sábado, 18 de janeiro de 2014

MARCOS COIMBRA, PRESIDENTE DO VOX POPULI, UM DOS PRINCIPAIS INSTITUTOS DE PESQUISA DO BRASIL, MOSTRA O PANORAMA PARA A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DESTE ANO VISTO A PARTIR DO ATUAL MOMENTO.


Marcos Coimbra pode tranquilamente ser considerado
como o mais sério, confiável e competente profissional
de pesquisa do Brasil. Suas pesquisas e análises são 
isentas e sempre realistas.

O Panorama (eleitoral) visto de janeiro. 
Por Marcos Coimbra direto da Carta Capital.

Desde o fim da ditadura, em todas as eleições que fizemos, as pesquisas disponíveis em janeiro conseguiram antecipar o que as urnas mostraram.
Em três, os favoritos no início do ano eleitoral terminaram vencendo. Em janeiro de 1998, Fernando Henrique Cardoso liderava e nenhum adversário apresentava  fôlego para derrotá-lo. Lula chegou a quase empatar nas pesquisas de junho, mas a vantagem do tucano prevaleceu.

Nas duas oportunidades em que Lula teve sucesso, a mesma coisa: em janeiro de 2002, obtinha índices parecidos à votação que recebeu no primeiro turno. José Serra, Anthony Garotinho e Ciro Gomes, cada um de sua vez, cresceram, mas nenhum se firmou. Quatro anos mais tarde, algo semelhante. De janeiro de 2006 para a frente, o petista nunca perdeu a dianteira.
Em 1989, 1994 e 2010 o líder de janeiro não venceu. Mas, adequadamente interpretadas, as pesquisas identificaram o que acabou acontecendo. A eleição mais difícil de prever foi a primeira. Ninguém apostava na vitória de Fernando Collor.

Era, no entanto, uma hipótese admissível. O desejo de renovação do eleitorado, sua disposição para o risco, a rejeição ao governo José Sarney, tudo se conjugava para torná-la possível. Feitas em maio de 1988 e janeiro de 1989, pesquisas da Vox Populi indicavam que quase 40% do eleitorado queria votar em “um candidato novo, desvinculado dos partidos tradicionais”. Collor surgiu como oferta para aquela procura.
Em 1994, o fraco desempenho de Fernando Henrique nas pesquisas de janeiro só enganava quem desconhecia a formidável armação em curso. Nada menos que um plano anti-inflacionário havia sido sincronizado com o calendário eleitoral, de forma a turbinar a candidatura do ministro da Fazenda que por ele era responsável.(E ainda há quem, na oposição hoje, se diga “indignado” quando, por exemplo, o governo Dilma Rousseff anuncia, para 2014, metas mais ambiciosas para programas como o Minha Casa Minha Vida, achando que é “intervenção” do governo na eleição. Quem viu o tamanho da “intervenção” que foi o Plano Real só pode achar cômica a acusação.)

Quanto a 2010, a vantagem que Serra apresentava em janeiro tinha a consistência de uma quimera, na qual talvez apenas seus amigos na “grande imprensa” acreditavam. Qualquer um medianamente versado na análise de pesquisas percebia que Dilma seria eleita.

Assim, em todas nossas eleições modernas, seja quando apontaram o nome do vencedor, seja quando deixaram claros os sentimentos com que o eleitorado estava indo para as urnas, as pesquisas feitas a distância em que estamos da eleição foram capazes de mostrar o que terminou por ocorrer.

Há alguma razão para imaginar que, em 2014, será diferente? Considerando o cenário provável (em que enfrentaria Aécio Neves, pelo PSDB, e Eduardo Campos, pelo PSB) Dilma tem, nas pesquisas recentes, mais vantagem que Fernando Henrique em 1998 e Lula em 2002 e 2006, em momento semelhante. Seus 42% superam os 35% do tucano e os 30 e poucos pontos porcentuais de Lula em janeiro daqueles anos (dados do Datafolha e do Ibope).
Ou seja: se repetirmos, este ano, o padrão daquelas eleições (das quais duas de reeleição), ela deve ser considerada favorita absoluta.
Poderíamos, ao contrário, ter algo análogo às eleições de 1989, 1994 e 2010?

Nada indica que exista hoje um sentimento parecido àquele da primeira. O eleitor brasileiro típico não aceita aventurar-se na procura de mudanças vagas e calcula que tem muito a perder se acreditar na conversa de candidatos que mal sabem quem são. Um “novo Collor” é, a bem dizer, impossível.

Existe, nas oposições, alguém que possa ser um “novo Fernando Henrique”? Têm elas instrumentos para voltar a fabricar um personagem como aquele de 1994? Fora do governo, é certo que não.
Caberia pensar em uma “nova Dilma”, um nome de desempenho modesto nas pesquisas atuais, mas apoiado por uma liderança do calibre de Lula, capaz de superar qualquer adversário?

Não. O que Aécio enfrenta são problemas com seus correligionários. Eduardo Campos conta, no máximo, com o endosso de Marina Silva, que, comparada a Lula, é uma força miúda.


Sempre é possível que o inesperado aconteça. Mas o provável é que as pesquisas de agora sejam confirmadas em outubro, como nas eleições anteriores.


Considero Marcos Coimbra um mestre e meu "gurú" entre os pesquisadores.

Flávio Luiz Sartori

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

AO ATACAR KASSAB O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA APENAS “PASSOU RECIBO” DE SUA PRÓPRIA FRAGILIDADE COMO FORMADOR DE OPINIÃO, ASSIM COMO TAMBÉM DO SEGMENTO POLÍTICO QUE APOIA, OU SEJA, O PSDB DE SÃO PAULO E ALIADOS.


O comportamento de parte da mídia leva a óbvia conclusão
de que não são sérios e confiáveis e, a cada dia que passa,  
cada vez mais setores da sociedade se 
conscientizam sobre isso.

Na ultima quarta feira, 16/01, uma das principais notícias do dia foi o anuncio oficial pelo ex prefeito de São Paulo Gilberto Kassab de que será candidato ao Governo de São Paulo nas eleições deste ano. A noite o Jornal Nacional da Rede Globo partiu para o ataque com uma denuncia contra Kassab baseada em um depoimento de uma testemunha. Ontem, sexta feira, tanto a Folha quanto o Estadão acompanharam a Globo e também estamparam manchetes da acusação contra Kassab.

A rapidez em que foi articulado o ataque a Kassab e ainda mais a mobilização dos principais expoentes do Partido da Imprensa Golpista, o PIG, contra um ex aliado do PSDB chama a atenção exatamente porque força a leitura de que Kassab mesmo sendo apenas um pré candidato, na realidade representa sim um perigo ao continuísmo do PSDB no poder aqui em São Paulo depois das eleições deste ano. Não fosse Kassab, pelo simbolismo que representa a figura de um ex prefeito de São Paulo, um adversário com forte potencial e muito provavelmente o PIG jamais teria literalmente "passado recibo" de fragilidade, como, aliás passou ao partir para o ataque tão apressadamente.

Mesmo diante de uma leitura de que a candidatura Kassab representaria o fortalecimento da possibilidade da eleição para o Governo de São Paulo ter um segundo turno disputadíssimo, o certo seria que não se "queimasse cartuchos" com um ataque a Kassab tão rápido e tão desnecessário de forma tão precoce, isso apenas mostrou o quanto a articulação para a reeleição de Geraldo Alkimin está enfraquecida, ainda diante da grande possibilidade de não ter o PSB de Eduardo Campos, apesar do esforço da cúpula do PSB de São Paulo em favor do PSDB.

Nesse cenário, um outro detalhe precisa ser levado em conta, se as pesquisas, principalmente do Datafolha, apontaram que Geraldo Alkimin teria mais de 40% de intenções de votos e aprovação de seu governo, logicamente que seria um candidato forte, que não precisaria se preocupar com Gilberto Kassab a esta altura do campeonato.

A verdade é dura e pelo que se constata ja começa a bater na porta do PSDB e aliados com muita intensidade. Pesquisas fajutas combinadas com a influencia de uma rede empresas de comunicação em todo Estado de São Paulo, que sempre foram o forte da sustentação política dos tucanos de São Paulo tendo como principais expoentes a Folha, o Estadão e a Rede Globo dos irmãos Marinho, não esquecendo a Veja (Óia la em Piracicaba), não terão o mesmo peso agora em 2014 que tiveram nas eleições passadas.

Dessa vez o ataque à Kassab não simplesmente contra seu projeto político, foi contra todo um segmento social formado por empresários ligados, principalmente ao comércio, onde aliás Kassab tem muito apoio. 

Isso serve de alerta para este importante setor do empresariado brasileiro, que este sistema onde predomina a ditadura midiática de umas poucas empresas aliadas historicamente sempre a mesmos partidos políticos não combina com a democracia plena, principalmente porque a qualquer momento pode se tornar um instrumento de injustiça a serviço de um setor da classe política que não aceitando a perda de espaço e poder, pode sim lançar mão de atitudes irracionais.

Para boa reflexão sobre o tema sugiro um filme, que tal, Cidadão Kane???


Flávio Luiz Sartori



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ESTA FICANDO DIFÍCIL SER REPÓRTER DA GLOBO E TER QUE COBRIR PROGRAMAS COMO BBB QUE O POVO ESTA CADA VEZ MAIS REPUDIANDO. OBSERVEM O QUE ACONTECEU QUANDO UM CIDADÃO DISSE A VERDADE SOBRE O QUE ACHA DA PROGRAMAÇÃO DA GLOBO...


E ai como fica? Cadê a verdadeira opinião pública?

Pra falar verdade até que este cidadão, que o repórter da Globo tentou tirar dele uma opinião favorável ao BBB, foi educado demais.

A "saia justa" foi muito emblemática, não restou outra alternativa ao repórter da Globo senão censurar.

Que bom que a internet democratizou a mídia, a dez anos, mesmo com a internet ja no nosso dia a dia, isso seria impensável.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

DIRETO DO BLOG DO MIRO, O DESESPERO DA GLOBO PARA MANTER AUDIÊNCIA ESTA FICANDO CADA VEZ MAIS EVIDENTE E NÃO DÁ PARA ESCONDER.


Apesar de alguns picos, que de audiência do Jornal Nacional é irreversível.


A “GUERRILHA” DA TV GLOBO POR AUDIÊNCIA

Por Altamiro Borges

O jornalista Daniel Castro observou nesta semana no seu antenado sítio Notícias da TV que “a Globo não é mais a mesma. No último domingo, a emissora permaneceu durante uma hora e 54 minutos sem intervalos comerciais, em pleno horário nobre. Ela lançou mão de uma estratégia de programação que sempre criticou na Record e SBT, por privilegiar a audiência. Depois de um bloco de quatro minutos de comerciais no Domingão do Faustão, a Globo ficou sem intervalos das 19h20 até as 21h14. Foram uma hora e 25 minutos de Domingão do Faustão e 29 minutos de Fantástico sem ir para o break... O que a Globo fez é chamado de estratégia de guerrilha”.

Ainda segundo o jornalista, “a emissora fez um intervalo comercial exatamente no momento em que a Record trocava O Melhor do Brasil pelo Domingo Espetacular, sua maior audiência atualmente, e só voltou a ter break quase uma hora e meia depois. Assim, fez tudo o que podia para manter seu telespectador longe do controle remoto. Funcionou. O Domingo Espetacular perdeu um ponto em sua média (deu 9 na Grande São Paulo). Fontes da Globo negam que tenha sido uma estratégia de programação para combater a Record. Dizem que o Domingão do Faustão já estava gravado desde dezembro com a ‘paginação’ levada ao ar. E que o longo tempo sem intervalo foi uma coincidência”.

A desculpa das “fontes” da emissora, porém, não convence. Várias estatísticas confirmam que a TV Globo está em franco declínio. O tradicional e envelhecido “Fantástico” já perdeu há muito tempo a sua condição de líder incontestável das tardes de domingo. Já o Jornal Nacional teve a pior audiência da sua história em 2013. Nos últimos dois anos, o principal programa jornalístico da emissora registrou perdas anuais de 10%. Na última década, o afastamento dos telespectadores do JN é ainda mais drástico. O telejornal perdeu quase 30% da sua audiência.

As novelas e outros entretenimentos também estão em baixa. Como registrou Keila Jimenez, da Folha, a emissora não terá saudades de 2013. “De 1º de janeiro a 26 de dezembro, a média diária (das 7h à meia-noite) da TV Globo na Grande São Paulo foi de 14,3 pontos. Em 2012, a rede marcou 14,7 pontos. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo”. É o pior índice já registrado pela poderosa rede durante um ano. O uso de “estratégias de guerrilha” visa exatamente estancar este sangramento, que pode afetar os seus bilionários recursos em publicidade!


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

BRINCADEIRA TEM HORA: CACIQUES DO PMDB E EDUARDO CUNHA FINGEM QUE AINDA NÃO COMPREENDERAM A NOVA REALIDADE DO BRASIL E CONTINUAM PENSANDO SÓ EM SEUS INTERESSES. O POVO E O PRÓPRIO PMDB QUE SE DANEM.


Enquanto não mudar sua prática política, 
essa será a imagem que o PMDB
vai passar para os eleitores.

Se o PMDB sair da base do Governo Dilma vai fazer o que?

O PSB de Eduardo Campos associado a Marina Silva do Rede até pode pensar em uma aliança, isso nos pensamentos mais secretos do atual governador de Pernambuco, mas se a opção é ser a terceira via isso não é possível com a companhia do PMDB hoje. Para o PSB seria a mesma coisa que a atual tentativa de se aliar com o PSDB de Geraldo Alkimim em São Paulo, ou seja, espanta votos.

Pode ir com o Aécio, mas como reagiria o eleitorado diante de uma guinada como essa?

Em meio ao questionamento diante do comportamento fisiológico da classe política, a maioria dos eleitores brasileiros, que já tem o PMDB como um partido com tendências ao fisiologismo, não deixaria de associar a saída do PMDB da base do Governo Dilma com uma disputa por cargo. Assim Aécio correria o risco de ganhar minutos na televisão e perder capacidade de crescimento.

Por fim restaria ao PMDB a tentativa de lançar um candidato próprio a presidência, mas quem? Por maior exercício de investigação que seja feito, sinceramente, não tem ninguém no PMDB para esta tarefa.

Os caciques do PMDB deveriam fazer autocrítica de suas práticas políticas sempre distantes dos eleitores, salvo raras exceções, como por exemplo, o Senador Pedro Simon.

Os dirigentes do PMDB e principalmente seu líder na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ainda não compreenderam com profundidade o novo momento na política brasileira, continuam achando que os eleitores tem memória curta e que podem ser manipulados pela prática do fisiologismo nas campanhas eleitorais e por truques de mídia.

Mesmo se continuar na base do Governo Dilma e manter o Vice Presidente na chapa, o PMDB terá muitas dificuldades para manter o seu atual espaço no cenário político nacional e, só não sairá muito pior devido a aliança com as forças políticas que apóiam o atual governo.


O momento atual para o PMDB não é para brincadeira e delírios, é para leitura política e elaboração de estratégias que levem em conta esse novo Brasil que esta surgindo de uma realidade com cada vez menos desigualdade social.


Flávio Luiz Sartori

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DEPOIS DOS "ROLEZINHOS" DESTE FINAL DE SEMANA, UM MOMENTO DE REFLEXÃO DIRETO DO BLOG DO EMIR SADER VIA CARTA CAPITAL: OS SHOPPING-CENTERS, UMA UTOPIA NEO LIBERAL ONDE QUASE JA SE PODE NASCER E MORRER, SÓ FALTAM A MATERNIDADE E O CEMITÉRIO PORQUE HOTÉIS JA EXISTEM.


Em meio a selva de pedra cercada pelas periferias que lutam
contra a miséria os shopping-centers pairam com
que se fossem utopias realizadas.

Na sua fase neoliberal, o capitalismo implementa, como nunca na sua história, a mercantilização de todos os espaços sociais. Se disseminam os chamados não-lugares – como os aeroportos, os hotéis, os shopping-centers -, homogeneizados pela globalização, sem espaço nem tempo, similares por todo o mundo.

Os shopping-centers representam a centralidade da esfera mercantil em detrimento da esfera pública, nos espaços urbanos. Para a esfera mercantil, o fundamental é o consumidor e o mercado. Para a esfera pública, é o cidadão e os direitos.

Os shoppings-centers representam a ofensiva avassaladora contra os espaços públicos nas cidades, são o contraponto das praças públicas. São cápsulas espaciais condicionadas pela estética do mercado, segundo a definição de Beatriz Sarlo. Um processo que igualiza a todos os shopping-centers, de São Paulo a Dubai, de Los Angeles a Buenos Aires, da Cidade do México à Cidade do Cabo. 
    
A instalação de um shopping redesenha o território urbano, redefinindo, do ponto de vista de classe, as zonas onde se concentra cada classe social. O centro – onde todas as classes circulavam – se deteriora, enquanto cada classe social se atrincheira nos seus bairros, com claras distinções de classe 

Os shopping, como exemplos de não-lugares, são espaços que buscam fazer com que desapareçam o tempo e o espaço – sem relógio e sem janelas - , em que desaparecem a cidade em que estão inseridos, o pais, o povo. A conexão é com as marcas globalizadas que povoam os shopping-centers de outros lugares do mundo. Desaparecem os produtos locais – gastronomia, artesanato -, substituídos pelas marcas globais, as mesmas em todos os shoppings, liquidando as diferenças, as particularidades de cada pais e de cada povo, achatando as formas de consumo e de vida.

O shopping pretende substituir à própria cidade. Termina levando ao fechamento dos cinemas tradicionais das praças publicas, substituídos pelas dezenas de salas dos shoppings, que promovem a programação homogênea das grandes cadeias de distribuição. 

O shopping não pode controlar a entrada das pessoas, mas como que por milagre, só estão aí os que tem poder aquisitivo, os mendigos, os pobres, estão ausentes. Há um filtro, muitas vezes invisível, constrangedor, outras vezes explicito, para que só entrem os  consumidores.

Nos anos 1980 foi organizado um passeio de moradores de favelas no Rio de Janeiro a um shopping da zona sul da cidade. Saíram vários ônibus, com gente que nunca tinham entrado num shopping.

As senhoras, com seus filhos, sentavam-se nas lojas de sapatos e se punham a experimentar vários modelos, vários tamanhos, para ela e para todos os seus filhos, diante do olhar constrangido dos empregados, que sabiam que eles não comprariam aqueles sapatos, até pelos seus preços. Mas não podiam impedir que eles entrassem e experimentassem as mercadoras oferecidas.

Criou-se um pânico no shopping, os gerentes não sabiam o que fazer, não podiam impedir o ingresso daquelas pessoas, porque o shopping teoricamente é um espaço público, aberto, nem podiam botá-los pra fora. Tocava-se ali no nervo central do shopping – espaço público privatizado, porque mercantilizado.

O shopping-center é a utopia do neoliberalismo, um espaço em que tudo é mercadoria, tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra. Interessa aos shoppings os consumidores, desaparecem, junto com os espaços púbicos, os cidadãos. Os outros só interessam enquanto produtores de mercadorias. Ao shopping interessam os consumidores.

Em um shopping chique da zona sul do Rio, uma vez, uns seguranças viram um menino negro. Correram abordá-lo, sem dúvida com a disposição de botá-lo pra fora daquele templo do consumo. Quando a babá disse que ela era filho adotivo do Caetano Veloso, diante do constrangimento geral dos seguranças.

A insegurança nas cidades, o mau tempo, a contaminação, o trânsito,  encontra refúgio nessa cápsula, que nos abriga de todos os riscos. Quase já se pode nascer e morrer num shopping – só faltam a maternidade e o cemitério, porque hotéis já existem. A utopia – sem pobres, sem ruídos, sem calçadas esburacadas, sem meninos pobres vendendo chicletes nas esquinas ou pedindo esmolas, sem trombadinhas, sem flanelinhas.  O mundo do consumo, reservado para poucos, é o reino absoluto do mercado, que determina tudo, não apenas quem tem direito de acesso, mas a distribuição das lojas, os espaços obrigatórios para que se possa circular, tudo comandado pelo consumo.

Como toda utopia capitalista, reservada para poucos, porque basta o consumo de 20% da população para dar vazão às mercadorias e os serviços disponíveis e alimentar a reprodução do capital.

Mas para que essas cápsulas ideais existam, é necessário a super exploração dos trabalhadores – crianças, adultos, idosos – nas oficinas clandestinas com trabalhadores paraguaios e bolivianos em São Paulo e em Buenos Aires, em Bangladesh e na Indonésia, que produzem para que as grandes marcas exibam as roupas e os tênis luxuosos em suas esplendorosas lojas dos shoppings.

O choque entre os mundo dos shoppings e o dos espaços públicos remanescentes – praças, espaços culturais, os CEUS de São Paulo, os clubes esportivos públicos – é a luta entre a esfera mercantil e a esfera pública, entre  o mundo dos consumidores e o mundo dos cidadãos, entre o reino do mercado e a esfera da cidadania, entre o poder de consumo e o direito de todos. 

É um enfrentamento que está no centro do enfrentamento entre o neoliberalismo e o posneoliberalismo, entre a forma extrema que assume o capitalismo contemporâneo e a formas de sociabilidade solidaria das sociedades que assumem a responsabilidade de construir um mundo menos desigual, mais humano.

domingo, 12 de janeiro de 2014

LINDO, MARAVILHOSO, PENA QUE EU NÃO ESTAVA LÁ. MANIFESTAÇÃO CONTRA O RACISMO NO SHOPPING PÁTIO HIGIENÓPOLIS EM SÃO PAULO, ONTEM, EM PLENO SÁBADO. PRA PESSOAS APRENDEREM UM POUCO DA VERDADEIRA HISTÓRIA DO BRASIL QUE A GLOBO, A FOLHA, O ESTADÃO E A VEJA DENTRE OUTROS NÃO CONTAM..



Não é para afrontar as pessoas, apenas uma forma de mostrar o outro
 lado do Brasil que a maioria das pessoas que vão aos shoppings 
center não querem ver porque as Rede Globos da vida não
deixam. Não era arrastão, era conscientização.

"Por menos que conte a história. Não te esqueço meu povo. Se Palmares não existe mais. Faremos Palmares de novo."



ACORDEM SOMOS MUITO MAIORES QUE UM SHOPPING CENTER, SOMOS UM PAIS INTEIRO QUERENDO CIDADANIA PLENA...

Flávio