sábado, 22 de junho de 2013

A VIOLÊNCIA E A AGRESSIVIDADE DE UMA PARTE DOS MANIFESTANTES NOS ÚLTIMOS DIAS ME FIZERAM LEMBRAR DE UM CLÁSSICO DO CINEMA QUE ABORDA ESTE TEMA MUITO BEM: THE WARRIORS - "SELVAGENS DA NOITE" AQUI NO BRASIL...


O filme aborda a violência a partir da luta de gangs em Nova York. Hoje um amigo, o Tarcísio, me alertava que os atos de violência nas manifestações dos últimos dias por parte da juventude eram atitudes que refletem a disputa entre grupos de jovens pela hegemonia de fazer ações cada vez mais espetaculares entre eles como maneira de alto afirmação.

Logo me lembrei de minha infância nas ruas de um bairro periférico, o Jardim Garcia, aqui em Campinas, quando organizávamos times de futebol das ruas em que morávamos para jogos contra times de outras ruas, eram disputas que as vezes tinham algumas brigas mas geralmente eram pacíficas, pois éramos amigos de escola, mas existiam grupos mais agressivos.


Nossa sociedade sempre impõe as pessoas um clima de competitividade que se reflete no nosso dia a dia e acaba por influenciar nossas ações. É bem possível que a maioria dos que estamos chamando de vândalos hoje sejam jovens que apenas estejam querendo se reafirmar diante da multidão.


Obviamente que a marginalidade esta se aproveitando da situação, mas que os jovens que circulam pelas cidades sem eira nem beira, na maioria das vezes sem conhecimento de seus pais sobre o que realmente fazem, também estão querendo ser notados, isso é fato...


O filme The Warriors mostra uma noite do cotidiano desses jovens, assistir ele nos remeterá uma reflexão sobre a violência nas manifestações dos últimos dias...


Direto do wikipedia:

O filme The Warriors se passa em Nova Iorque num futuro próximo. A cidade está tomada pelas gangues adolescentes que guerreiam entre si e contra a polícia local. Cyrus, o líder da maior gangue da cidade, Gramercy Riffs, declara uma trégua e convoca uma reunião na intenção de unir todos na guerra contra a abusiva polícia. No entanto, durante o seu pronunciamento, ele é assassinado por Luther, líder da gangue Rogues. Um dos Warriors (Guerreiros), do distante bairro de Coney Island, testemunha seu ato e é visto por ele. Para se livrar, Luther imediatamente acusa do assassinato a gangue dos Warriors, fazendo com que os Riffs prontamente assassinem o líder Cleon. Os Riffs anunciam numa estação de rádio que querem todos os Warriors, vivos ou mortos.

Assim, começa a corrida dos Warriors pela noite, tentando chegar de comboio até seu território, lutando contra todas as demais gangues hostis e a polícia.

The Warriors (Os Selvagens da Noite (título no Brasil) ) é um filme estadunidense de 1979 do gênero ação, dirigido por Walter Hill e baseado em roteiro de Sol Yurick. A história é sobre uma gangue de adolescentes de Nova York que é perseguida após ser acusada injustamente do assassinato de Cyrus, o lider da maior gangue da cidade. Um jogo de videogame foi lançado em 2005 pela empresa Rockstar Games. A trilha sonora do filme foi lançada no mesmo ano e inclui canções de Barry De Vorzon, Desmond Child, Joe Walsh, entre outros. O filme ganhou status de cult e influênciou gírias, músicas e ganhou fãs no mundo inteiro, apesar de não ser um grande sucesso de bilheteria no lançamento. 


 Um trailer do filme que esta gratuito para que quiser baixar pelo Ares...




Se eu conseguir a versão completa e posto aqui, até agora não consegui no youtube...


Flávio Luiz Sartori

terça-feira, 18 de junho de 2013

OS SENTIMENTOS DE DESENCANTOS QUE CULMINARAM NAS MANIFESTAÇÕES DE MILHARES DE BRASILEIROS NOS ÚLTIMOS DIAS ESTÃO PRESENTES NA NOSSA SOCIEDADE A MUITO TEMPO.



Todos os dias milhões de brasileiros vão para o trabalho como que se 
fossem "sardinhas enlatadas".

As condições básicas e objetivas para que o movimento com as maciças manifestações de ontem (17/07) eclodisse já existem no Brasil a muito tempo,  possivelmente a décadas. Devido ao histórico caráter ordeiro e educado do povo brasileiro elas estavam submersas nos sentimentos reprimido das pessoas.

A classe política é alvo de indignação não é de hoje e não só no Brasil, na Grécia antiga e no Império Romano também existiram políticos que cometeram a ilegalidade. Isso nunca impediu que as sociedades evoluíssem e que bons governos proporcionassem ações que culminassem em melhora na qualidade de vida dos cidadãos. Porém, infelizmente, nada é perfeito, como acontecem coisas certas, também acontecem coisas erradas e mesmo os acertos e os erros precisam ser mitigados, o que serve para mim não serve para o meu vizinho.

Diante de um quadro onde investimentos em infra-estrutura foram feitos para os eventos Copa do Mundo do ano que vem e para as Olimpíadas de 2016, com obras que ainda não estão concluídas, portanto, não estão totalmente disponíveis para a população, o discurso que defende que estes gastos poderiam ter sido feitos em investimentos nas áreas da saúde e da educação é um apelo que sempre vai encontrar apoio.

A educação e a saúde, principalmente esta ultima, no que tange a obrigação do Poder Público, estão em crise desde de que eu me entendo por gente, salvo algumas raras exceções são deficientes permanentemente. Não adianta o cidadão da periferia poder comprar um carro, uma geladeira e outros itens, até poder viajar uma vez por ano para visitar um parente ou ir a praia se, não tiver condições de pagar um plano de saúde (que também falham) e nesse caso quando precisar do serviço de saúde público, quando seu filho estiver com febre ou a esposa tiver que dar a luz, ele ser obrigado a ficar mais de oito horas na fila em um posto de saúde. Se no Brasil estas contradições permanecem, então, isso significa que ainda não saímos totalmente das contradições sociais agudas presentes na nossa história.

Nesse quadro temos um transporte coletivo urbano de massa que é caro e sem qualidade e, não existe na maioria das regiões urbanas mais densamente povoadas do Brasil, sistemas viários que permitam o transporte urbano de maneira rápida.

Os brasileiros que dependem do transporte coletivo de massa são obrigados a passar até quatro horas de um dia de trabalho dentro de ônibus, trem ou metrô. Isso significa que um dia de 24 horas pode ter, na realidade apenas 20 horas. As pessoas são obrigadas a viver com stress, portanto com uma propensão muito maior para a agressividade.

Assim, por mais tranqüilos que possam parecer, os brasileiros vivem sob pressão a muito tempo. Em uma situação como esta qualquer tensão pode dar origem a revolta contra adversidades.

No passado organizar um protesto era mais demorado porque não existia a Internet. Será que o golpe militar de 1964 teria tido êxito nos dias de hoje com a existência da internet? Se a maioria da opinião pública estivesse contra os golpistas a tarefa deles teria sido muito mais difícil do que foi naquele ano, isto hipoteticamente analisando.

Nesse sentido, se pararmos para analisar com calma, vamos concluir que os 250 mil brasileiros que foram as ruas ontem (17/06) representam uma parcela significativa da população, quase que certamente a maioria, que carregam em com eles uma indignação contida já a muito tempo, possivelmente desde a época do Regime Militar e depois as constantes idas e vindas de sucessivos governos que nunca conseguiram implementar medidas que realmente diminuíssem a desigualdade social histórica no Brasil que durou até o inicio deste século.

Diante da realidade colocada, tivemos no início deste ano uma ameaça de retorno da inflação que ainda persiste, com a subida de preço de itens, principalmente de alimentação e, mesmo que o aumento das tarifas de transporte tenha sido postergado, quando aconteceu, não foi aceito com passividade pela população, principalmente os jovens. Nesse contesto manifestações de protesto em ralação aos aumentos nas tarifas de transporte, mesmo que não massivas já acontecem a anos.

Com uma conjuntura propícia para o descontentamento reinante tivemos ainda um agravante muito sério, que foi a violenta repressão contra a penúltima manifestação e que teve o ponto alto em São Paulo na última quinta feira (13/06) de forma brutal e violenta pela Policia Militar, como a muito tempo não via no Brasil. Sem sombra de dúvidas, um componente agravante que se somou a indignação.

O papel fundamental da propaganda em rede na Internet na convocação das manifestações foi determinante para a reunião das multidões em um clima de indignação instalado, que aglutinou outros componentes além do protesto contra o aumento nas tarifas do transporte, dentre os quais o principal e decisivo foi o sentimento contra a repressão policial desencadeada, principalmente em São Paulo, com contornos que literalmente tocaram o lado emocional das pessoas, um componente que fez a diferença. 




Flávio Luiz Sartori