quinta-feira, 17 de setembro de 2009

TEXTO PUBLICADO NO PAULOHENRIQUEHENRIQUEAMORIM.COM.BR EXPLICA PORQUE MARCOS COIMBRA É MEU GURU

Gostaria de prestar homenagem e demonstrar meu respeito por Marcos Coimbra do Vox Populi, o melhor profissional de pesquisa de opinião do Brasil.

Marcos Coimbra – Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Só Fernando Henrique, em 1997, e Lula, em 2001, lideravam e venceram, o que não aconteceu em 1989, 1994 e 2006, pois o próprio Lula perdia para Serra em novembro de 2005. Ou seja, é uma lei não confirmada pela maioria dos casos. Ou seja, não serve para nada
Há dois tipos de erro nas tentativas de deduzir das pesquisas de agora o que vai acontecer com Dilma: imaginar que ela já ganhou e achar que ela já perdeu. São erros parecidos em mais de um aspecto. O traço comum mais importante é que ambos vêm da interferência das preferências nas análises. Quem deseja que ela perca olha as pesquisas e enxerga a confirmação do que gostaria que acontecesse. Quem torce por ela vê o oposto nos mesmos resultados. O problema é que os números não dizem nem uma coisa, nem outra. Na verdade, dizem muito pouco.
Pode-se fazer malabarismos com eles, como escolher algumas eleições presidenciais passadas para elocubrar sobre o futuro. Por exemplo, para sustentar que quem lidera as pesquisas 12 meses antes de uma eleição termina ganhando — o que condenaria inapelavelmente a candidatura da ministra. Aliás, acabaria com todas as dúvidas, restando ao governador de São Paulo, José Serra, apenas mandar costurar seu terno de posse.
É, no entanto, uma hipótese desprovida de qualquer base teórica, desconhecida nos manuais de ciências sociais e de estudos eleitorais. Nossa já expressiva história eleitoral moderna tampouco a justifica, sendo centenas os casos de candidatos a prefeito e governador que ganhavam nas pesquisas feitas um ano antes e perderam as eleições.
Em três das cinco eleições presidenciais pós-redemocratização, nada de semelhante ocorreu. Só Fernando Henrique, em 1997, e Lula, em 2001, lideravam e venceram, o que não aconteceu em 1989, 1994 e 2006, pois o próprio Lula perdia para Serra em novembro de 2005. Ou seja, é uma lei não confirmada pela maioria dos casos. Ou seja, não serve para nada.
Imaginar o que vai acontecer em outubro de 2010 a partir de simples pesquisas quantitativas de intenção de voto não faz sentido. Mais: revela falta de compreensão sobre como se estrutura o eleitorado brasileiro na atualidade.
O projeto da candidatura Dilma está assentado em dois supostos fortes. De um lado, na constatação de que o maior contingente do eleitorado é, hoje, formado por “lulistas”, pessoas que votaram nele uma, duas, três ou mais vezes, muitas em todas as eleições a que compareceram. Como vimos em 2006, a quase totalidade desses eleitores votou nele e, a crer nas pesquisas, votaria de novo se pudesse. Parece que tendem a votar em quem ele apontar.De outro lado, o projeto apoia-se nos indicadores de aprovação do governo, que sinalizam que a base do lulismo se ampliou e passou a incluir muitos não eleitores de Lula, que o consideram um bom presidente, à frente de políticas e programas que merecem ser preservados. Daí, que podem vir a temer pela sua interrupção e a aumentar a proporção dos que votariam em quem representa a continuidade.
Quem não gosta da candidatura da ministra saudou alguns resultados das últimas pesquisas. Elas registram uma estagnação de seu crescimento, logo vista como sinal de sua inviabilidade. É bom evitar julgamentos apressados, no entanto. Nada há nessas pesquisas que contrarie as premissas da candidatura, que nunca calculou que sempre cresceria. Ao contrário, se elas indicam que maus momentos para o governo (a crise do Senado, por exemplo) têm reflexo negativo, bons momentos (pré-sal, por exemplo) podem ter impacto inverso, vindo a impulsionar as intenções de voto em Dilma.
Mas erra igualmente quem avalia as pesquisas e só vê motivos para acreditar que Dilma já ganhou. Em nossa cultura política, a vasta maioria dos eleitores vota em pessoas, e não em teses. Por mais que gostem de Lula e queiram que várias coisas de seu governo permaneçam, não vão tê-lo na urna. Dilma pode subir e cair pelo mesmo remédio: a “quantidade” de Lula em sua candidatura. Bem dosado, ela cresce. Mal calculado, ela sofre. Só a campanha real vai conseguir encontrar a medida. Daqui a outubro de 2010, há tanta água para correr por baixo da ponte que dá até preguiça ouvir quem acha que sabe tudo.


Sem comentários, o texto diz tudo.

Flávio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com

JORNALISTA PAULO HENRIQUE AMORIM ABRE ESPAÇO EM SEU SITE PARA MOSTRAR COMO ALGUNS INSTITUTOS DE PESQUISA MANIPULAM O PLANEJAMENTO DE SUAS AMOSTRAGENS

Muito antes de editar este blog venho denunciando como alguns institutos de pesquisa manipulam os resultados das pesquisas com cotas de entrevistados em maior quantidade onde os candidatos favorecidos pelos interesses que eles representam tem mais intenções votos.

Desde de 13 de Julho quando postei Pesquisa IBOPE para Governo de São Paulo de 03 de Junho de 2009 meu primeiro texto que inaugurou este blog venho demonstrando e comprovando a prática da munipulação.
Depois editei uma série de textos sobre o tema que vale a pena lembrar:

A PESQUISA DE AVALIAÇÃ DO SENADO de 16 de Julho de 2009.

PESQUISAS SOBRE RESTRIÇÃO AOS FRETADOS E AVALIAÇAO DO MANDATO DO PREFEITO GILBERTO KASSAB NA CIDADE DE SÃO PAULO
As diferenças entre as cotas de entrevistados por escolaridade usadas pelo Data Folha e as cotas reais do Tribunal Superior Eleitoral, de 21 de Agosto de 2009.


CONTINUAM OS NUMEROS CONTRADITÓRIOS... de 24 de Agosto de 2009.

EU VOLTEI...DEBATE SOBRE OS MÉTODOS USADOS NO PLANEJAMENTO DAS AMOSTRAGENS DAS PESQUISAS I, de 07 de Setembro de 2009.

ANÁLISE DA PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA NACIONAL PARA A CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPOSRTE (CNT) FEITA PELA SENSUS PESQUISA E CONSULTORIA - PARTE I , de 08 de Setembro de 2009.

ANÁLISE DA PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA NACIONAL PARA A CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPOSRTE (CNT) FEITA PELA SENSUS PESQUISA E CONSULTORIA - PARTE II , de 09 de setembro de 2009.

SENADO APROVA LEI SOBRE A METODOLOGIA DAS AMOSTRAGENS QUE OBRIGA INSTITUTOS DE PESQUISAS USAREM DADOS ESTATÍSTICOS DO IBGE , de 09 de Setembro de 2009.

DEBATE SOBRE OS MÉTODOS USADOS NO PLANEJAMENTO DAS AMOSTRAGENS DAS PESQUISAS DE OPINIÃO I (AMOSTRAGENS PROBABILÍSTICAS), de 14 de Dezembro de 2009.

Gostaria de agradecer o espaço do site paulohenriqueamorim.com e aguardem estou preparando os textos sobre as amostragens não probabilísticas e por cotas, que fazem parte da sequência sobre o assunto na série que estou editando neste blog.

Flavio Luiz Sartori - flavioluiz.sartori@gmail.com

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ESQUECI DE INFORMAR, VEM AI AS ANALISES DE PROGRAMAS DE TELEVISÃO DO BLOG

Com destaque para novelas, e a primeira será sobre o final da novela Caminho das Índias.

IBOPE ESTA EM CAMPO ENTREVISTANDO E LOGO TEREMOS RESULTADOS, OLHO VIVO NAS COTAS DE ENTREVISTADOS, PRINCIPALMENTE POR ESCOLARIDADE.

De acordo com texto de hoje, dia 15 de setembro, publicado no site noblat.com.br com título Ibope, Lula e Dilma vão a campo, como o próprio título anuncia, equipes de pesquisadores do IBOPE estão em campo entrevistando para mais uma pesquisa sobre a sucessão presidencial e obviamente sobre a avaliação do governo.

Nas ultimas pesquisas, principalmente do Data Folha , Instituto Sensus e Vox Populi, os números foram diferentes, nos dois primeiros desfavoráveis para o Governo e no terceiro favorável ao governo.
Infelizmente, o Vox ficou devendo a metodologia da sua pesquisa, o Data Folha e Sensus publicaram. Pelos números das cotas de entrevistados por escolaridade foi possível perceber nos dois relatórios publicados nos sites do Data Folha e do Sensus, que em ambas pesquisas existiram distorções com números maiores de entrevistados com escolaridade a nível universitário acima dos números oficiais do TSE.


Uma informação importante que não divulguei na analise da pesquisa
PESQUISA DO IBOPE REVELA VISÃO DO BRASILEIRO SOBRE A RELAÇÃO DOS GOVERNOS COM A RELIGIÃO do IBOPE foi o fato de que os números dessa pesquisa em relação a escolaridade dos entrevistados também estavam defasados com 13% de entrevistados com escolaridade a nível superior em contradição com os 6,2% oficiais do TSE (a metodologia da pesquisa informa que entrevistou pessoas com idade acima de 16 anos), defasagem para mais que foi pulverizada nas cotas de entrevistados por ensino médio e ensino fundamental (em todos suas versões).

Voltando ao site noblat.com.br, o mesmo insinua que o governo estaria mapeando a entrevista e combinando aparições da Ministra Dilma Roussef nas datas da realização do campo para turbinar seu nome na pesquisa. Tecnicamente acho muito difícil isso acontecer e também dar resultados positivos em todo Brasil e se esta acontecendo então logo Lula vai precisar mesmo de um plano B porque sua candidata não esta com nada.


O certo mesmo é o que sempre afirmamos aqui, todos; governo e oposição, tem as pesquisas com resultados seguros e sabem da realidade. Manipulações podem até acontecer, mas com números dentro das margens de erro.
O blog A Essência Alem da Aparência vai continuar de prontidão, quando os números da pesquisa do IBOPE forem divulgados vamos analisar eles com detalhes nas cotas de entrevistados, principalmente por escolaridade. Também vamos continuar nossa série sobre a metodologia das pesquisas com a analise sobre as pesquisas com amostragens não probabilísticas e as conclusões sobre o assunto. Fiquem atentos.

Flavio Luiz Sartori


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DEBATE SOBRE OS MÉTODOS USADOS NO PLANEJAMENTO DAS AMOSTRAGENS DAS PESQUISAS DE OPINIÃO I (AMOSTRAGENS PROBABILÍSTICAS)

Dando prosseguimento ao texto EU VOLTEI...DEBATE SOBRE OS MÉTODOS USADOS NO PLANEJAMENTO DAS AMOSTRAGENS DAS PESQUISAS I, editado no dia 07 de Setembro de 2009, publico este texto onde pretendo esclarecer, em poucas palavras, como funciona o planejamento de uma amostragem probabilística.

De acordo com F. Mattar na publicação Pesquisa de Marketing de 1996, na amostragem probabilística cada elemento da população tem uma chance conhecida e diferente de zero de ser selecionado para fazer parte de uma amostra em uma pesquisa, ou seja, de ser entrevistado.
Nos textos sobre metodologias em planejamento das pesquisas de opinião, no item amostragens, quando o método usado é o probabilístico, ele pode ser chamado também de randômico simples, com cada indivíduo da população que a amostragem representa tendo a mesma chance de ser entrevistado. Mas neste caso vale uma reflexão sobre certas definições usadas pelos técnicos da área. Afinal o que é randômico?
Resposta: É como se uma informação levantada em uma área pré-determinada com características próprias fosse obtida de forma acidental, ou melhor, ao acaso. Mas como isso é possível?

Vamos tentar explicar de forma didática; no planejamento da pesquisa em uma cidade, como por exemplo, Campinas, a mesma é dividida em áreas onde predominam diferentes classes sociais, sendo que cada área terá o seu peso estatístico de acordo com sua densidade demográfica e suas características, principalmente em relação as classes sociais.
Nesse caso se considera que naquela área a população tem suas próprias características definidas e que por isso mesmo as entrevistas poderão ser realizadas sem se preocupar com a origem de classe social do entrevistado, que é escolhido ao acaso ou de forma sorteada. No município de Campinas, uma cota de entrevistados em uma área onde ficam bairros, como por exemplo, o Cambuí e a Nova Campinas, onde residem uma maioria de pessoas das classes médias A e B terá o peso representativo na amostragem geral probabilística referente ao tamanho da área em questão e as classes sociais da mesma. Por outro lado, as entrevistas realizadas na Região do Campo Grande representarão pessoas das classes C e D dominantes na área, como a área e a densidade demográfica da Região do Campo Grande são maiores que a da região onde ficam os bairros Cambuí e Nova Campinas, obviamente que um número maior de pessoas da Região do Campo Grande serão entrevistadas e o peso delas será maior na amostragem geral da pesquisa.

No entanto, usando o método probabilístico, as entrevistas realizadas nas duas regiões citadas serão feitas ao acaso, de forma acidental ou por sorteios, ou seja, como querem parte dos especialistas e técnicos, aliás, eu sou um deles, de forma randômica. Nesse caso a possibilidade de uma pessoa que mora na região do Campo Grande e trabalha na região do Cambuí e Nova Campinas ser entrevistada como moradora do Cambuí é muito grande, ainda mais levando em consideração o transito diário permanente de pessoas nas idas e vindas para o trabalho em cidades como Campinas.
Essas variações que acontecem dentro de uma amostragem proporcionam várias possibilidades de tendências, é aquilo que os técnicos chamam de viés que na realidade são situações propensas. Mesmo assim nos EUA foram feitos diversos testes comparativos após a realização de pesquisas com amostragens probabilísticas, comparados com resultados de pesquisas por cotas e não probabilísticas (da qual falaremos no próximo texto editado no blog) e também com o resultado final de eleições e as diferenças foram mínimas, abaixo das margens de erro das amostragens.

Conclusão, o uso das amostragens probabilísticas tem a vantagem de ser mais barato que os das não probabilísticas porque demanda menos trabalho, isso significa com um custo menor que permite a realização de pesquisas com amostragens maiores. No entanto, é importante esclarecer que os números nas das pesquisas com amostragens probabilísticas só se aproximam dos acertos no final das campanhas eleitorais, quando a maioria dos eleitores começa a se definir. Antes desse momento, quando faltam, de seis a três meses para o dia da eleição, quando as estratégias de marketing ainda estão sendo planejadas, a existência de diversos vieses (tendências) nos números de uma pesquisa significa que as analises não serão precisas e a possibilidade de erros será maior.




Flávio Luiz Sartori – flavioluiz.sartori@gmail.com