FUNCIONA UMA "VAQUINHA". SIMPLES NÃO TEM SEGREDO É TUDO TRANSPARENTE...


O ator José de Abreu nunca escondeu seu lado político.
Se os irmãos Marinho quiserem ele na Globo em suas
produções tem que aceitar seu lado político e ponto final.



Direto do "O Globo":

Amigo de Dirceu, José de Abreu doou R$ 1 mil para ajudar ex-ministro a pagar multa do mensalão.

Ator da TV Globo criticou o presidente do STF, Joaquim Barbosa: ‘fez tudo sozinho, atropelou colegas’

RIO - No ar com a novela das seis “Jóia Rara”, da TV Globo, o ator José de Abreu está na lista de doadores do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo do mensalão. Abreu contribui com R$ 1 mil para ajudar a pagar a multa de R$ 971.128,92 determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em apenas quatro dias, a campanha na internet a favor de Dirceu arrecadou R$ 334.070,97. Para o ator, a iniciativa dos petistas é “legítima”. Os dois são amigos desde 1967, quando se conheceram na faculdade de Direito, em São Paulo.

- (Doei) para dividir a pena com ele (Dirceu). Não concordo com esse julgamento (do mensalão). Foi um ponto fora da curva. Totalmente político - afirma o ator, em entrevista ao GLOBO.

José de Abreu faz críticas ao presidente do STF, Joaquim Barbosa:


- O Joaquim foi tudo: acusador, juiz. Fez tudo sozinho. Discutiu, atropelou colegas, muitas vezes o (ministro Ricardo) Lewandowski. Ele agora está aí: não prende o (ex-deputado Roberto) Jefferson. Sem dúvidas foi um julgamento extremamente midiático.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

NA REALIDADE, OS IRMÃOS MARINHO DA REDE GLOBO SÃO OS MAIS INCOMODADOS COM O SUCESSO DAS CAMPANHAS DE ARREDAÇÃO DE RECURSOS PARA PAGAMENTO DAS MULTAS DOS PETISTAS CONDENADOS PELO MENSALÃO. PORQUE????


Todos os dias os irmãos Marinho se camuflam
na condição de proprietários da Globo e
por debaixo dos panos ordenam para seus
apaniguados os ataques covardes ao
PT, Lula, Dilma e aliados.

Na política existe uma regra que é imutável, ninguém chuta “cachorro morto”.

Por isso nos embates políticos públicos, que geralmente acontecem na mídia brasileira é o Partido da Imprensa Golpista, o PIG, principalmente a Rede Globo dos irmãos Marinho é quem dá o tom do ritmo sob o ponto de vista da oposição, sempre contra o Governo Dilma e as forças políticas que o apoiam.

Desde o primeiro momento, nas primeiras arrecadações para pagamento das multas dos condenados pelo mensalão, se lembrarmos bem e com detalhes, os mais incomodados sempre foram os irmãos Marinho e porque?

Elementar meus caros. Nunca se viu no Brasil tamanha capacidade de mobilização com resultados positivos de arrecadação de recursos financeiros por uma causa política contra uma injustiça. A militância do PT mostrou ao Brasil que pode se mobilizar por outras causas, além da disputa eleitoral, como por exemplo, uma campanha contra a Rede Globo, tipo “TIRA DA GLOBO”, com adesivos nos carros dentre outras coisas.

Não sem justificativa, logo nos primeiros resultados positivos da campanha de arrecadação para José Genoino coube a ninguém menos que o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aquele que lutou desesperadamente contra a aprovação da MP dos portos no ano passado, a tarefa de iniciar o bombardeio contra a iniciativa dos militantes e simpatizantes do PT, na seqüência todo o PIG entrou no debate para tentar desmoralizar a iniciativa.

Como ficou claro que as campanhas de arrecadação iriam continuar e que a maioria da opinião da pública não estava dando a mínima para as “lágrimas de crocodilo” do PIG, logo foi acionado aquele que é sempre a ultima bala de prata dos irmãos Marinho, Gilmar Mendes, que foi colocado no Supremo Tribunal Federal pelas mãos de FHC exatamente para cumprir a missão de ser o eterno trololó da direita sempre que ela precisar, isso dentre outras “missões importantes”, como por exemplo, livrar a cara do Daniel Dantas e do médico Roger Abdelmassih, acusado de ter estuprado, REPITO ESTUPRADO, 37 mulheres e que fugiu do Brasil com ajuda de Gilmar Mendes, como aliás todos nós sabemos.

Como já explicamos aqui neste blog, a Globo News não só um canal de informação da TV paga é sim, um instrumento de manipulação ideológico a serviço da direita e dos interesses contrários ao governo Lula até 2010 e agora também contra o Governo Dilma Roussef. Para isso a Globo News conta com jornalistas operadores a serviço de seus patrões, os irmãos Marinho, os verdadeiros líderes camuflados da oposição no Brasil.

Esses jornalistas são figuras que se apresentam todas as noites com ar de seriedade, como por exemplo, o repórter Gerson Camorotti, que na realidade não cumpre o papel de jornalistas. Camarotti todos os dias percorre os gabinetes do Senado e da Câmara dos Deputados apenas e tão somente para criar falsas notícias de crise política do Governo Dilma. Nos últimos dias Gerson Camarotti está escalado para repercutir a fala amedrontada e gaguejante de um assustado e acuado Gilmar Mendes contra a campanha de arrecadação dos petistas para pagamento das multas do mensalão.


Conclusão.

Gerson Camarotti, Gilmar Mendes e até mesmo o insosso Eduardo Cunha, são apenas e tão somente figuras que se prestam o papel de serem manipulados para o cumprirem o papel de tentativa de desqualificação da surpreendente e vitoriosa campanha de mobilização de militantes e simpatizantes do PT na arrecadação de recursos financeiros para pagamento das multas, uma ação que é comum em paises, como por exemplo, nos EUA, como pudemos constatar nas campanhas presidenciais naquele país, principalmente na eleição e reeleição de Barak Obama.


Quando Gerson Camarotti com sua fala mansa, que lembra a fala de um padre aconselhando um fiel, insinua que existem setores do PT incomodados com as campanhas de arrecadação, o que é uma mentira, na realidade demonstra que o desespero agressivo inicial dos irmãos Marinho esta se transformando em uma angustia, própria daqueles que diante da adversidade já não pode fazer mais nada, apenas choramingar...


Flávio Luiz Sartori