sexta-feira, 28 de agosto de 2009

PESQUISA DO IBOPE REVELA VISÃO DO BRASILEIRO SOBRE A RELAÇÃO DOS GOVERNOS COM A RELIGIÃO

Números indicam que a maioria dos brasileiros não leva em consideração a combinação de religião com a política e com as disputas de mercado.

Depois de um fim de semana agitado com a polêmica das pesquisas eleitorais, quando imaginávamos que as mesmas ficariam em um segundo plano, o IBOPE fez o favor de ressuscitar a discussão sobre pesquisas com a divulgação da interessante pesquisa Temas Relacionados a Igreja Católica com campo de entrevistas realizado do dia 17 ao dia 22 de Julho, sendo que a pesquisa só entrou no site do IBOPE somente agora no final de Agosto.
Em um momento em que a disputa entre duas das principais redes de televisão do Brasil, a Rede Globo e a Rede Record, se torna acirrada e o assunto religião se torna parte da troca de acusações porque uma das redes de tv, no caso a Record tem uma ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus, que teve um crescimento acima do normal, cooptando a maioria de seus seguidores exatamente entre os desiludidos com a fé Católica, a pesquisa do IBOPE vem a calhar. Porém, não devemos esquecer de que o IBOPE é historicamente ligado a Rede Globo e que foi a própria Globo que iniciou os ataques à Record partindo do tema religião.
Apesar da pesquisa ser a analise sobre um projeto que tramita no Congresso Nacional sobre a possibilidade da Igreja Católica ter mais direitos no território nacional, a leitura dos números da pesquisa feita com 2.002 entrevistas em 142 municípios de todo Brasil apresenta resultados interessantes: somente para 15% dos brasileiros o governo deveria fazer acordo com a Igreja Católica, para 32% dos brasileiros o governo não deve fazer acordo com a Igreja católica pois, isso seria um desrespeito as outras religiões, para 46% dos entrevistados, que representam a opinião dos brasileiros sobre o assunto o governo não deve fazer acordo com nenhuma religião pois não existe religião oficial no Brasil, 5% não concordaram com nenhuma das frases e 2% não responderam.
A pesquisa, como se percebe foi realizada com a apresentação das frases para os entrevistados, portanto foi estimulada.
O resultado demonstra que, apesar dos números do proprio IBOPE de 66% de Católicos no Brasil contra 20% de Evangélicos e 14% de Outros, a soma dos entrevistados que se posicionaram contra o acordo, quer seja por causa do desrespeito as outras regiões ou porque não se deve fazer acordo com nenhuma religião, foi de 78% (32 + 46), portanto com uma maioria esmagadora de Católicos se posicionando neste sentido.
Conclusão, quem quiser usar a religião para sustentar disputas de mercado, principalmente no campo da opção por um ou outro canal de televisão ou, até mesmo sobre outros temas, como por exemplo, a política, certamente que não estará de acordo com a maioria dos cidadãos brasileiros que pelos números da pesquisa demonstraram que em pleno início do século XXI temos um Brasil que aprendeu a separar a religião de outros temas. Principalmente, levando em consideração os números da pesquisa IBOPE de 66% de Católicos no Brasil, com apenas 15% de brasileiros concordariam com o acordo com a Igreja Católica.


Relatorio completo da pesquisa no site IBOPE: http://www.ibope.com.br/inteligencia/downloads/2009/09_08_28_ibopeinteligencia_cddbr.pdf

Flávio Luiz Sartori - E mail: flavioluiz.sartori@gmail.com

FIM DE SEMANA E O MOMENTO É DE "CURTIÇÃO" IV

Antes de postar o próximo texto é momento de curtição e querem coisa melhor que forró, vamos de Gilberto Gil com ....Esperando na Janela


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CONTINUAM OS NUMEROS CONTRADITÓRIOS...

Dando prosseguimento a analise das pesquisas publicadas pelo Data Folha no fim de semana passado (15 e 16 de Agosto), continuei analisando os números, porem com prioridade para as cotas de entrevistados em detrimento dos resultados, afinal, porque falar deles se a analise da questão das cotas por escolaridade diante dos números colocados, se tornaram mais importantes. Garanto que quando acessei os resultados nos relatórios da Data Folha jamais imaginei que encontraria as diferenças que encontrei entre os números das cotas usadas por eles e os números exatos da estratificação do eleitorado disponíveis no site do TSE.

Desta vez foquei minha analise nos números das pesquisas por temas nacionais realizadas pelo Data Folha com os seguintes assuntos: Avaliação do Congresso Nacional, Avaliação do Presidente do Senado José Sarney, Avaliação do Presidente Lula, Avaliação dos efeitos da crise mundial perante a opinião pública, Avaliação dos efeitos da Lei Anti Fumo no Estado de São Paulo, Intenção de Votos para Presidência da Republica.
Em todos relatórios com os assuntos abordados acima a amostragem total de entrevistados foi a mesma com 4.100 entrevistados em todo Brasil, logicamente que a primeira analise que fiz foi sobre as cotas de entrevistados por escolaridade e a primeira constatação foi a de que elas foram as mesmas para todos os seis assuntos abordados, então o próximo passo foi a comparar com os números reais do TSE.

Desta vez comecei pelos números do TSE, de acordo com as estatísticas da Justiça eleitoras o quadro em relação ao eleitorado brasileiro nas cotas por escolaridade é o seguinte:

Com Superior Incompleto (2,6%) e Superior Completo (3,6%) o total de eleitores que conseguiram chegar ao nível superior de escolaridade, ou seja, as faculdades e universidades é 6,2% de eleitores em todo Brasil.

Com Ensino Médio Incompleto(18,26%) e Ensino Médio Completo (12,45) o total de eleitores que cursaram até os também chamados de antigos segundo grau e colegial é 30,71% em todo Brasil.

Com o atualmente chamado Ensino Fundamental Incompleto (33,79%), Ensino Fundamental Completo (7,73%) e os que apenas aprenderam a ler e escrever (15,32%), lembrando que nesta classificação estão incluídos os que freqüentaram o antigo Primeiro Grau. O total de eleitores brasileiros que foram a escola somente até o atual Ensino Fundamental é 56,84%.

Também fazem parte da estatística 6,13% de Analfabetos e 0,12% que não informaram a escolaridade.

São números bem diferentes dos da cidade de São Paulo que estão no texto postado antes deste, eles representam o desequilíbrio existente na política educacional em todo Brasil.

Para as pesquisas nacionais citadas neste texto o Data Folha usou as seguintes cotas de entrevistados em números divulgados nos relatórios que estão no site do próprio Data Folha:

Entrevistados com Ensino Superior, 584 pessoas, 14,25% de 4.100 entrevistas.

Entrevistados com Ensino Médio, 1.814 pessoas, 44,28% de 4.100 entrevistas.

Entrevistados com Ensino Fundamental, 1.699 pessoas, 41,47% de 4.100 entrevistas.

Conclusão, no item Ensino Superior a diferença entre 6,2% do TSE e 14,25% da cota do Data Folha é de 8,05% pontos para mais, portanto maior que os próprios números do TSE. No item Ensino Médio a diferença entre 30,71% do TSE e 44,47% na cota do Data Folha é 13,76% pontos para mais. No item Ensino Fundamental a diferença entre os números do TSE, 56,84% e a cota do Data Folha de 41,47% foi de 15,37% pontos para menos. Existem ainda os 6,13% de Analfabetos nos números do TSE que não podem ser desprezados.
Essas diferenças certamente provocam diferenças nos números finais da pesquisa, são números de pura matemática e dados que estão disponíveis para qualquer cidadão no site do TSE. São diferenças tão gritantes que chego até a duvidar dos números do TSE.

Ia esquecendo, seria bom se o Vox Populi e a TV Bandeirantes, que também fizeram parte de todas as noticias sobre pesquisas contraditórias nas ultimas semanas, também disponibilizassem seus relatórios para o público assim como fez o Data Folha.

Flávio Luiz Sartori – E mail:
flavioluiz.sartori@gmail.com