sábado, 9 de novembro de 2013

JUSTIÇA À BRASILEIRA: MORADOR DE RUA ESTA PRESO DESDE AS MANIFESTAÇÕES DE RUA DE JUNHO APENAS PORQUE CARREGAVA FRASCOS COM ÁGUA SANITÁRIA E "PINHO SOL".

Os moradores de rua vivem à margem da cidadania, são
marginalizados a todo momento e seus direitos de cidadãos
são sempre ignorados, inclusive pela justiça.

Em 2007 gerenciei a Pesquisa Censo do Ministério do Desenvolvimento Social realizada nos maiores municípios do Brasil em Campinas com os moradores de rua. Um fato que nunca esqueço é que trabalhei com uma equipe de mais de trinta pessoas, a maioria delas mulheres, isso durante praticamente uma semana e não aconteceu nenhum ato violento por parte dos mais de mil moradores de rua que foram abordados em Campinas durante as entrevistas.

Temos preconceito contra os moradores de rua, não são bandidos, se fossem não seriam moradores de rua, estariam sobrevivendo do crime. Moradores de rua não fazem mal a ninguém. 

O morador de rua Rafael Vieira, que esta preso por portar frascos com produtos de limpeza apenas deve ter entrado no embalo da movimentação das manifestações e nada mais.

A argumentação do Ministério Público carioca para manter Rafael preso chega a ser cômica: “Não haveria motivo para o denunciado retirar do interior da loja abandonada duas garrafas intactas de material incendiário, levando-as para o meio da multidão que realizava protesto contra o governo. Conhecendo-se a violência que campeou nos recentes protestos realizados na cidade do Rio de Janeiro, é evidente que o réu pretendia fazer uso nocivo dos frascos incendiários.”

Flávio

Direto da Carta Capital:

Morador de rua está preso desde junho por carregar Pinho Sol e água sanitária. Sem ser julgado, Rafael Vieira está em penitenciária por levar frascos na manifestação do dia vinte de junho no centro do Rio de Janeiro.
 
por Piero Locatelli publicado 08/11/2013 08:42, última modificação 08/11/2013 12:21 
 
Rafael Vieira foi preso porque carregava um frasco de desinfetante Pinho Sol e outro de água sanitária no dia 20 de junho. Vieira foi detido ao sair de uma loja abandonada no centro do Rio de Janeiro, que estava com suas portas arrombadas antes da sua chegada. Ele foi visto com os dois frascos que, segundo o depoimento dos policiais, eram “artefatos semelhante ao coquetel molotov”. Por isso, segue no complexo presidiário de Japeri, município na região metropolitana do Rio, quase cinco meses após ser levado.

Os protestos tinham se multiplicado pelo país na semana da prisão de Vieira. Depois de uma noite de dura repressão em São Paulo, na quinta-feira anterior, as manifestações se massificaram e ganharam o apoio até da grande imprensa, que antes pedia "ação contundente" contra quem "atrapalhava o trânsito" nas cidades. Era uma “grande festa” pelo país, onde, na percepção da imprensa, a polícia não cometia mais abusos e mais de um milhão de pessoas foram às ruas em todo o país. No Rio, quatro foram presos naquela noite por furto qualificado e soltos posteriormente. Negro, morador de rua e catador de latinhas, Vieira não teve a mesma sorte. Com 26 anos de idade, ele já havia sido preso duas vezes por roubo, em 2006 e 2008, e cumpriu as penas completas.

Vieira disse, em seu depoimento, que vivia há um mês na loja abandonada em frente à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). Ele argumenta que retirou os dois frascos pois eles estavam no espaço onde dormia. O laudo do esquadrão antibomba da Polícia Civil atestou que Vieira carregava produtos de limpeza. “[As substâncias têm] ínfima possibilidade de funcionar como coquetel molotov,” dizia o laudo feito pouco mais de um mês após a detenção. Mesmo assim, o Ministério Público seguiu entendimento de que se tratava de “material incendiário” e o enquadrou no inciso III do artigo 16 do estatuto do desarmamento, que proíbe carregar ou usar “artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar.”

A culpa dele surge “de maneira cristalina” segundo o Ministério Público. “Não haveria motivo para o denunciado retirar do interior da loja abandonada duas garrafas intactas de material incendiário, levando-as para o meio da multidão que realizava protesto contra o governo. Conhecendo-se a violência que campeou nos recentes protestos realizados na cidade do Rio de Janeiro, é evidente que o réu pretendia fazer uso nocivo dos frascos incendiários.”

Segundo a defesa, não havia panos na boca das garrafas (como de costume nas bombas incendiárias), ao contrário do escrito no laudo, e os recipientes de plástico jamais serviriam como molotov, já que não se estilhaçam ao quebrar no chão (argumento que também consta no laudo). O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte acatou a sugestão do Ministério Público, no dia 28 de setembro, e manteve a prisão cautelar. Com a sua liberdade cerceada, Vieira segue sem previsão de julgamento.

Na defesa de Rafael, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro resumia a situação: “andar com produtos de limpeza nunca foi e nunca será crime, sob pena de inviabilizar a vida moderna. Se esta linha prosperar, podemos dizer que portar canetas é crime de perigo, pois uma pode levar a morte se inserida em determinada parte do corpo humano. Impossível.”

 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PREFEITO FERNANDO HADDAD ENFRENTA O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA EM SÃO PAULO: "NÃO PODEMOS TER UMA SOCIEDADE MONOLÍTICA EM QUE SÓ ALGUNS FALAM".



 Só existe uma maneira de enfrentar o terrorismo
do PIG, ir ao povo e denunciar a manipulação.


Realmente, mesmo não sendo paulistano, deu orgulho de Fernando Haddad.

A muito tempo o PIG manipula informações e cria terrorismo para favorecer a elite que ele representa.
Esse papel de vilão aqui em São Paulo cabe a Folha de São Paulo, Estadão, Veja e a Globo dos Irmãos Marinho.

A Folha, aliás, fez a manipulação de forma descarada. Por incrível que parece coube ao Estadão desmascara a Folha.



Direto da "Rede Brasil Atual" via "Conversa Afiada":

HADDAD PEITA O PIG DE SÃO PAULO

Haddad diz que não vai tolerar ‘terrorismo’ de ‘monopólio da comunicação’
 
Prefeito afirma que ‘império’ tenta difundir desinformação e avalia que oposição a reajuste do IPTU chegou até a quem terá isenção. ‘Não podemos ter uma sociedade monolítica em que só alguns falam’
 
São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou o que ele chamou de “monopólio da comunicação no país” hoje (8), ao defender seu governo e, especialmente, o projeto de revisão da Planta Genérica de Valores, que reajusta o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).

Segundo Haddad, graças a “desinformação” e“terrorismo” até pessoas que serão beneficiadas pela mudança na cobrança do imposto se sentiram injustiçadas – pelo projeto aprovado na Câmara, 33% ficarão isentos de pagar IPTU e 8% terão redução no tributo.

Com as mudanças, os imóveis na região central terão os maiores reajustes médios, enquanto distritos na periferia terão aumento menor e redução do imposto. Aposentados que ganham até três salários mínimo, terão isenção total de IPTU.

Diante de uma plateia que se autodenominou “aqueles que o elegeram”, durante cerimônia de sanção da lei que amplia o Programa VAI – voltado à promoção cultural para jovens da periferia –, o prefeito disse que falta liberdade de expressão no país. “Nós não podemos ter uma sociedade monolítica em que só alguns falam. E esses alguns têm o pensamento único e só o pensamento deles que vale. Tudo que difere do que eles pensam está errado”, disse. “É o império da comunicação, querendo ditar a política pública em São Paulo. Mas comigo isso não vai funcionar.”



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MÚSICA ENQUANTO ESCREVO O PRÓXIMO TEXTO: O JAZZ RAP DO US3 CANTALOOP (FLIP FANTASIA)


US3: melodia suave do jazz combinada ao rap.

Jazz rap é um sub-gênero do hip hop, que incorpora influências do estilo jazz, desenvolvida no final dos anos 1980 e início de 1990. As letras são muitas vezes baseadas em consciência política, afrocentricidade, e em geral altruísmo. All Music Guide escreve que o gênero "foi uma tentativa de fundir música Afro-Americana do passado com uma forma nova dominante do tributo, pagando ao presente e de revitalizar o antigo, ao mesmo tempo em que se expandiam os horizontes até o último momento. Musicalmente, o ritmo tem sido tipicamente os de hip hop, em vez de jazz, sobre o qual são colocadas frases repetitivas de instrumentação do jazz: trompete, contrabaixo, etc. A quantidade de improvisação varia entre os artistas: alguns grupos gostam de improvisar letras de músicas e solos, enquanto muitos do estilo jazz não.





Bom som 



Flávio

terça-feira, 5 de novembro de 2013

GLOBO NEWS CUMPRINDO SEU PAPEL DE FAZER O DISCURSO QUE AQUELE SETOR CLASSE MÉDIA ALTA QUE VOTA CONTRA O PT GOSTA DE OUVIR, OU SEJA, NADA VAI DAR CERTO, O DÓLAR SUBIU E VEM AI O AUMENTO DA TARIFA NA ENERGIA ELÉTRICA

Juliana Rosa: Sua missão é aterrorizar a classe média
todos os dias com interpretações catastrofistas 
sobre e economia brasileira.


A apresentadora Leilane Neobarth se notabilizou pelas convocações que fazia em nome dos irmãos Marinho para as manifestações de Junho, Julho e Agosto. Leilane radicalizava, se aproveitava das noticias exageradas plantadas pelo próprio PIG sobre a "inflação do tomate" que indignou as centenas de seguidores da Ana Maria Braga e com ar de indignação mostrava as manifestações que começaram como reivindicação por melhora nas condições e no custo dos transportes e depois foram invadidas por setores simpáticos à direita, como muito bem definiu o mestre Marcos Coimbra, os seguimentos da sociedade brasileira anti petistas.

Leilane não trabalha para os propósitos de seus patrões sozinha, conta com uma equipe de jornalistas e apresentadores instalada na Globo News que não precisa mostrar ficha de filiação para se perceber que eles estão ali para fazer sim propaganda partidária para as oposições no Brasil com destaque para o PSDB e agora para Eduardo Campos e Marina, incluídos no time...  da oposição...

Agora a pouco pude ver como Leilane age no interesse dos irmãos Marinho de maneira descarada e consegue transformar jornalismo em propaganda política na maior cara de pau. Leilane recebeu Juliana Rosa jornalista que sempre traz uma "noticia ruim" sobre o Governo Dilma.

A alta do dólar de hoje, justificada no PIG devido a ao fato de que estaria acontecendo "uma piora cenário fiscal brasileiro" e também devido o de sempre, que o Banco Central dos Estados Unidos, o FED, estaria para retirar os chamados estímulos para economia daquele o que deverá diminuir a circulação de dólar no mundo, ou seja, um argumento puramente especulativo, foi um prato cheio para Juliana e Leilane. Para Juliana Rosa é o pior, ou "melhor" dos cenários para seus ataques, como que se o Brasil estivesse caminhando para a bancarrota total e o mundo fosse acabar amanhã.

Juliana não deixou por menos incluiu um possível aumento nas tarifas de energia elétrica em suas avaliações  pessimistas, nesse caso com comentários indignados de Leilane insinuando que a presidenta Dilma Roussef teria enganado o povo brasileiro quando desonerou de impostos as tarifas de energia elétrica provocando a queda dos preços naquele momento e olha que o aumento comentado por elas será no ano quem.  David Zylbersztajn, genro do ex presidente Fernando Henrique Cardoso, que inclusive foi um dos mentores da tentativa de transformar a Petrobras em Petrobrax para facilitar sua privatização foi convocado para dar sua "opinião técnica" e dizer que foi um erro desonerar as tarifas de energia elétrica.

Esse discurso raivoso da Globo News tem um só objetivo, alimentar um setor da sociedade brasileira formado basicamente pela classe média alta com origem nas famílias tradicionais brasileiras, conhecidos como "a elite", que não aceitam as mudanças que estão acontecendo na sociedade brasileira que estão tendo como consequência  a ascenção social de milhões de brasileiros. Uma questão, que na realidade, é de preconceito ideológico enraizado em uma sociedade que tem muita dificuldade, até mesmo por sua origem, de tomar iniciativas que busquem o bem comum, ou seja, que priorize ações sociais em contraposição ao individualismo.


PS: Agora a pouco enquanto termino este texto, logo depois da meia noite assisto Gerson Camarotti percorrendo os partidos da base aliada do Governo, notadamente o PMDB e o PP dentre outros, para provocar seus parlamentares sobre a disputa pelo Ministério da Integração Nacional. Camarotti estava fazendo o que mais agrada seus patrões, ou seja, provocar o governo e passar para a classe média conservadora a imagem de que governos não passam de "sacos de gatos" na disputa por cargos, assim reforça o discurso anti partidos políticos e ajuda a empurrar os descontentes com a incompetência dos tucanos para o discurso autonomista a lá Marina Silva. Gerson Camarotti fazia sim política e para a oposição.




Flávio Luiz Sartori

domingo, 3 de novembro de 2013

DIRETO DO BLOG DO ROVAI: EDUARDO CUNHA, LÍDER DO PMDB NA CÂMARA DOS DEPUTADOS, ARTICULA ACORDO ENTRE A GLOBO DOS IRMÃOS MARINHO E AS EMPRESAS DE TELEFONIA CONTRA O MARCO CIVIL NA INTERNET



Entrem em contato com Eduardo Cunha em Brasília e protestem
Telefone: (61) 3215-5510 - Fax: 3215-2510


Explicação sobre o que é o Marco Vicil na Internet direto da BBC
Câmara debate legislação que rege uso da internet; entenda o projeto
 

A questão vem sendo debatida no Brasil desde 2009, mas emperrou em alguns pontos, como o da neutralidade dos dados na internet.

Confira abaixo perguntas e respostas sobre o Marco Civil da Internet.
O que é o Marco Civil da Internet?

O projeto de lei 21626/11 – conhecido como Marco Civil da Internet – é um projeto de lei que estabelece princípios e garantias do uso da rede no Brasil. Segundo o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), autor da proposta, a ideia é que o marco civil funcione como uma espécie de "Constituição" da internet, definindo direitos e deveres de usuários e provedores da web no Brasil.

O marco civil proíbe o acesso de terceiros a dados e correspondências ou comunicação pela rede. Ele também busca garantir a liberdade de expressão e a proteção da privacidade e dos dados pessoais.

Alessandro Molon ressalta que o marco civil é "apenas um primeiro passo em direção a uma legislação sobre internet no país", mas que não encerra o assunto.

"É uma espécie de lei guarda-chuva, uma lei maior debaixo da qual virão depois outras leis regulando ou determinando áreas específicas da internet, como por exemplo o comércio eletrônico."
Por que o marco civil demorou tanto para ser votado?

A questão já esteve perto de ser votada diversas vezes, mas isso sempre acabou adiado.

Um dos principais pontos de discórdia nas discussões é a questão da neutralidade da rede. O princípio é que as empresas que oferecem serviços não possam mais fazer distinções no tráfego de dados em suas redes por conteúdo, origem, destino ou serviço.

Algumas empresas de telecomunicação querem poder vender pacotes de assinatura de internet para celular que limitam acesso a alguns sites, como redes sociais. Isso permite cobrar mais caro para que os celulares tenham acesso a mídias sociais.

Já os provedores de acesso defendem a neutralidade dos dados – ou seja, que não haja nenhum tipo de seleção ou discriminação de conteúdo digital.
Pelo projeto de lei, quais são os direitos dos usuários?

Os usuários de internet no Brasil têm direito de:

    inviolabilidade e sigilo de suas comunicações. Só ordens judiciais para fins de investigação criminal podem mudar isso;
    não suspensão de sua conexão, exceto em casos de não pagamento;
    manutenção da qualidade contratada da sua conexão;
    informações claras nos contratos de prestação de serviços de operadoras de internet, o que inclui detalhes sobre proteção de dados pessoais;
    não fornecimento a terceiros sobre registros de conexão à internet.

E quais são os deveres do provedor?

Os provedores são obrigados a manter os registros de conexão sob sigilo em ambiente seguro por um ano. Esses dados só podem ser disponibilizados por ordem judicial.

O Marco Civil estabelece que a guarda de registros seja feita de forma anônima. Ou seja, os provedores poderão guardar o IP, nunca informações sobre o usuário.
Quem responde pelo conteúdo publicado na internet?

Os usuários respondem pelo conteúdo que publicam.

Os provedores de acesso (responsáveis por oferecer o serviço de conexão à internet aos usuários) não podem ser responsabilizados por danos decorrentes de conteúdo gerado por usuários.

Já os provedores de conteúdo – no caso, quem administra os sites da internet – só serão responsabilizados caso não acatem no prazo correto decisões jurídicas específicas de retirar do ar conteúdos gerados pelos usuários.
O que o marco civil fala sobre os governos?

O marco defende que os governos em todas as instâncias devem devem dar prioridade a tecnologias, padrões e formatos abertos e livres; divulgar publicamente dados; desenvolver ações de capacitação para o uso da internet; e estabelecer mecanismos de governança transparente.

O projeto de lei também diz que o governo deve usar a internet para promover a educação e o fomento cultural.
Como surgiu o projeto de lei?

As discussões começaram a partir de um texto elaborado em 2009 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), uma entidade civil sem fins lucrativos formada pelo governo, acadêmicos, empresários e terceiro setor. O CGI.br coordena iniciativas de serviços de internet no país.

O documento foi alvo de diversas consultas públicas entre outubro de 2009 e maio de 2010 e passou por sete audiências públicas em quatro das cinco regiões do Brasil (não houve consulta no Norte). Isso deu origem ao projeto 2126/11, conhecido como "Marco Civil da Internet".

Esse projeto de lei foi aprovado por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, e agora está indo à votação no plenário da Casa. Caso seja aprovado, o projeto de lei segue para apreciação do plenário do Senado, e posteriormente caberá à presidente Dilma Rousseff vetar ou aprovar o texto.



Texto do Blog do Rovai
Eduardo Cunha articula acordão entre Globo e teles contra o Marco Civil

Este blogue apurou que o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, está se empenhando pessoalmente para transformar um longo debate na sociedade em um acordo entre dois setores econômicos, as teles e a radiodifusão. Ou seja, a Vivo, a TIM, a Claro e a Globo. A aprovação do texto do Marco Civil da Internet subiu literalmente no telhado e só irá descer com algum nível de qualidade se a sociedade for à luta.

Pelo acordo que está sendo encaminhado por Eduardo Cunha, a Globo negociaria ao menos parcialmente a neutralidade na rede e ficaria com o artigo que garante que os direitos autorais no Brasil se sobrepõem aos direitos humanos.

É isso mesmo, você não leu errado. A Globo defende que apenas para questões que envolvam direitos autorais não haja necessidade de processo judicial para que um conteúdo seja retirado do ar. Ou seja, você pode defender a pedofilia que tudo bem, mas se divulgar o capítulo da novela no seu blogue estará perdido.

Mas o artigo que ajuda a Globo permitirá de alguma maneira que outros grupos se apropriem dele para praticar censura, utilizando-se do recurso do “uso indevido da imagem”. Por exemplo: os grupos LGBTS publicam textos pela sua militância e o Marco Feliciano solicita, via notificação extrajudicial, e retirada do ar porque usaram uma foto dele. O mesmo pode acontecer com o MST se criticar a Kátia Abreu. E aí aquela lei da biografias vai virar piada de salão…

Enquanto isso, as teles querem ser donas não só dos dutos por onde passam as informações, querem controlar também as informações que passam por ali. E a depender do que estiver circulando, cobrar diferente por isso, como fazem as tevês a cabo.

Ou seja, você quer só receber e enviar email, paga 10 reais por mês. Quer assistir vídeo no youtube é vintão. Quer ter um blogue, o pacote já fica 30. Quer também colocar vídeos na rede, o preço pode chegar a 100. É isso que está em jogo. Eduardo Cunha está (parafraseando Brizola) articulando a aliança entre o coisa ruim e o satanás.

A presidenta Dilma já deu declarações a favor da neutralidade na rede e contra o artigo que só interessa à Globo. Mas a relação do governo com o PMDB está num momento tenso e o Marco Civil pode pagar o pato.

É hora de pressionar Eduardo Cunha enviando e-mail, postando memes, ligando no gabinete, utilizando todos os instrumentos democráticos para convencê-lo a recuar desta operação.

O custo da aprovação de uma lei para garantir mais privilégios ainda à Globo e às telefônicas no Brasil seria imenso. De dimensões terríveis para o Brasil. E para quem defende a liberdade.