sábado, 23 de fevereiro de 2013

ATAQUES A GABRIEL CHALITA NA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE (23/06/2013) DEMONSTRAM QUE O PSDB JÁ PERCEBEU QUE CORRE UM SERIO RISCO DE SER DERROTADO EM SÃO PAULO EM 2014.

Gabriel Chalita com Fernando Haddad e o Vice Presidente Michel Temer. 
Na eleição para Prefeito de São Paulo de 2012 Chalita obteve 13,6% 
(833.255 votos) que foram decisivos no segundo turno para 
Fernando Haddad vencer o tucano José Serra.

Não é surpresa que o ataque a Gabriel Chalita na Folha de São Paulo tenha acontecido um dia depois que o Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) em visita ao Ex Presidente Lula e tenha ouvido dele que rejeita totalmente qualquer tipo de ação contra o Vice Presidente Michel Temer como companheiro de chapa de Dilma Roussef na eleição presidencial do ano que vem. A declaração de Lula serviu para aparar de forma definitiva qualquer tipo de aresta que possa ter existido com o PMDB devido a boatos que davam conta nas ultimas semanas que o PT poderia optar por compor a chapa presidencial com o PSB.

A união do PMDB com o PT na eleição para o Governo de São Paulo no ano que vem não é desejada pelo PSDB e seus aliados, principalmente uma parte da mídia comprometida com os tucanos, porque representa uma real possibilidade de derrota do PSDB depois de quase vinte anos de poder, especialmente pelo fato de que o Governo Alkimin atravessa uma crise de credibilidade que tem no seu fraco desempenho na área de segurança um dos principais pontos devido ao recente crescimento da criminalidade em São Paulo.

Como todos nós sabemos a permanência do PSDB por tanto tempo no poder em São Paulo, de 1995 até hoje em 2013, se deve basicamente ao fato de que foi articulada uma aliança, ainda no Governo Covas (1995 a 2001), dos tucanos com os principais grupos empresariais que controlam a mídia no Estado de São Paulo. O papel da mídia tem sido fundamental na longevidade dos governos tucanos em São Paulo exatamente porque cabe a esta imprensa o papel mobilizar os seguimentos da opinião pública conservadores que tem sido a principal resistência a uma vitória oposicionista nas ultimas disputas pelo Governo de São Paulo.

Também é importante lembrar que o PMDB, partido que poderia ser mais uma alternativa no campo oposição em São Paulo, tem sido a principal vítima dos constantes ataques desta mesma mídia que hoje atacou Gabriel Chalita ao longo de todos estes quase vintes anos, além de ter ficado dividido em um processo que impedia que fosse estabelecia uma aliança única do PMDB tanto no plano federal quanto estadual e, isso só provocou o encolhimento do PMDB em São Paulo, na contramão em relação à média que o PMDB tem mantido em todo Brasil que o qualifica como uma das principais forças políticas do Brasil, além de ter se transformado em um dos principais sustentáculos político do Governo Dilma, em pé de igualdade com o próprio PT.

Somente depois que a aliança com o PT se tornou uma realidade oficial em 2010 com a chapa Dilma Roussef / Michel Temer vitoriosa é que o PMDB de São Paulo pode finalmente ter uma direção estadual afinada com a direção nacional no sentido de construir uma ação política única. Isso teve e está tendo reflexos aqui em São Paulo que já puderam ser constatados na ultima eleição, com destaque para a Prefeitura de São Paulo onde o apoio do PMDB e de Gabriel Chalita foram decisivos para que Fernando Haddad derrotasse José Serra no segundo turno da eleição para prefeito no ano passado.

Quando ataca Gabriel Chalita com fatos já requentados há muito tempo o PSDB mostra suas garras e de que será capaz de tudo para não ser desalojado do Palácio das Bandeirantes.

Gabriel Chalita precisa ser defendido agora, pois o ataque a ele foi também ao PMDB de São Paulo.

Foi um ato de desespero que demonstra que o PSDB pode ser derrotado com ação decisiva do PMDB,

O PMDB pode voltar a ser governo em São Paulo. Sim, nós podemos.


FLÁVIO LUIZ SARTORI



domingo, 17 de fevereiro de 2013

DENSIDADE ELEITORAL DE MARINA SILVA NA ELEIÇÃO DE 2010 PRECISA SER ANALISADA COM CUIDADO PARA NÃO CORRER O RISCO DE SER SUPER ESTIMADA COMO BASE PARA A CRIAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO POLÍTICO


AS ILUSÕES POLÍTICAS SOBRE A DENSIDADE ELEITORAL DE MARINA DA SILVA


Marina Silva com o Ex Presidente Lula: A Ex Senadora 
afirmou que o novo partido Rede Sustentabilidade não será 
Governo e nem Oposição.

Fiquei acompanhando nos últimos dias as notícias sobre o lançamento do partido político oriundo de um movimento capitaneado pela ex-senadora e candidata presidencial Marina Silva, percebi que muitas pessoas se mostraram entusiasmadas pela possibilidade de uma nova opção política no cenário nacional, parece que elas não pararam para avaliar os verdadeiros motivos que levaram ao chamado “Fenômeno Eleitoral Marina Silva”, por isso mesmo resolvi tentar colaborar com o debate sem atacar a figura pública da própria Marina Silva que tive a oportunidade nos anos oitenta de fazer parte juntamente com ela da mesma organização política, o Partido Revolucionário Comunista que no movimento estudantil ficou conhecido como Caminhando. Portanto, tenho motivos de sobra para admirar sua trajetória política, mas também outros tantos motivos para ir a verdade dos fatos sem nenhum constrangimento.

Em 2010 diante da dura realidade de que seria derrotado por Dilma Roussef possivelmente no primeiro turno da eleição presidencial, Jose Serra resolveu partir para uma ultima estratégia, inundar a rede, a internet, com boatos que desqualificavam a figura da candidata Dilma. Os boatos tinham como objetivo atingir a parcela do eleitorado cristão considerada mais religiosa, ou seja, os praticantes fossem eles católicos ou evangélicos. O objetivo era impedir que Dilma, o PT, o PMDB e demais aliados chegassem a uma votação superior a 50% dos votos válidos e liquidassem a eleição já no primeiro turno.

O principal mote dos boatos que circularam na internet plantados por profissionais a serviço de Serra foi o aborto, os boatos plantados diziam que Dilma legalizaria a prática atribuindo a ela frases e declarações sobre o assunto que ela jamais havia dito. Outros boatos referentes a participação da atual presidenta na guerrilha associando ela a práticas terroristas também circularam com muita força. O então candidato a Vice Presidente Michel Temer também foi atacado pela rede de boatos com informações falsas sobre sua opção religiosa.

Na realidade José Serra e seus colaboradores optaram por tentar reverter o quadro desfavorável para eles abandonando a estratégia de campanha eleitoral do debate centrado na racionalidade onde as propostas de governo seriam comparadas para partirem para o campo da emoção onde afloraram os sentimentos de ira e revolta. Para isso contrataram uma empresa especializada em baixarias pela internet, a ElectionMall do indiano Ravi Singh, que já tinha atuado na campanha de Barack Obama em 2008.

Serra conseguiu o que queria e a eleição não foi liquidada no primeiro turno como todos sabemos, porém, os votos perdidos por Dilma Roussef na reta final da campanha eleitoral não foram para ele, foram para a candidata do Partido Verde, Marina Silva, que uma semana antes da eleição de 03 de Outubro de 2010 tinha no máximo 14% das intenções de votos nas pesquisas eleitorais e no dia da eleição conseguiu quase 20% dos votos válidos em uma subida rápida detectada praticamente no dia da eleição.

No segundo turno Dilma Roussef se recuperou e teve praticamente a metade dos votos dados a Marina Silva subindo de quase 47% dos votos válidos no primeiro turno para 56%, Serra ficou com a outra metade subindo 32,6% para quase 44% dos votos válidos, ou seja, praticamente a metade dos eleitores que votaram em Marina Silva no primeiro turno provavelmente nunca votariam em Serra.

Uma parcela decisiva do eleitorado e, pesquisas qualitativas comprovam isso, teve uma desconfiança momentânea em relação a Dilma Roussef, que mesmo sendo apoiada pelo Presidente Lula e toda sua popularidade, ainda era desconhecida do ponto de vista do seu histórico na política e suas idéias sobre assuntos polêmicos, como por exemplo, o aborto. Não esquecendo o fato de que existiu o clima de terror plantado por Serra na reta final da campanha no primeiro turno, uma ação apócrifa não assumida oficialmente pela campanha candidato Serra, que provocou medo no eleitorado, principalmente parte dos cristãos, em relação à candidata petista.

Hoje, o clima de desconfiança em relação a figura da Presidenta Dilma Roussef diminuiu muito e as pesquisa de opinião comprovam esse fato pelo grau de aprovação do seu governo pela Pesquisa CNI/IBOPE de Dezembro de 2012, que demonstra apoio de 78% dos brasileiros.

Para Marina Silva e seu partido recém lançado, o Rede, a tarefa de conquistar o apoio da opinião pública deverá ser muito mais difícil do que foi em 2010 desde que a atual conjuntura econômica e política seja mantida, além do mais é bom lembrar que muito provavelmente José Serra deverá estar fora da disputa presidencial, o que nos leva a projetar uma disputa com Aécio Neves e possivelmente o atual Governador de Pernambuco, Eduardo Campos no páreo, figuras políticas que também precisarão mostrar densidade eleitoral tanto quanto a própria Marina Silva em uma conjuntura de disputa eleitoral quase que certamente muito diferente da realidade de 2010.

No momento atual a política caminha para a dura realidade da verdade do dia a dia, restringindo cada vez mais o espaço para ilusões e falsas perspectivas. Se ainda existem aqueles que se iludem seria bom que não se esquecessem que no dia 05 Novembro do ano passado o candidato republicano Mitt Romney chegou a sonhar que dormiria presidente dos EUA para na noite do dia seguinte se defrontar com a dura realidade de que dificilmente poderia ter ganho de Barack Obama.


Flávio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com