sábado, 24 de outubro de 2009

“NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG: “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES III

Antes de mais nada gostaria de pedir desulpas aos meus amigos que seguem e acessam o blog pelo atraso no terceiro capítulo do conto O ATROZ REDENTOR LAZARUS MORELL de Jorge Luis Borges mas tive que editar textos sobre pesquisas que no momento conjuntural eram fundamentais.
Para quem não leu todo o conto é só acessar:

A PARTIR DE HOJE, ALEM DAS ANALISES, TEM “NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG E A PRIMEIRA É “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES. CURTAM.

Depois acessar:

“NOVELA LITERÁRIA” NO BLOG: “A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA” DE JORGE LUIS BORGES II

Finalmente a última parte deste fantástico conto O ATRÓZ REDENTOR LAZARUS MORELL



A INTERRUPÇÃO

Morell capitaneando bandos de negros que sonhavam enforcá-lo, Morell enforcado por exércitos negros que sonhava capitanear – sinto confessar que a história do Mississipi não aproveitou essas oportunidades suntuosas. Contrariamente a toda justiça poética (ou simetria poética), tampouco o rio de seus crimes foi sua tumba. A dois de janeiro de 1835, Lazarus Morell faleceu de congestão pulmonar no hospital de Natchez, onde se fizera internar com o nome de Silas Buckley. Um companheiro da enfermaria geral reconheceu-o. A dois e a quatro quiseram sublevar-se os escravos de certas plantações, mas foram reprimidos sem maior efusão de sangue.


A CATÁSTROFE

Servido por homens de confiança, o negócio tinha de prosperar. Em princípios de 1834, uns setenta negros já tinham sido "emancipados" por Morell, e outros dispunham-se a seguir esses precursores ditosos. A zona de operações sendo maior, era necessário admitir afiliados. Entre os que prestaram juramento havia um rapaz, Virgil Stewart, de Arkansas, que se destacou desde logo pela crueldade. Era ele sobrinho de um fazendeiro que perdera muitos escravos. Em agosto de 1834, rompeu seu juramento e delatou Morell e os outros. A casa de Morell em Nova Orleans foi cercada pela Justiça. Morell, por imprevisão ou suborno, pôde escapar.
Três dias passaram. Morell esteve escondido esse tempo numa casa antiga, de pátios com trepadeiras e estátuas, na rua Toulouse. Parece que se alimentava pouco e ficava a passear descalço pelos grandes dormitórios escuros, fumando pensativos cigarros. Por um escravo da casa remeteu duas cartas à cidade de Natchez e outra a Red River. No quarto dia entraram na casa três homens que com ele ficaram discutindo até amanhecer. No quinto, Morell levantou-se quando escurecia e pediu uma navalha e fez cuidadosamente a barba. Vestiu-se e saiu. Atravessou com lenta serenidade os bairros do Norte. Já em pleno campo, costeando as terras baixas do Mississipi, andou mais depressa.
Seu plano era de uma coragem bêbada. Pensava aproveitar os últimos homens que ainda lhe prestavam reverência: os serviçais negros do Sul. Estes haviam visto fugir seus companheiros e não os haviam visto voltar. Acreditavam, portanto, em sua liberdade. O plano de Morell era o de uma sublevação total dos negros, a tomada e o saque de Nova Orleans e a ocupação de seu território. Morell, caído e quase desfeito pela traição, meditava uma resposta continental: uma resposta em que o criminoso se exaltava até a redenção e a história. Dirigiu-se com esse fim a Natchez, onde estava mais enraizada sua força. Copio sua narração dessa viagem:
"Caminhei quatro dias antes de conseguir um cavalo. No quinto, descansei próximo a um riacho para abastecer-me de água e sestear. Estava sentado num tronco, olhando o caminho percorrido até então, quando vi aproximar-se um cavaleiro numa montaria escura de bom aspecto. Assim que o vi, determinei tomar-lhe o cavalo. Pus-me de pé, apontei em sua direção uma bela pistola de tambor e dei-lhe ordem para apear. Assim o fez, e tomando na canhota as rédeas, mostrei-lhe o riacho e ordenei que caminhasse adiante. Andou umas duzentas varas e se deteve. Ordenei que se despisse. Então me disse: "Já que está resolvido a me matar, deixe-me rezar antes de morrer". Respondi que não tinha tempo de ouvir suas orações. Caiu de joelhos e lhe disparei um balaço na nuca. Abri-lhe o ventre com um talho, arranquei-lhe as vísceras e afundei-o no riacho. Em seguida, revistei-lhe os bolsos e encontrei quatrocentos dólares e trinta e sete centavos e uma quantidade de papéis que não me demorei lendo. As botas eram novas em folha e me serviam. As minhas, que estavam muito gastas, joguei-as no riacho.
"Assim obtive o cavalo de que precisava para entrar em Natchez."

A INTERRUPÇÃO

Morell capitaneando bandos de negros que sonhavam enforcá-lo, Morell enforcado por exércitos negros que sonhava capitanear – sinto confessar que a história do Mississipi não aproveitou essas oportunidades suntuosas. Contrariamente a toda justiça poética (ou simetria poética), tampouco o rio de seus crimes foi sua tumba. A dois de janeiro de 1835, Lazarus Morell faleceu de congestão pulmonar no hospital de Natchez, onde se fizera internar com o nome de Silas Buckley. Um companheiro da enfermaria geral reconheceu-o. A dois e a quatro quiseram sublevar-se os escravos de certas plantações, mas foram reprimidos sem maior efusão de sangue.

Eis como geralmente terminam alguns canalhas, atenção vem ai o próximo fantástico conto de Jorge Luis Borges do livro A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA; O IMPOSTOR INVEROSSÍMIL TOM CASTRO.

Até a próxima analise, crítica ou conto.

Flávio Luiz Sartori

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

IBOPE DIVULGA PESQUISA ENCOMENDADA POR RONALDO CESAR COELHO FUNDADOR DO PSDB

Estava eu conversando com meu amigo José Adilson, falavamos de política e arriscavamos nossas leituras quando entrei no Blog noblat.com e deparei co uma pesquisa encomendada pelo PSDB, ou melhor por um empresário ligado históricamente aos tucanos.
Uma pesquisa nacional com amostragem de 2002 pessoas entrevistadas com pretenso objetivo de testar o nome dos principais presidenciaveis do momento junto com seus possíveis vices.

De acordo com a pesquisa teríamos o seguinte quadro na primeira possibilidade, com destaque para Aécio de vice de Serra:

Serra (com Aécio de vice) fica com 41%;
Dilma (com Michel Temer, do PMDB), 16%;
Ciro (com Carlos Lupi, do PDT), 14%;
Marina (com Guilherme Leal, um dos donos da Natura), 8%.

Ora até a última pesquisa quando Ciro Gomes ainda não tinha transferido seu domicílio eleitoral para São Paulo, como acaba de me lembrar José Adilson, Ciro aparecia na frente de Dilma Roussef exatamente porque era interesse para oposição que Ciro mantivesse e ou mantenha sua candidatura para dividir o bloco governista. Agora na nova situação Ciro Gomes, quando ao transferir o título demonstrou sua lealdade a Lula, ja não é mais útil a oposição, então a estratégia muda, Serra que na pesquisa anterior do IBOPE tinha caído para 35% de intenções de votos estimulados, agora cresce para 41% e Ciro volta para tráz com 14% e Dilma fica na sua média de 16%, ou melhor na média do IBOPE.

Essa pesquisa e a atitude de divulgar ela neste momento, por sí só, já é uma jogada de manipulação da oposição, lógico, essa conversa de vice não cola é pano de fundo em um momento em, cada vez mais, vozes dissonantes inclusive na própria oposição questionam a capacidade de Serra de derrotar Dilma Roussef e o Goveno no debate político da campanha eleitoral, prestem atenção!!!!! NO DEBATE POLÍTICO.

Isso prova que atualmente as pesquisas do IBOPE, antes de seguir a lógica da tendência da opinião pública, seguem a lógica do compromisso político empresarial com quem contratou a pesquisa e porque?
Porque os resultados destas pesquisas demonstram que as mesmas estão sintonizada com a necessidade conjuntural da oposição examente porque, por exemplo, esse resultado caiu como um a luva para o pressionado José Serra.

O resultado da pesquisa é acima de tudo político tendencioso pró PSDB e aliados, a opinião pública é apenas um detalhe no jogo da manipulação.

Estou de plantão esperando o resultado no relatório do IBOPE para investigar a essência além da aparência.

Flávio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

LER O ARTIGO DE SAUL LEBLON DO CARTA MAIOR É FUNDAMENTAL NA ATUAL CONJUNTUTA

A maneira como a mídia brasileira chamada de PIG tem tratado o Presidente LULA e seu Governo praticamente desde 2003, ja provocou diversas análises mas, sem sombra de dúvidas, a que segue é provavelmente uma das mais importantes, tanto é que a introdução ao artigo esta no Blog do Azenha; Vi o Mundo.

O "Essência Além da Aparência" considera este artigo fundamental como forma de provocar a reflexão crítica nos internaltas brasileiros que atráves da leitura dele poderão ampliar o campo crítico ao PIG na opinião pública brasileira.

O texto é de Saul Lebon e esta no Carta Maior.

O ponto de saturação
Ataques ao governo Lula fazem parte da paisagem jornalística brasileira. Tornaram-se previsíveis como os acidentes geográficos; irremediáveis como o dia e a noite. Naturalizaram-se, a tal ponto que já se lê os jornais pulando essas ocorrências, como os olhos ignoram trechos vulgares de caminhos rotineiros. O que mais espanta, porém – e a cobertura da viagem do São Francisco reforça esse desconcerto - não é a crítica , mas o tom desrespeitoso desse jornalismo. Com a aproximação das eleições de 2010, ansiedade pelo fracasso recrudesceu. A tal ponto ela se tornou caricatural que já aparecem os primeiros sintomas de saturação. O artigo é de Saul Leblon. (Luiz Carlos Azenha - viomundo.com.br)

Saul Leblon :
“Alojamento de Lula tem risoto, uísque e roda de viola até a madrugada.” Sob esse título auto-explicativo, a Folha [edição de 16-10] resumiu em uma retranca o espírito da cobertura oferecida aos seus leitores durante a viagem de três dias feita pelo Presidente Lula às obras de interligação de bacias do rio São Francisco, uma das mais importantes do seu governo.O propósito de diminuir e tratar o assunto com escárnio e frivolidade se reafirmou em legendas de primeira página ao longo da visita. No dia 15-10, o jornal carimbava uma foto de Lula e da ministra Dilma Rousseff pescando no São Francisco, em Buritizeiro (MG), com a chamada: 'Conversa de Pescadores' . A associação entre a legenda e o discurso da oposição, para quem as obras são fictícias e a viagem, eleitoreira, sintetiza o engajamento de um jornalismo que já não se preocupa mais em simular isenção.No dia 17, de novo na primeira página , o jornal estampa a foto do Presidente atravessando o concreto ainda fresco sobre a legenda colegial: ‘A ponte do rio que caiu’. A imagem de Lula equilibrando-se em tábuas improvisadas inoculava no leitor a versão martelada em toda a cobertura: trata-se de uma construção improvisada, feita a toque de caixa, com objetivo apenas eleitoreiro. É enfadonho dizê-lo, mas o próprio jornal se contradiz ao entrevistar Dom Luis Cappio, o bispo de Barra (BA), um crítico ferrenho da obra. Segundo afirmou o religioso ao jornal, ‘as obras avançam como um tsunami’. Sua crítica recai no que afirma ser a ‘marolinha’ das medidas - indispensáveis - de recuperação ambiental do rio. Diga-se a favor do governo que estas, naturalmente, serão de implementação mais lenta, na verdade talvez exijam um programa permanente.Como o próprio bispo de Barra esclarece, não se trata apenas de promover o saneamento de esgotos e dejetos nas cidades ribeirinhas, como já vem sendo feito, ineditamente, talvez, na história dos rios brasileiros de abrangência interestadual. O resgate efeitvo do São Francisco passa também pela recuperação das matas ciliares, prevista nas obras, mas remete igualmente à recuperação de toda a ecologia à montante e para além dos beiradões, inclusive as veredas distantes onde estão nascentes, olhos d’água, lagoas de reprodução destruídos pela rapinagem madereira e carvoeira. Só quem acredita em milagres pode exigir, como faz Dom Cáppio, que um único governo reverta essa espiral de cinco séculos de omissão pública da parte, inclusive, daqueles que demagogicamente criticam as obras hoje como ‘uma ameaça ao velho Chico’.O único acesso que a família Frias ofereceu aos leitores para que pudessem avaliar a verdadeira dimensão da obra ficou escondido na página interna da edição do dia 17, na belíssima foto que ilustra a página 12. Ali, um Lula solitário caminha por um gigantesco canal de concreto que rompe o horizonte até lamber o céu sertanejo. Há um simbolismo incontornável na imagem de um Presidente que se despede diluindo-se em uma obra gigantesca. Ela consagra seu retorno à terra de onde partiu como retirante e para onde voltou, Presidente, levando água a quem não tem - compromissos mantidos, apesar de tudo.A solenidade da foto contrasta com o tom de adolescência abusada da cobertura, o que impediria o jornal de utilizar a imagem na primeira página, embora do ponto de vista estético e jornalístico ela fosse muito superior à escolhida. Tanto que o editor da página 12 não se conteve e abriu cinco colunas para a fotografia.Ataques ao governo Lula fazem parte da paisagem jornalística brasileira. Tornaram-se previsíveis como os acidentes geográficos; irremediáveis como o dia e a noite. Naturalizaram-se, a tal ponto que já se lê os jornais pulando essas ocorrências, como os olhos ignoram trechos vulgares de caminhos rotineiros. O que mais espanta, porém – e a cobertura da viagem do São Francisco reforça esse desconcerto - não é a crítica , mas o tom desrespeitoso desse jornalismo. Nesse aspecto não houve rigorosamente qualquer evolução após seis anos em que todos os preconceitos contra Lula foram desmoralizados na prática. A retomada do crescimento com inflação baixa e maior equidade social, por exemplo, distingue seu governo positivamente da paz salazarista imposta pela ortodoxia tucana no segundo mandato de FHC. A popularidade internacional do chefe de Estado brasileiro constitui outro fato sem precedente, só suplantado, talvez, pela velocidade da recuperação da nossa economia em meio à maior crise do capitalismo desde 1930. Tudo desautoriza as previsões catastróficas das viúvas provincianas do tucano poliglota. Mas se a realidade desmentiu o preconceito, em nenhum momento a mídia conservadora deu trégua a um indisfarçável desejo de vingança que pudesse comprovar a pertinência de uma rejeição de classe ao governo Lula . Com a aproximação das eleições de 2010, a ansiedade pelo fracasso recrudesceu. A tal ponto ela se tornou caricatural que já aparecem os primeiros sintomas de saturação. Em artigo publicado no Estadão [19-10] o físico José Goldemberg, por exemplo, um quadro de extração tucana, saiu em defesa da construção de hidrelétricas pelo governo Lula, objeto de críticas estridentes de um jornalismo que prefere esquecer a origem do apagão em 2001/2002. Na área da saúde, o respeitado cardiologista Adib Jatene, que já foi secretário de Paulo Maluf mas supera qualquer viés político pela inegável competência científica e discernimento público, tem vindo a campo com freqüência defender a necessidade de um novo imposto, capaz de mitigar o estrago causado à saúde pública pela revogação da CPF. Mais uma ‘obra coletiva’ assinada pela mídia e a coalizão demotucana. O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, do staff serrista, foi outro a manifestar seu desagrado com o estado das coisas. Bresser, que já defendeu abertamente o projeto de Lula para o pré-sal, rechaçou a demonização do MST articulada pela mídia e ruralistas, por conta da derrubada de laranjeiras em terras públicas ocupadas pela Cutrale [artigo na Folha 19-10]. Pode ser apenas miragem do horário de verão, mas o que essas manifestações parecem indicar é uma rebelião da inteligência –ainda que avessa ao PT - contra a a idiotização da agenda nacional promovida pelo jornalismo demotucano. A patogenia infelizmente não é privilégio brasileiro. Na Argentina, o cerco da grande imprensa ao governo Cristina Kirchner recorre a expedientes idênticos de mentiras, fogo e fel . Com Morales, na Bolívia, não tem sido diferente. Na Venezuela, há tempos, o aparato midiático tornou-se paradigma de um engajamento que atravessou o Rubicão do golpismo impresso para se incorporar fisicamente à quartelada que quase derrubou Chávez em 2002 . Enganam-se os que enxergam aí também a evidência de uma fragilidade congênita à democracia latinoamericana. Acima do Equador as coisas não vão melhores. O democrata Barack Obama é vítima de um cerco raivoso e racista de jornais e redes, como é o caso da Fox, do direitista Rupert Murdoch que detém também o Wall Street Journal. A repetição e o alcance dos mesmos métodos e argumentos nas mais diferentes latitudes parece indicar que estamos diante de um fenômeno de recorte histórico mais geral. O fato é que o conservadorismo está acuado em diferentes fronteiras após o esfarelamento econômico e político do credo neoliberal. A falência dos mercados financeiros desregulados na maior crise do capitalismo desde 1930 já é reconhecida, à direita e à esquerda, como um novo divisor histórico. Corroído em seus alicerces de legitimidade pela falência de empresas, famílias e bancos, ademais do recrudescimento do desemprego e da insegurança alimentar - inclusive nas sociedades mais ricas - o conservadorismo vê sua base social derreter. A radicalização do seu ‘braço midiático’ soa como uma tentativa derradeira de reverter o processo ainda nos marcos da democracia, desqualificando o adversário mais próximos formado por partidos e governos progressistas. A radicalização é proporcional à ausência de um projeto conservador alternativo a oferecer à sociedade.Abre-se assim uma etapa de absoluta transparência, uma radicalização aberta; um embate bruto de forças em que a mídia dominante não tem mais espaço para esconder os interesses que representa. Tampouco parece ter pejo em descartar uma neutralidade – que, diga-se, a rigor nunca existiu - mas da qual sempre se avocou guardiã para descartar a democratização efetiva dos meios de comunicação. A isenção parece, enfim, não representar mais um valor passível sequer de ser simulado.A diferença entre o que acontece no caso brasileiro e o resto do mundo é o grau de envolvimento do governo na reação em sentido contrário a essa ofensiva. A liberdade de informação e o contraditório aqui respiram cada vez mais por uma rede de blogs e sites de gradiente ideológico amplo, qualidade crescente e capacidade analítica incontestável. Mas ainda de alcance restrito. O protagonismo do governo e o dos partidos e sindicatos que poderiam ir além na abrangência de massa, é tíbio. Na Venezuela não é assim. Na Bolívia – que acaba de criar um grande jornal diário de recorte progressista-- não está sendo. Na Argentina onde foi votada uma lei de comunicação que desmonta a estrutura monopolista do conservadorismo midiático, caminha-se também sobre pernas da urgência. Acima da linha do Equador a contundência das respostas oficiais destoa igualmente do acanhamento brasileiro. Na verdade, talvez a caracterização mais dura da decadência dos princípios liberais na mídia tenha partido justamente dos porta-vozes do governo Obama, Anita Dunn, Diretora de Comunicações do Presidente e David Axelrod,principal assessor de comunicação do democrata."A rede Fox está em guerra contra Barack Obama (...) não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha é jornalístico. Quando o presidente fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará debatendo com um partido da oposição", resumiu recentemente a atilada Diretora de Comunicações da Casa Branca. Numa escalada de entrevistas e disparos cuidadosamente arquitetados, Dunn e Axelrod falaram alternadamente a diferentes segmentos midiáticos de todo o país. E o fizeram com o mesmo propósito de colocar o dedo numa ferida chamada Rupert Murdoch. "Mr. Rupert Murdoch tem talento para fazer dinheiro, e eu entendo que sua programação é voltada a fazer dinheiro. Só o que argumentamos é que [seus veículos] não são um canal de notícias de verdade. Não só os âncoras, mas a programação toda. Não é notícia de verdade, mas é a pregação de um ponto de vista. E nós vamos tratá-los assim ", bateu Axelrod em seguida ao ataque de Anita Dunn.O guarda-chuva dos ataques a Obama têm como alvo o projeto de reforma do sistema de saúde, que, entre outras medidas, quer colocar sob responsabilidade do Estado cerca de 50 milhões de norte-americanos hoje ao desabrigo de qualquer cobertura.A defesa do livre mercado na saúde é só a ponta do iceberg do ataque midiático. Por trás desse biombo o que se move é uma engrenagem endogâmica em que se entrelaçam o fanatismo e o dinheiro da direita republicana, postados dentro e fora da mídia. Sua meta é clara: desconstruir e imobilizar o sucessor de George W. Bush. Não há muita diferença entre o que se passa nos EUA e a divisão de trabalho observada no Brasil, onde as rádios chutam o governo Lula abaixo da linha da cintura; os jornalões desgastam e denunciam, enquanto a Globo faz a edição final no JN, transformando o boa noite diário da dupla Bonner & Fátima uma espécie de ‘meus pêsames, brasileiros pelo governo que escolheram; não repitam isso em 2010’.No caso dos EUA, um país visceralmente conservador e racista não há , a rigor, grande surpresa pelos ataques da Fox & Cia a um Presidente negro e democrata. O que surpreende, de fato, é que Obama está reagindo. E o faz com um grau de contundência que, oxalá, sirva de inspiração para que um dia também possamos ouvir nos trópicos um porta-voz do Presidente Lula dizer com igual limpidez e serenidade, sem raiva, mas pedagogicamente: "A Folha está em guerra contra Lula(...) não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha é jornalístico. Quando o Presidente fala à Folha já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O Presidente já sabe que estará debatendo com um partido da oposição."

terça-feira, 20 de outubro de 2009

JORNAL DA GLOBO DE ONTEM A NOITE NÃO DEU UMA PALAVRA SOBRE A CASSAÇÃO DOS VEREADORES EM SÃO PAULO

A notÍcia de que a Justiça Eleitoral de São Paulo cassou 13 vereadores e 1 suplente na maior e mais importante cidade do Brasil é, sem sombra de dúvidas, o fato mais importante da política brasileira nos últimos mêses. O motivo alegado pela justiça para caçar os vereadores, e ainda existem outros 17 para serem cassados, revela o esquema articulado por setores empresariais ligados às empresas com interesses imobiliários na cidade de São Paulo. Um escândalo que deve ser considerado à altura de fatos como por exemplo, o recente mensalão e o escândalo dos anões do orçamento nos anos noventa do século passado.

No entanto, a Rede Globo preferiu deixar esse escândalo dos vereados em um segundo plano e dar prioridade ao ressurgimento da polêmica envolvendo a Ministra Dilma Roussef e a ex secretária da Receita Federal Lina Vieira.

O fato pôde ser comprovado no Jornal da Globo de ontem à noite, os fatos mais importantes da noite no jornal apresentado por Cristiane Pelajo foram: a prisão do promotor Igor, a repercussão do confronto da polícia com traficantes no Rio de Janeiro, a presença dos pilotos da fórmula 1 Rubens Barrichello e Felipe Massa no jornal e a iniciativa da oposição de tentar reabrir o caso Lina Vieira através de uma iniciativa do PSDB que apresenta nesta terça na CCJ requerimento que convoca a ex-secretária da Receita Lina que teria afirmado afirmou que encontrou uma agenda na qual está escrito o dia de uma suposta audiência com Dilma Rousseff.

Apesar de toda importância do caso da cassação do mandato dos vereadores o Jornal da Globo não deu uma palavra sequer sobre o assunto, achei isso tão estranho que resolvi veridficar na lista de todas as notícias (a pauta) do jornal de ontem a noite, quem quizer verificar é só acessar:

http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,16021,00.html

Esse fato é um completo absurdo na história recente do jornalismo mdo Brasil, ele demonstra não só que as Organizações Globos não noticiam fatos contrários ao PSDB, como também a atitude da emissora e da editoria do Jornal da Globo de montar uma pauta totalmente contrária ao Governo, no caso do Presidente Lula, em uma postura de partidarização aberta por parte da emissora.

Você, internalta brasileiro, que preza a ética, fique atento porque esse fato é tão absurdo que fica difícil acreditar que ele tenha realmente acontecido.

Flávio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O CORAJOSO ARTIGO DE BRESSER PEREIRA NA FOLHA DESTE FINAL DE SEMANA

Existem momentos na nossa vida que, por mais que tentamos desviar até mesmo por fraqueza própria, somos obrigados a assumir posturas que certamente irão afastar pessoas que fizeram ou fazem parte do nosso convívio pelo simples fato de que discordaremos delas, caso contrário, teremos nossa personalidade e princípios colocados em um segundo plano.
FHC preferiu dizer para esquecerem o que ele tinha escrito.
Quando falei em fraquezas pensei em mim mesmo me colocando no lugar do Professor Bresser Pereira porque ele tem toda uma história, inclusive de vida, com significativa parte da cúpula do PSDB e eu imagino seus dilemas, principalmente, depois de ler seu artigo na Folha de São Paulo neste final de semana.
Oxalá, outros brasileiros, a exemplo dele e do grande Mauro Santayana tenham a mesma coragem.
No entanto, o mais importante do corajoso artigo do Professor Bresser Pereira foi a constatação de que importantes intelectuais brasileiros, em um número cada vez maior, estão se indignando com a situação de subserviência de parcela da mídia brasileira, na qual estão incluidos inclusive profissionais, em relação aos setores da política e do poder econômico que governaram o Brasil até 2002 e que não se conformam de forma alguma que o Governo Lula esteja dando certo.
Isto é um bom sinal para a democracia brasileira, na medida em que representa um caminho aberto à pluralidade diante de um quadro onde impera a hegemonia de uma significativa parcela da mídia brasileira controlada por poucos e com direcionamento ideológico bem definido.
Bresser exemplifica na curiosidade aparentemente ingênua de sua amigas, a exata situação em que se encontra consideravel parcela das pessoas no Brasil que se interessam pelas noticias no dia a dia e são obrigadas a literamente "engolir" somente uma versão dos fatos vindas das redes globos, revistas vejas e folhas e estadões da vida dentre outros.
A preocupação de Bresser no final de seu artigo, inclusive com estranheza com o fato de economistas da área agricola não terem se posicionado diante da polêmica entre representantes do DEM no Congresso Nacional de um lado e o INCRA e o Movimento dos Sem Terra do outro lado no sentido de fazer analises esclarecedoras sobre o assunto, ficou como um alerta, que torcemos no sentido que sensibilize os brasileiros conscientes dessa situação, que ainda estão sem coragem de expressar seus pontos de vista como fez o próprio Bresser.

Flávio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com

domingo, 18 de outubro de 2009

HOMENAGEM A RUBENS BARRICHELLO

TODOS NÓS SEMPRE, POR PIOR QUE APARENTEMENTE SEJA A SITUAÇÃO, TEMOS QUE RECORRER AO RUBENS BARRICHELLO QUE EXISTE EM CADA UM DE NÓS.

LUTAR SEMPRE, DESISTIR JAMAIS.

VIVA BARRICHELLO.

Flavio Luiz Sartori