sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MÚSICA ENQUANTO ESPERAMOS O PRÓXIMO TEXTO: TALKING HEADS - AND SHE WAS


Nos anos oitenta do século passado quando ainda não existia a tecnologia de hoje este video clip do Talking Heads foi considerado extremamente ousado devido a seus efeitos especiais improvisados...   Confiram...




Flávio

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

RESULTADO DA ÚLTIMA PESQUISA IBOPE/ESTADÃO: QUEDA EXPRESSIVA DE MARINA SILVA E SERRA Á FRENTE DE AÉCIO DEVEM TER COMO CONSEQUÊNCIA O ACIRRAMENTO DA DISPUTA INTERNA NO CAMPO DA DIREITA.


Serra ou Aécio? Quem irá carregar a bandeira da direita em 2014?

A Pesquisa do IBOPE sobre a corrida presidencial realizada para o Estadão e divulgada nesta noite de 26/09 deve ser interpretada de várias maneiras, ou seja, não podemos considerar somente os resultados estatísticos da pesquisa, que mostram uma subida vertiginosa da Presidenta Dilma Roussef, a queda de Marina Silva e a estagnação de Aécio e Eduardo Campos, temos que levar em conta, na realidade, qual será o resultado prático dos números nas articulações que se seguirão de agora em diante.

A subida de Dilma é um fato em si que já era esperado e que já tinha sido demonstrado em outras pesquisas anteriores recentes. Todos sabem que a presidenta transita nos 40% já a algumas semanas e que se ela esta crescendo e o número de indecisos mais brancos e nulos continua alto na casa dos 25 a 30%, nesse cenário temos que levar em conta que a intenção de votos da presidenta para subir foi em decorrência da queda de outros candidatos, no caso em maior escala de Marina Silva.

Por incrível que possa parecer para o Partido da Imprensa Golpista, o PIG, a queda de Marina Silva foi sopa no mel porque ficou claro que a votação dela em 2010 aconteceu em decorrência da ação da direita radical serrista que criou um clima de terrorismo apelando para a predominância do ódio que se transformou momentaneamente em “voto de protesto” e foi para Marina Silva quase levando ela ao segundo turno. Agora em 2013, mais uma vez observamos o mesmo fenômeno logo depois das manifestações de junho e julho, com o ódio exacerbado provocando um momento de substituição da razão pela emoção e deslocando parte da opinião pública para mais uma situação de “intenção de voto de protesto” que só podia mesmo se direcionar para Marina Silva. Ler "Cavalo passou arreado, mas Marina não montou" direto do Estadão no link http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2013/09/26/cavalo-passou-arreado-mas-marina-nao-montou/.

A queda de Marina Silva de 22% para 16%, uma perda de quase 30% de sua intenção de votos, mostrou de maneira bem clara a fragilidade de sua candidatura, que já não era digerida completamente pela direita e os setores entreguistas aliados, que sonham com um candidato vindo de suas hostes e comprometido com seus objetivos de fazer o Brasil voltar ao tempo de dependência anterior a chegada de Lula ao poder em 2003. Marina Silva sempre foi para a direita, nada mais nada menos, que um passaporte para um segundo turno, com um candidato de direita disputando com Dilma exatamente como aconteceu em 2010.

Nesse caso o problema passa a ser então, quem poderá levantar a bandeira da direita, ultrapassando Marina e contando com possíveis 15% a 20% de votos nela, para ir a um segundo turno com Dilma em 2014?

Elementar meus caros, se Aécio esta empacado e Eduardo Campos não sai do lugar, só Serra poderia cumprir este papel.

Em uma realidade onde cada vez fica mais claro que a força de Dilma com o apoio de Lula e aliados são barreiras difíceis de serem transpostas, com o próprio PIG, principalmente a Rede Globo, cada dia mais desmascarado e mais enfraquecido como “formador de opinião”, não restará outra saída para a direita e seus aliados senão, a radicalização e a tentativa de substituir o debate político sobre qual o melhor projeto para o futuro do Brasil pelo confronto irracional e sectário.

Para direita a queda de Marina Silva será a oportunidade de tentar capitalizar e se qualificar definitivamente para um segundo turno em 2014 com Dilma, para que isso aconteça um dos dois, Aécio ou Serra, terá que ser sacrificado porque com os dois disputando, se Serra sair do PSDB, a direita não tem a menor chance. Nos próximos dias, Serra turbinado por esta pesquisa, mesmo com apenas um ponto à frente de Aécio, vai jogar pesado, não tenham dúvidas.

Quanto a Eduardo Campos, cada vez mais ele caminhará rumo a sua hora da verdade, agora com Ciro Gomes no campo oposto ao dele na briga pelos votos, principalmente do Nordeste, apoiando Dilma em dupla com Lula, o que tornará a tarefa de Eduardo de subir nas pesquisas cada dia mais difícil e seu sonho cada vez mais distante.

Nesse cenário restará a Marina Silva torcer para que Aécio e Serra se separem para a direita ir para a disputa dividida e fraca proporcionando a Marina uma possibilidade de ir ao segundo turno.

Os últimos dias que faltam até o inicio de Outubro, quando o quadro político definitivo para 2014 terá seu primeiro desenho, deverão ser emocionantes, principalmente para a oposição de direita e eventuais sonhadores.

Acesso ao relatório completo da pesquisa IBOPE no link:
http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Documents/JOB_1394_BRASIL%20-%20Relat%C3%B3rio%20de%20tabelas%20(imprensa).pdf


Flávio Luiz Sartori

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

MARCOS COIMBRA DESVENDANDO A MANIPULAÇÃO DO DATAFOLHA: QUANDO ALGUÉM INVOCA "O SENTIMENTO DA OPINIÃO PÚBLICA" E ATRIBUI AO CONJUNTO DA SOCIEDADE O PENSAMENTO DE UMA MINORIA, NADA MAIS FAZ DO QUE UM JOGO POLÍTICO DE SEGUNDA CLASSE.


Direto da Carta Capital:

É assim que o Datafolha considera a opinião pública
quando divulga suas pesquisas manipuladas.


A REAL PERCEPÇÃO DO ELEITOR SOBRE O MENSALÃO

Por Marcos Coimbra.

O STF fez a coisa certa. Ao considerar cabíveis os embargos infringentes no julgamento da Ação Penal 470, seus integrantes tomaram uma decisão de consequências profundas.

Os dias que antecederam à decisão, e mesmo as declarações subsequentes de alguns ministros, foram marcados pela ideia de que a opinião pública queria a rejeição desses embargos. Que a maioria do país exigia barrar o direito de os acusados, mesmo aqueles considerados inocentes por quatro juízes, serem submetidos a novo julgamento.

Da quinta-feira anterior, quando a sessão do plenário para deliberar sobre o tema foi interrompida, ao dia da decisão, o tom do discurso oposicionista no Congresso, na sociedade e na mídia “anti-lulopetista” seguiu por esse caminho.

Os parlamentares da oposição, com alguma cautela, os colunistas da “grande imprensa” sem qualquer embaraço. Todos desejavam evitar o acolhimento dos embargos e lançavam ameaças veladas aos juízes caso o fizessem. Anunciavam a ira da população sobre os ombros dos magistrados se não mandassem todos os acusados imediatamente para a cadeia.

Último a se pronunciar e responsável pelo voto definitivo a favor dos recursos, o ministro Celso de Mello mencionou a pressão. O tribunal, frisou durante a leitura de seu voto, não pode “expor-se, submeter-se, subordinar-se à vontade de maiorias contingentes”.

Ou seja, falou como se houvesse redigido seu voto contra o desejo da nação, ou da sua parcela maior. Como se existisse qualquer evidência da existência dessas “maiorias” e como se, caso confirmadas, devessem ser consideradas “naturais”.

Cada um a seu modo, os veículos da mídia oposicionista fizeram de tudo para dar substância à tese (e reforçar a pressão sobre o tribunal). O Datafolha foi convocado a pesquisar as opiniões na capital paulista de forma a permitir a manchete “Em São Paulo, maioria rejeita a reabertura do mensalão”.

Um jornal mineiro esmerou-se” na quarta 18, estampou na primeira página uma “carta a Celso de Mello”, escrita e assinada em nome (!?) dos “cidadãos do estado de Minas Gerais”.

De maneira “técnica” ou tosca invocavam a “opinião pública”.

Como chegou o Datafolha ao resultado?

A pergunta sobre a aprovação ou rejeição à “reabertura do julgamento” seguia-se a duas outras. A primeira pedia ao entrevistado que dissesse se considerava o chamado “mensalão” um esquema de corrupção (…) com uso de dinheiro público” ou “de arrecadação de dinheiro” para campanhas eleitorais. A segunda afirmava: “Pessoas condenadas à prisão (…) querem que o STF reveja (o julgamento)” e perguntava se o entrevistado estava de acordo.

Em outras palavras, mencionavam-se expressões como “corrupção”, “uso de dinheiro público” e “pessoas condenadas à prisão”, antes de indagar a respeito dos recursos. Até quem nada sabe de pesquisa é capaz de imaginar as respostas.

A pesquisa revelava, porém, outras nuances: a proporção de paulistanos bem informados (o que está sempre associado ao interesse) sobre o mensalão era de 19% e apenas 39% dava notas maiores que 6 para o desempenho do STF durante o julgamento (considerado “ótimo” ou “bom” por não mais de 21% dos entrevistados).

Tais números não são muito diferentes daqueles obtidos pelo Vox Populi em pesquisa nacional realizada no ano passado, ainda no auge do julgamento. Naquela época, aqueles que se acreditavam bem informados sobre o assunto somavam 18%, mas apenas 12% sabiam dizer, de forma espontânea, o nome do tribunal onde o julgamento ocorria.

Apesar do desinteresse e da desinformação, 30% dos entrevistados consideravam que a “responsabilidade dos acusados estava provada”. Sob outro ângulo, significa que 70% não tinham essa convicção. Mais: 30% entendiam que apenas as culpas de alguns estavam comprovadas e 39% não se julgavam em condições de responder. Não surpreendentemente, apenas 29% defendiam punições a todos os acusados.

Só 29% concordavam com a tese central da acusação, da existência de um esquema de desvio de verbas públicas para comprar o apoio de deputados. Informados do fato de os parlamentares acusados serem na sua maioria do PT, 33% dos entrevistados consideravam “sem sentido” a imputação (e 38% não tinham opinião).

Em outras dimensões, via-se a força dos estereótipos. Apesar da baixa (ou nenhuma) informação, 65% supunham que os acusados “ficaram ricos”. Entre a minoria que se acreditava capaz de calcular o montante dos recursos movimentados, 25% cravaram “mais de 1 bilhão de reais”.

A frase bombástica de que o mensalão teria sido “o maior escândalo” de nossa história era subscrita por não mais de 21%. Para uma ampla maioria (57%), haveria “outros casos, maiores ou iguais” (entre indivíduos com educação superior, a proporção alcançava 69%). (PS.JCMA: aqui a casa caiu!!!).

Em suma, ao se levarem em conta os resultados das pesquisas disponíveis, pode-se dizer que não chega a um terço o contingente da população crente na narrativa a respeito do mensalão criada pela oposição, especialmente seu braço midiático. A meia dúzia de mal-educados a destilar ódio pela internet e chatear os juízes não expressa o conjunto da sociedade.

A opinião pública brasileira não concorda com a corrupção e anseia pela punição dos corruptos. De todos. Ela não aceita a sonegação de impostos de megacorporações de mídia, o estímulo de autoridades a cartéis de fornecedores em troca de “apoio”, a existência de entidades “sociais” que desviam recursos ou o caixa 2 em campanhas praticado rotineiramente pelos partidos.

Quando alguém invoca “o sentimento da opinião pública” e atribui ao conjunto da sociedade o pensamento de uma minoria, nada mais faz do que um jogo político de segunda classe.